Dia de Finados

Por Eduardo José de Alvarenga

Licenciatura em História (IFG, 2022)

Categorias: Datas Comemorativas
Ouça este artigo:
Este artigo foi útil? Considere fazer uma contribuição!

O Dia de finados, ou dia dos mortos, tradicionalmente comemorado em 02 de novembro, é um dos feriados mais antigos do mundo ocidental, sendo comemorado nessa data desde o final da Idade Média.

É nessa data, orginalmente católica, mas atualmente celebrada pelas demais pessoas, que se costumam prestar diferentes tipos de homenagens e realizar pequenas romarias aos cemitérios (convertidos nessa data em verdadeiros santuários), para se orar ou celebrar a memória dos finados entes queridos perdidos.

Enquanto no Brasil, as pessoas visitam os túmulos de seus entes queridos em cemitérios para orarem pelas suas almas, limparem suas sepulturas e acederem velas, no México, se realiza a festa de “Dia de Muertos”.

As origens do Dia de Finados

Sepultar os mortos já é um ato praticado pelo ser humano desde as mais antigas civilizações, contudo, o que mudou com o tempo foi o significado atribuído a essas ações. Investigações arqueológicas sugerem que, algumas sociedades antigas por exemplo, realizavam cultos funerários com o objetivo de impedir o retorno dos mortos, para que estes não assombrassem os vivos.

A curiosidade em relação aos mistérios da vida após a morte, sempre mobilizaram o ser humano na preparação de rituais, festas ou cultos para honrarem os falecidos, ou para pedirem proteção a eles.

Contudo, o moderno ato de visitar os túmulos dos falecidos em cemitérios, individualmente ou na companhia de familiares, para realizar orações, ou para recordar os bons momentos, é um fenômeno que se consolidou recente na história somente no final do século XVIII (18).

O culto aos mortos em um dia específico, não era, originalmente uma manifestação cristã, mas foi adotada pela Igreja Católica e foi aos poucos sendo difundindo por ela, como um ritual católico.

As raízes mais antigas dessa data são rastreadas na Idade Média, onde já tinha se tornado comum, o hábito entre indivíduos da religião católica, de orarem pelos seus finados entes queridos. Nesse período, as pessoas consolidaram o costume de orar para interceder pelas almas que, segundo a cosmovisão da Igreja Católica, encontravam-se no purgatório, aguardando a salvação ou punição.

Ainda não existia uma data específica, definida como a data oficial para a intercessão pelas almas dos finados, fato mudado após as ações do monge e abade, Odilon, originário do Mosteiro de Cluny (França), que criou, em primeiro de novembro do ano de 998 (ou do ano 1000), o famoso “dia dos finados”. Um dia reservado para a oração pelos mortos, independentemente de serem conhecidos ou não dos oradores.

A data remonta ao período feudal na França, mas, ela foi pouco a pouco se tornando conhecida nos demais países do Ocidente. Odilon pioneiramente estipulou o 1 de novembro como a data para o evento, contudo, quando a Igreja Católica difundiu a ideia de se separar um dia para realizar tais homenagens pelo restante do mundo, decidiu-se, na Itália do século XIV (14), que as homenagens aos mortos seriam celebradas no dia 2 do mês de novembro. A data passou a ser mundialmente conhecida com o nome “Dia de Finados” (o dia dos mortos).

Do século XV (15) ao final do século XVIII (18), ainda era reservado a outro dia, como o 1 de novembro, a oração para interceder pelas almas do Purgatório, mas, a partir do início do século XIX (19), essa prática passou a se integrada ao dia de finados.

Desde então, em pequenas e grandes cidades pelo mundo, as pessoas se dirigem aos cemitérios, nessa data, para relembrarem a memória de seus entes queridos.

Dia de Finados no Brasil

Orar pelos mortos é uma prática que passou a existir no Brasil através da colonização portuguesa, nas palavras de Maria das Graças Ferreira de Araújo: “O Brasil é, assim, herdeiro de histórias referentes ao dia dos mortos (...)” adotando o feriado de finados.

Nessa data, visitam-se cemitérios, e nessas visitas, levam-se flores, acendem-se velas, além de outros rituais. Em Manaus por exemplo, nos cemitérios públicos, é comum se acenderem milhares de velas em torno dos túmulos.

Bibliografia:

ARAÚJO, M, G, Ferreira. PEQUENAS ROMARIAS PARA PEQUENOS SANTOS: um estudo sociológico sobre o dia de Finados. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) - Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Belo Horizonte, p. 124. 2009. Disponível em: http://www.biblioteca.pucminas.br/teses/CiencReligiao_AraujoMGF_1.pdf ( Acessado dia 13/12/2022).

Este artigo foi útil? Considere fazer uma contribuição!