Osteodistrofia Fibrosa em Equinos

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A osteodistrofia fibrosa é uma doença metabólica dos ossos em que o tecido ósseo é reabsorvido em excesso e substituído por tecido fibroso. Em equinos, é causada quase sempre por um desequilíbrio entre cálcio e fósforo na alimentação. Também é chamada de hiperparatireoidismo nutricional secundário e, popularmente, de "cara inchada" ou "doença do farelo", porque deforma os ossos da face.

No Brasil, é comum em cavalos mantidos em pastagens tropicais ricas em oxalato, como algumas braquiárias e o capim-setária, ou alimentados com muito farelo de trigo e de arroz.

Como a doença se desenvolve

O cálcio do sangue precisa ficar dentro de uma faixa estreita. Quando a dieta fornece pouco cálcio que possa ser absorvido, o nível no sangue tende a cair. As glândulas paratireoides reagem liberando mais paratormônio (PTH), o hormônio que retira cálcio dos ossos para devolvê-lo ao sangue.

Se o problema na dieta continua, o PTH fica elevado por meses. Os osteoclastos, células que "desmancham" o osso, trabalham sem parar, e o osso perdido é substituído por tecido fibroso, mais mole e volumoso. O resultado é a osteopenia, a redução da densidade mineral óssea, junto com deformações. O termo "secundário" indica que as paratireoides estão saudáveis: elas apenas respondem à falta de cálcio. No hiperparatireoidismo primário, por outro lado, a causa está na própria glândula.

Causas

O que importa não é só a quantidade de cálcio, mas sua relação com o fósforo (Ca:P) e o quanto dele o intestino consegue absorver. Para cavalos, a relação considerada adequada na dieta total fica entre 1,5:1 e 2:1. As situações mais comuns são:

  • pouco cálcio na dieta, como em animais mantidos só em capim de baixa qualidade, sem suplemento mineral;
  • excesso de fósforo, típico de dietas com muito farelo de trigo, farelo de arroz ou grãos. Esses alimentos são ricos em fósforo e pobres em cálcio, o que inverte a relação Ca:P;
  • oxalato nas pastagens: gramíneas como Brachiaria humidicola, Setaria e alguns capins do gênero Panicum e Cenchrus acumulam oxalato. Ele se liga ao cálcio no intestino e forma oxalato de cálcio, que não é absorvido. Assim, o pasto pode até ter cálcio, mas o cavalo não o aproveita.

A vitamina D participa da absorção de cálcio, e sua falta, rara em cavalos que tomam sol, pode agravar o quadro. A demanda de cálcio aumenta muito no terço final da gestação, na lactação e no crescimento. Por isso éguas prenhes ou paridas e potros desmamados são os mais vulneráveis.

Sintomas

A doença evolui devagar, ao longo de meses. Os primeiros sinais costumam ser discretos: claudicação (manqueira) leve, que muda de membro, andar rígido, dor ao toque nos ossos e relutância em trabalhar. Muitas vezes o problema é confundido com lesões de tendão ou articulação.

Com o tempo surge o sinal mais conhecido, o aumento de volume simétrico dos ossos da face, sobretudo da maxila e da mandíbula, que dá a aparência de "cara inchada". Esse inchaço pode estreitar as vias nasais e provocar ruído ao respirar.

A reabsorção do osso que sustenta os dentes os deixa frouxos, o que pode levar à sua queda. O cavalo passa a mastigar com dificuldade, come menos e emagrece. Em casos avançados há periostite e exostoses (crescimentos ósseos anormais), deformação da coluna, encurvamento dos membros e fraturas espontâneas. Os sinais costumam ser mais evidentes em animais jovens, e éguas prenhes podem ficar deitadas sem conseguir levantar.

Diagnóstico

O diagnóstico combina os sinais clínicos, a avaliação da dieta e do pasto e exames complementares. Uma análise de alimentação, mostrando muito farelo ou pasto rico em oxalato, já é um forte indício.

Nos exames de sangue, o cálcio costuma estar normal ou só levemente baixo, porque o PTH o mantém às custas dos ossos. Por isso, é mais útil medir o próprio PTH, que fica elevado, e a fosfatase alcalina, enzima que aumenta quando há remodelação óssea intensa.

Outro exame valioso é a excreção fracionada de fósforo na urina, que compara a eliminação de fósforo com a de creatinina e mostra quanto do fósforo filtrado pelos rins está sendo perdido. Em cavalos, valores acima de cerca de 0,5% sugerem excesso de fósforo na dieta. Na prática, essa conta ajuda a avaliar se a alimentação está desequilibrada.

As radiografias mostram perda de densidade óssea, mas pouco ajudam no início: o osso precisa perder cerca de 30% de seu mineral para que a alteração apareça na imagem.

Tratamento

O tratamento consiste em corrigir a causa. Isso significa retirar ou reduzir o farelo e os grãos ricos em fósforo e tirar os animais de pastagens ricas em oxalato, quando possível. Também é preciso fornecer suplemento de cálcio. O calcário calcítico, rico em carbonato de cálcio, é uma fonte barata e muito usada.

Nos primeiros dois a três meses, costuma-se oferecer cerca do dobro da necessidade normal de cálcio, sempre mantendo a relação Ca:P adequada. Depois, a quantidade volta ao nível de manutenção. Excesso prolongado também é prejudicial, porque pode causar remodelação óssea anormal durante a recuperação.

Os animais afetados devem ficar em repouso ou trabalho leve até que os ossos recuperem a densidade, o que pode levar de seis meses a um ano. A claudicação melhora em poucas semanas, mas as deformações da face podem regredir só em parte. Os dentes soltos, quando o osso ao redor se recupera, voltam a ficar firmes.

Prevenção

A prevenção é simples e barata: oferecer sal mineral próprio para equinos, evitar dietas à base de farelo e, em pastagens ricas em oxalato, suplementar cálcio de forma contínua. Também ajuda revisar a dieta com um médico veterinário ou zootecnista, sobretudo para éguas em reprodução e potros em crescimento. A mesma doença também ocorre em outras espécies, como cabras, porcos e répteis criados com dieta pobre em cálcio, mas é no cavalo que ela é mais conhecida.

Referências

  • FURIAN, M.; PAES, C. A.; MENEGHETTI, M. M.; PARRA, B. C.; AMARAL, G. A. Osteodistrofia fibrosa em equinos decorrente da deficiência nutricional de cálcio e fósforo: relato de caso.
  • THOMASSIAN, A. Enfermidades dos cavalos. 4. ed. São Paulo: Varela, 2005.
  • Endurance Brasil. Cara inchada (arquivado).
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