Erliquiose

Graduada em Medicina Veterinária (UDESC, 2017)

Erliquiose é uma doença infecciosa causada por bactérias gram-negativas do tipo Rickettsia. É transmitida por carrapatos e acomete os mamíferos. No Brasil, a espécie mais encontrada em cães é a Ehrlichia canis, geralmente transmitida pelo carrapato Rhipicephalus sanguineus, que causa a “erliquiose monocítica canina”. As bactérias do gênero Ehrlichia são parasitas intracelulares - de leucócitos nos mamíferos e de células epiteliais intestinais e glândulas salivares nos carrapatos.

A Erliquiose é uma patologia polissistêmica que tem um período de incubação de 8 a 20 dias e 3 fases: aguda, subclínica e crônica.

Na fase aguda da doença, a bactéria é inoculada no mamífero pela picada do carrapato. Durante a picada, os componentes salivares do carrapato atuam suprimindo a imunidade no local, favorecendo a infecção. A Ehrlichia se instala nas células mononucleares de defesa do mamífero (leucócitos), onde fica protegida e se multiplica. Dentro destas células hospedeiras, circula através do sangue e se instala principalmente em baço, fígado e linfonodos, causando um aumento anormal desses órgãos.

Após a fase aguda, temos a fase subclínica, onde há uma suposta recuperação clínica e a doença se torna assintomática entre 40 e 120 dias após a infecção. Essa fase pode durar de 6 semanas a anos. Podem ocorrer algumas alterações no sistema circulatório, como vasculite e trombocitopenia, e desajustes na resposta imunológica. Neste período, o animal pode infectar novas populações de carrapatos.

A fase crônica é a fase onde os sinais são mais evidentes e associados a danos vasculares e ao comprometimento imunológico. As complicações relatadas são: glomerulonefrites, supressão de medula óssea, catabolismo de células musculares e hepatócitos. Neste momento, o agente é encontrado em baço, linfonodos e medula óssea.

Os sinais clínicos variam de acordo com período da doença em que o animal se encontra. Na fase aguda, os sinais são inespecíficos e a severidade varia com o indivíduo. Geralmente ocorrem 14 dias após a infecção e podem ser inexistentes ou brandos. Os cães infectados podem apresentar febre, anorexia e pequenas hemorragias. Na fase subclínica os sinais são leves, podendo haver emagrecimento, sugerindo evolução para a fase crônica. A fase crônica pode ocorrer depois de meses ou anos após a infecção, com sinais de reagudização, podendo levar ao óbito. Observam-se nesta fase sinais hemorrágicos como melena, sangramento nasal, petéquias, hematomas e sangue em urina. Pode também haver febre, mucosas pálidas, oftalmopatias, pneumonia, insuficiência renal, artrite, edemas de extremidades e até sinais neurológicos. Se acometer o sistema reprodutor pode haver sangramento excessivo no cio, infertilidade e abortos.

O diagnóstico é presuntivo pela anamnese, histórico ou infestação de carrapatos. O diagnóstico definitivo se dá através de exames complementares. Esfregaços sanguíneos podem apresentar mórulas dentro de leucócitos na fase aguda. Pode-se também diagnosticar através de PCR e isolamento em cultivo celular, sendo este último o mais sensível, porém, demorado.

O tratamento é feito com terapia antimicrobiana, principalmente tetraciclinas, além do tratamento sintomático como reposição hidroeletrolítica, complexos vitamínicos e antieméticos. Pode ser necessária a transfusão sanguínea. O prognóstico é favorável na fase aguda, porém reservado na fase crônica.

A medida preventiva é o controle do vetor da doença. O carrapato deve ser combatido tanto no animal como no ambiente.

Fonte: Jericó, M. M.; Kogika, M. M.; Neto, J.P.A Tratado de medicina interna de cães e gatos. 1. ed. - Rio de Janeiro : Roca, 2015

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