Doença de Whipple

A doença de Whipple é uma infecção bacteriana sistêmica que apresenta como agente etiológico o Tropheryma whipplei. Foi descrita pela primeira vez no ano de 1907, por George Hoyt Whipple, como uma afecção crônica, apelidada de lipodistrofia intestinal.

Esta doença é considerada uma afecção rara, sendo que a parcela da população mais acometido são indivíduos do sexo masculino (80%), habitualmente caucasianos, que moram na Europa ou América do Norte. Embora acometa indivíduos de todas as faixa etárias, é mais comum por volta dos 50 anos de idade.

A real incidência da doença não é conhecida. Estudos mostram uma maior prevalência dessa enfermidade em ambientes rurais, mais especificamente nos agricultores. Apesar de aparentemente não haver um padrão de hereditariedade, foram descritos vários casos familiares.

A bactéria causadora da enfermidade, a T. whipplei, é gram-negativa, encontrada no solo, na água contaminada de esgoto e na saliva de indivíduos saudáveis, embora não haja prova de transmissão interpessoal. Também já foi isolada de biópsias duodenais e no suco gástrico de indivíduos sem manifestações da doença, indicando que este agente etiológico pode ser uma bactéria comensal normal.

Até  os dias de hoje, a patogenia dessa doença não foi elucidada. Contudo, em função das suas características epidemiológicas e genéticas singulares, entre outras particularidades, diversos pesquisadores acreditam em uma possível susceptibilidade individual dos doentes ao microrganismo.

As manifestações clínicas dessa doença abrangem escurecimento da pele (hiperpigmentação), inflamação, dor articular e diarréia. A má absorção severa leva ao emagrecimento e anemia. Também está presente dor abdominal, tosse e dor durante a respiração, devido à pleurisia. Derrame pleural e linfadenopatia (dos linfonodos torácicos) podem ser observados.

Em certos casos, os pacientes com essa afecção podem apresentar sopros cardíacos, os quais geralmente apontam a migração da infecção para o coração, ou hepatomegalia, indicando que atingiu o fígado. Sabe-se que a doença alcançou o sistema nervoso central (SNC) quando o paciente apresenta confusão mental, perda de memória ou movimentos descontrolados do globo ocular.

Alguns estudiosos propuseram critérios de diagnóstico para a doença do SNC, com base na clínica e em métodos complementares de diagnóstico. De acordo com estes pesquisadores, para a realização de um diagnóstico definitivo da doença de Whipple do SNC, se faz necessária a presença de no mínimo uma destas alterações: movimentos oftálmicos irregulares, biópsia positiva e/ou análise de PCR positiva, sendo que, além disso, é necessária a presença de pelo menos um desses sinais/sintomas sistêmicos: febre de origem desconhecida, sintomas gastrointestinais, artralgias, linfadenopatia e suores noturnos, juntamente com no mínimo um sinal neurológico (oftalmoplegia supranuclear, mioclonias, demência ou sintomas hipotalâmicos).

Determina-se a colheita de amostras de tecido duodenal distal e proximal e do jejuno, para análise histológica, quando há a suspeita dessa doença. Dependendo das manifestações, pode-se colher também amostras de líquido cefalorraquidiano, tecidos de válvulas cardíacas, nódulos linfáticos e tecido sinovial.

Mesmo que a biópsia intestinal de negativa, não significa que não haja a presença da afecção, pois a doença pode estar restrita à submucosa, sendo não diagnosticada nesse caso.

A microscopia eletrônica já é utilizada há meia década para identificar/confirmar a presença da bactéria em questão; todavia, trata-se de um método complementar de diagnóstico.

A imunohistoquímica eleva a sensibilidade e especificidade dos métodos histológicos.

O PCR é um importante instrumento diagnóstico nessa enfermidade, pois possui grande sensibilidade e especificidade, sendo útil principalmente em casos que apresentam quadros atípicos e/ou quando não há a possibilidade de confirmação histológica do diagnóstico.

O tratamento dessa doença é feito com antibióticos, como tetraciclina, penicilina, sulfasalazina, entre outros. A sintomatologia desaparece rapidamente, mas a cicatrização tissular pode levar até 2 anos. Pode haver recidiva vários anos após o término da terapia, apesar de um tratamento inicial julgado eficaz, ocorrendo em maior proporção em pacientes com envolvimento do SNC e em pacientes tratados com apenas um tipo de antibiótico ou com antibióticos que não ultrapassam a barreira hematoencefálica.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Doença_de_Whipple
http://www.actamedicaportuguesa.com/pdf/2004-17/6/481-486.pdf
http://www.manualmerck.net/?id=136&cn=1127
http://www.spmi.pt/revista/vol09/v09_n2_Whipple.pdf
http://www.actamedicaportuguesa.com/pdf/2005-18/3/199-208.pdf
Foto: http://ligadepatologiaufc.blogspot.com/2010/07/doenca-de-whipple.html

AVISO LEGAL: As informações disponibilizadas nesta página devem apenas ser utilizadas para fins informacionais, não podendo, jamais, serem utilizadas em substituição a um diagnóstico médico por um profissional habilitado. Os autores deste site se eximem de qualquer responsabilidade legal advinda da má utilização das informações aqui publicadas.
Arquivado em: Doenças bacterianas