Teníase

Mestre em Ecologia e Recursos Naturais (UFSCAR, 2019)
Bacharel em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2015)

A infecção intestinal causada pelas formas adultas dos parasitas Taenia saginata, Taenia solium e Taenia asiatica são verminoses comuns chamadas teníase (ou solitária). Ela afeta populações humanas em todos os continentes, sendo mais prevalentes em países pobres que tem condições sanitárias ruins. A teníase costuma ser uma condição assintomática, mesmo quando os parasitas já estão na forma adulta, ocupando o intestino e liberando ovos. Dependendo das condições fisiológicas de cada indivíduo, algumas pessoas podem sentir náusea, perda de peso, dores abdominais, diarreia e constipação. O tratamento da teníase é relativamente simples, sendo feito através do uso de vermífugos após o diagnóstico da presença de ovos nas fezes.

Os vermes platelmintos acelomados do gênero Taenia possuem algumas diferenças entre si, desde anatômicas até de ciclo de vida. A T. saginata, por exemplo, tem como hospedeiro intermediário bovinos. Sua forma adulta é a maior de todas as tênias (entre 10 e 20 metros de comprimento), com aspecto rosado e ausência de rostelo e ganchos no órgão fixador (escólex). Por sua vez, a T. asiatica tem como hospedeiro secundário os porcos e javalis. Os parasitas adultos são amarelados e tem em média 3 metros de comprimento. Seu escólex possui ventosas e rostelo cercado de ganchos. Por fim, a T. solium também infecta porcos em seu ciclo de vida, sendo esbranquiçada quando adulta e não maior que 8 metros. Seu órgão de fixação na parede intestinal conta com ventosas e centenas de ganchos. A T. solium é consideravelmente mais preocupante para a saúde humana porque, além da teníase ela também pode causar a cisticercose (grave quando atinge o sistema nervoso).

Ciclo de vida da T. solium ou T. saginata, que causam a doença chamada teníase. Ilustração: Centers for Disease Control and Prevention (CDC)

A teníase advinda pela infecção de todas essas espécies é causada pela ingestão de ovos ou cistos presentes na carne dos hospedeiros intermediários crua ou malcozida. Os ciclos de vida e a transmissão dos parasitas se propagam através das fezes humanas com segmentos do corpo do verme adulto (as proglotes) que contem milhares de ovos. Se os animais entrarem em contato com material contaminado, os ovos se rompem em seus intestinos e liberam larvas móveis, capazes de colonizar diversos tecidos. Embora todos os parasitas citados se alojem nos músculos de porcos e bois, formando cisticercos que são a forma infectante de humanos, alguns deles podem também migrar para outros tecidos. A Taenia asiatica, por exemplo, tem grande afinidade pelo tecido hepático de seus hospedeiros intermediários.

O diagnóstico da teníase ocorre através da identificação dos ovos nas amostras de fezes dos pacientes. Para identificar de qual espécie pertence os ovos, uma tarefa muito difícil até mesmo para técnicos e clínicos treinados e experientes, testes adicionais podem ser realizados, tais como a detecção por PCR de genes ribossomais ou observação histológica de órgãos sexuais das proglotes, quando estas estão presentes na amostra.

O tratamento da teníase é feito através da administração de medicamentos com ação vermífuga (ou seja, para matar o indivíduo adulto). Um dos remédios mais usados é o praziquantel, mas existem outras opções como a niclosamida e o albendazol. No tratamento de teníase causada por T. solium também são usados corticoides para evitar processos inflamatórios. A prevenção da teníase engloba uma série de medidas, desde a testagem e monitoramento dos animais da pecuária, passando por inspeções em abatedouros e centros de distribuição de carne até campanhas de educação sanitária, ensinando medidas de higiene e destacando a importância do cozimento adequado da carne bovina e suína. O saneamento básico, corretamente destinando os dejetos do esgoto doméstico, também auxilia a prevenir a ocorrência de teníase.

Referências:

Botero, D., Tanowitz, H.B., Weiss, L.M. and Wittner, M., 1993. Taeniasis and cysticercosis. Infectious disease clinics of North America7(3), pp.683-697.

Eom, K.S. and Rim, H.J., 1993. Morphologic descriptions of Taenia asiatica sp. n. Korean J Parasitol31(1), pp.1-6.

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