Basílica de Santa Sofia

Mestre em História da Arte (Unicamp, 2019)
Bacharel e licenciado em História (USP, 2004)

Construída em Constantinopla, entre 527 e 532, durante o reinado do Imperador Justiniano (527-565), a Basílica de Santa Sofia foi dedicada à Sabedoria de Deus e daí sua denominação latinizada de “Santa Sofia” e no grego “Hagia Sophia”.

A denominação de basílica relaciona-se ao fato do poder civil, representado pelo imperador (basileus em grego) ter ordenado a sua construção e tal gesto foi imortalizado no mosaico presente na basílica de San Vitale, em Ravena na Itália, onde o imperador Justiniano aparece acompanhado de seu séquito (militares e políticos) e entrega ao bispo Maximiano (bispo de Constantinopla) um recipiente que contém ouro, simbolizando o financiamento da igreja.

Basílica de Santa Sofia (Hagia Sophia) - (Istambul, Turquia). Foto: Mehmet Cetin / Shutterstock.com

A basílica de Justiniano foi a reconstrução de duas outras (a de Constantino de 335 e a de Teodósio em 415), também dedicadas à Sabedoria Divina, as quais foram destruídas durante uma rebelião que antecedeu sua ascensão. No entanto, a arquitetura ali presente não só traz um novo estilo, mas também representa o ápice deste novo estilo.

A estrutura da basílica foi projetada pelos arquitetos Antêmio de Trales e Isidoro de Mileto, os quais pensaram numa planta de simetria simples: o comprimento da nave seria o dobro de sua largura e precisavam levantar uma cúpula de 32 m de diâmetro, o mesmo tamanho da cúpula do Pantheon em Roma, a 60 m do solo, colocando-a sobre quatro arcos e um aspecto geometricamente inovador na construção da cúpula foi a sustentação por quatro grandes pilares estrategicamente escondidos nas paredes.

Um pouco depois da construção, a majestosa cúpula desmoronou como consequência de um terremoto, mas foi de novo levantada – com a mesma técnica e traçado. Foi no ano de 558, sob a direção de Isidoro de Mileto.

A monumentalidade do espaço criado em Santa Sofia, como, em seu tempo, a riqueza cromática dos seus altares, mosaicos e materiais, nos quais a simbólica luz reverbera como dando razão à afirmação de que “o que radiante vem de dentro”, justificam a exclamação de Justiniano ao vê-la acabada:

“Glória a Deus que me julgou digno de executar esta obra! Venci-te, Salomão!”

É formada por uma série de pequenas janelas, e o revestimento dourado dos mosaicos e dos mármores também contribuem para o intenso e fascinante efeito luminoso.

Santa Sofia é considerada um dos maiores exemplos ainda existentes da arquitetura bizantina, um esplendor de grande valor artístico em todos os aspectos. Ela foi na antiguidade uma grande obra arquitetônica, tendo influenciado o mundo ortodoxo, católico e islâmico.

Hagia Sophia por dentro. Foto: Artur Bogacki / Shutterstock.com

Mosaico – em grego mousaikón – significa “arte das musas”, portanto, eram estas que inspiravam a genialidade do artista, o qual acompanhado de precisa de paciência e atenção, executava a obra.

Das ruínas do templo de Júpiter, em Baalbek, no Líbano, o imperador Justiniano ordenou a retirada de oito colunas de estilo coríntio, as quais foram desmontadas e, enviadas, para Constantinopla, para a construção.

Mármores verdes, brancos com pórfiro púrpura cobrem o piso da basílica, enquanto, as cúpulas eram ocupadas por mosaicos dourados.

Em 29 de maio de 1453, o sultão turco Mehmed II (1451-1481) derrotou o imperador bizantino, Constantino XI Paleólogo e assumiu o controle daquilo que fora o Império Romano do Oriente. A Basílica de Santa Sofia foi transformada em uma mesquita: a cruz do cume da cúpula foi trocada por um crescente(o símbolo do Islã), os mosaicos e referências cristãs foram cobertos, inseriram gigantescas placas de bronze com trechos do Alcorão.

No exterior, se destacam também, seus quatro minaretes(torres para o chamado dos muçulmanos para a oração), construídos em tijolo vermelho, calcário branco e arenito, construídos depois da vitória turca.

Fontes:

ARGAN. Giulio Carlo. História da Arte italiana: da Antiguidade a Duccio. Vol. I, São Paulo: Cosac & Naify, 2003.

GOMBRICH, Ernst. História da Arte. Rio de Janeiro: Editora LTC, 16ª edição. 1996.

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