Santo Graal

A origem da palavra Graal não é muito precisa, mas geralmente se atribui a ela o sentido de ‘cálice’ – do latim gradalis. Ela nasceu na era medieval, junto com a literatura arthuriana, que narra as aventuras do Rei Arthur e seus Cavaleiros da Távola Redonda. Mas a amplitude desta lenda é muito maior, não se restringindo apenas a esta história.

Outras pessoas acreditam que a taça foi um dos personagens principais da Santa Ceia, e nela Jesus teria bebido do vinho que, posteriormente, simbolizaria seu sangue, derramado na cruz quando Ele é atingido pela lança de Longino, o soldado romano, e então acolhido neste mesmo cálice pelas mãos dedicadas de José de Arimatéia.

Outra visão, muito comum hoje, é a do Graal como símbolo da descendência de Jesus, que teria sua fonte na dinastia Merovíngia. Neste caso, ele passa a ter o significado de Sangreal ou Sangue Real. Há também uma interpretação alternativa, na qual Maria Madalena é a esposa do Mestre Nazareno, e conseqüentemente se conclui que a taça representa o corpo desta herdeira do Cristianismo. Estas idéias têm sido divulgadas por uma literatura recente, encabeçada pela obra O Código Da Vinci, de Dan Brown.

Por sua vez, o Catarismo, seita cristã considerada herética pelo clero medieval, acredita que o Santo Graal é um livro que contém ensinamentos sagrados, um conhecimento que detém um terrível poder, talvez ligado à própria Alquimia e sua busca da Pedra Filosofal, que seria capaz, entre outras coisas, de proporcionar ao Homem a vida eterna. A Igreja, porém, incomodada com as supostas origens pagãs do Graal, ignora a riqueza deste pretenso milagre, embora aceite vários outros acontecimentos de natureza sobrenatural. Assim, ela considera o cálice sagrado apenas como um símbolo, e não lhe concede maior importância, apesar de confirmar a veracidade de alguns protagonistas desta história.

Nas histórias do Rei Arthur, o Graal reveste-se de um virtual poder curador, pois o herói, ferido, envia seus Cavaleiros em busca da taça sagrada. Segundo o rei, só ela poderia salvar sua vida e a do reino, envolto em sombras. Geralmente se atribui a procura deste cálice à tentativa de conquistar a perfeição.

Na literatura universal é difícil imaginar este simbolismo independente das peripécias de Arthur e seus seguidores, na Bretanha e no universo mágico de Avalon. Aliás, alguns pesquisadores afirmam que este reino encantado é nada mais que a abadia de Glastonbury, onde supostamente estão enterrados Arthur e sua esposa Guinevere. Neste mesmo local dizem que o Graal está oculto e preservado.

Estas histórias tornaram-se conhecidas na Europa nos séculos XII e XIII, através dos romances de Chrétien de Troyes, especialmente por meio da obra Le Conte du Graal, lançada por volta de 1190, a qual narra a busca da taça pelo Cavaleiro Percival. Posteriormente Robert de Boron, poeta francês, escreveu Roman de L’Estoire du Graal, aproximadamente entre 1200 e 1210. Esta é a interpretação mais consagrada desta lenda.

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