Meu filho é tímido, devo forçá-lo a falar em público?

MBA em Comunicação Corporativa (Anhembi Morumbi, 2009)
Graduada em Fonoaudiologia (PUC-SP, 2005)

A timidez é uma característica bastante comum em crianças e jovens, mas, em excesso, pode se tornar prejudicial para o desenvolvimento de seu filho. Na hora de falar em público, sentimentos como vergonha, pânico e muito nervosismo acabam se acentuando quando os níveis de timidez estão acima do normal.

Hoje, é incontestável a importância da oratória na vida das pessoas. Muitos pais, preocupados com o futuro pessoal e profissional dos seus filhos, acabam tendo muitas dúvidas sobre como lidar com a timidez. Será que vale a pena forçar seu filho a falar em público? Segundo os especialistas no assunto, não.

O medo e a ansiedade de falar em público geralmente estão relacionados com a maneira que seu filho enxerga suas próprias capacidades, traços e características. Antes de obriga-lo a fazer o que não quer, é preciso lidar com as motivações por trás dos bloqueios, como a superação da timidez, a melhoria da autoestima e a construção da autoconfiança.

Os pais podem incentivar hábitos de comunicação oral nas crianças desde cedo. Uma atitude simples é a de envolvê-los em atividades grupais, como teatro e esportes, e incentivá-los a fazer trabalhos em grupo, por exemplo.

Foto: wavebreakmedia / Shutterstock.com

Conselhos para ajudar seu filho a falar em público

Veja alguns conselhos que podem ser praticados para potencializar as habilidades de oratória dos seus filhos:

  1. Auxilie a melhora da autoestima. Você pode mostrar ao seu filho o quanto ele é importante, valorizar suas qualidades e demonstrar que a opinião dele é relevante.
  2. Incentive uma atitude crítica. Possibilite que seu filho se expresse com suas próprias ideias. Isso fará com que ele se sinta mais seguro. Ainda que você não concorde, permita que o modo dele de ver o mundo seja expressado.
  3. Valorize as superações. Ainda que sejam gradativas, as superações devem ser enfatizadas. Quando conseguir, por exemplo, falar diante da família ou de estranhos ou apresentar um trabalho na escola, faça-o comemorar cada conquista. Assim, a segurança nele mesmo irá aumentar.
  4. Não force situações. Jamais o obrigue a falar em público sem que esteja preparado. É preciso respeitar o tempo de seu filho. Do contrário, a exposição e pressão podem aumentar ainda mais a timidez.
  5. Respeite a voz e o silêncio. Quando estiver com outras pessoas ou em ocasiões públicas não fale pelo seu filho. Deve-se deixar que ele responda por si mesmo, seguindo o seu próprio ritmo.
  6. Incentive a leitura. Se forem pequenos, leia histórias para eles. Quando mais crescidos é importante continuar incentivando a leitura. O hábito pode contribuir para o enriquecimento do vocabulário e auxiliar na estruturação de ideias.
  7. Respeite-o. É preciso compreender a individualidade, a personalidade e as características de seu filho, respeitando-o acima de tudo.

Por que meu filho é tímido?

Às vezes, os irmãos podem ser bastante diferentes. Você pode ter um filho super extrovertido e outro muito tímido. Muitos pais tendem a culpar a si mesmos sobre a timidez dos filhos, como se ser tímido fosse uma espécie de enfermidade – o que não é. No entanto, existem muitos fatores que contribuem para a timidez, como, por exemplo, a idade.

A causa da timidez pode estar relacionada à genética ou ao ambiente. Pesquisadores acreditam que a genética é responsável por pelo menos 20% dos casos. Nos outros 80%, a causa é ambiental. No último caso, pode relacionar-se à convivência com pais rigorosos, negligentes ou superprotetores. Além disso, existem personalidades mais introspectivas que influenciam em um comportamento mais interiorizado.

A boa notícia é que um estudo do psicólogo Jerome Kagan, da Universidade Harvard, mostrou que 70% das crianças com alto grau de timidez superam o problema antes dos sete anos, mesmo conservando um temperamento mais tranquilo. No entanto, se a atitude do seu filho tem causado preocupação, procure um psicólogo para apoiá-lo. O mais indicado para esses casos é a terapia comportamental, que pode ajudar a treinar habilidades sociais específicas.

Arquivado em: Comunicação