Poroceratoses

Graduada em Medicina Veterinária (UFMS, 2009)

As poroceratoses, também conhecidas como poroqueratoses, consistem em um grupo de transtornos clonais da queratinização, que possui em etiologia ainda não muito bem elucidada e evolução imprevisível. Clinicamente, caracteriza-se por áreas atróficas rodeadas por pápulas ou placas hiperceratóticas com aspecto anular e bordas em alto relevo, que histologicamente corresponde à lamela cornoide.

Pode ter etiologia genética, de caráter autossômico dominante, porém a maior parte dos casos é  esporádica. Além do fator hereditário, existem outros fatores de risco para o surgimento das poroceratososes como exposição solar e imunossupressão.

Existem diferentes tipos de poroceratose, que são:

  • Poroceratose de Mibelli ou tipo clássico: comumente surgem durante a infância ou adolescência. Caracteriza-se pelo aparecimento de pápulas ou placas hiperceratóticas anulares com atrofia central e bordas elevadas. Surgem em qualquer parte do corpo, até mesmo em mucosas. Pode aparecer após um quadro de imunossupressão.
  • Poroceratose actínica superficial disseminada: trata-se da apresentação mais comum da poroceratose, surgindo entre os 30 e 40 anos de idade. As pápulas apresentam entre 2 a 7 mm de diâmetro, com a cor da pele ou eritematosas, com anel lamelar em periferia e atrofia central, podendo ser pruriginosas ou não, encontradas principalmente em áreas do corpo das mulheres expostas aos raios solares.
  • Poroceratose palmar e plantar disseminada: surge durante a infância nas palmas das mãos e plantas dos pés, ou até mesmo em mucosas, com posterior surgimento de leões em outras partes do corpo. As lesões são similares às da poroceratose clássica, porém de menor diâmetro e com bordas menos ceratóticas.
  • Poroceratose linear: costuma surgir na infância e caracteriza-se pelo surgimento de pápulas e placas semelhantes às da poroceratose clássica, mas que se dispõem linearmente, sendo comumente encontradas nos membros, unilateralmente.
  • Poroceratose pontuada ou punctata: inicia-se durante a adolescência ou idade adulta. Surge como pequenas pápulas ceratóticas de bordas elevadas nas palmas das mãos ou plantas dos pés.

Grande parte das lesões é  assintomática. Contudo, lesões grandes na face ou nas extremidades podem levar à destruição de tecidos moles, resultando em amputação. As lesões da poroceratose também podem evoluir para malignidade.

O diagnóstico é fechado associando-se o exame clínico com a avaliação histopatológica. Histologicamente é  possível observara lamela coroide, em todas os tipos de poroceratose.

O tratamento inclui fotoproteção e hidratação. Terapias locais também podem ser utilizadas, como crioterapia, laser de CO2, 5-fluoroacil, análogos tópicos da vitamina D3, terapia fotodinâmica, dentre outras. Em casos de lesões disseminadas ou refratárias, existe a opção de se utilizar acitretin sistêmico; contudo, há recidiva após a suspensão desse medicamento.

Fontes:
http://www.emmanuelfranca.com.br/doencas/doencas_poroceratose.html
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0365-05962010000200016
http://en.wikipedia.org/wiki/Porokeratosis

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