Gnosticismo

No início da história cristã, o cristianismo não era apenas uma religião, mas várias. Na verdade existiam diversas crenças baseadas em Cristo e a maioria tinha grandes diferenças entre si com relação a alguns pontos.

O Gnosticismo (da palavra grega gnose: conhecimento) pregava que o mundo havia sido criado por uma divindade imperfeita e que, por isso, a vida na Terra era apenas uma forma maléfica usada para aprisionar o espírito humano e que o bem só seria alcançável em um nível espiritual. Também por isso, eles acreditavam que não havia porque nos culparmos pelos males existentes na Terra, uma vez que tudo isso era propiciado pela prisão material da qual deveríamos nos libertar e que fora criada pelo deus mal que criara a Terra.

Para os gnósticos o Deus bom, um ser espiritual e supremo, havia apenas interferido no processo de criação ao inserir em cada ser humano uma centelha divina que nos tornava capazes de despertar e conhecer a verdade. Então, Cristo, para os gnósticos era um mensageiro desse Deus que veio com o objetivo de nos ensinar a despertar.

Os primeiros gnósticos viveram no período do século II ao V e, assim como todas as crenças que surgiram naquela época, tinham seus próprios textos e evangelhos, mas estes textos, condenados em 180 d.C. pelo bispo de Lyon, São Irineu (o mesmo que escolheu quais seriam os evangelhos canônicos), em seu livro “Contra as Heresias” foram banidos pela Igreja na ocasião do Concílio de Nicéia que foi, digamos, a inauguração da Igreja Católica moderna. Por isso, muitos textos banidos, agora chamados de apócrifos, foram destruídos. Alguns dos que escaparam desse destino simplesmente se perderam por falta de quem os perpetuasse, mas alguns deles chegaram até nós suficientemente intactos para trazer sua versão da história. Os mais famosos, ou mais importantes, textos baseados na crença dos gnósticos são os Evangelhos do Mar Morto, o conjunto de textos conhecidos como Biblioteca de Nag Hammad.

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