Preferência temporal

A preferência temporal é uma teoria em Economia que trata a respeito da escolha de investimento e consumo de bens em relação ao tempo. Foi desenvolvida inicialmente pelos economistas William Stanley Jevons e Eugen von Böhm-Bawerk e aperfeiçoada por Knut Wicksell, Frank Albert Fetter, Irving Fisher e Ludwig Von Mises.

Quando uma pessoa age, ela objetiva substituir um estado de coisas menos satisfatórias para um estado de coisas mais satisfatórias, demonstrando uma preferência por mais bens ao invés de por menos bens. Ela ainda considera o momento futuro em que suas metas serão atingidas, o tempo necessário para realizá-las. Assim, há preferência universal por bens presentes em detrimento de bens futuros, e por bens mais duráveis ao invés de bens menos duráveis.

O tempo é algo sempre escasso, e todo agente necessita de uma determinada quantidade de tempo para alcançar seu objetivo, algo que se agrava porque a pessoa sempre está consumindo, enquanto estiver viva, não pode interromper o seu consumo. Isso faz com que seja necessário escolher como consumir em relação ao tempo: presente e futuro.

Portanto, os indivíduos escolhem os modos de satisfação de suas necessidades, assim como em que período satisfazê-las. Um novo bem pode ser consumido imediatamente ou ser investido na produção futura. A escolha de usá-lo, na forma que for, resulta necessariamente de considerações sobre as vantagens esperadas com a satisfação de necessidades em diferentes períodos do futuro.

Há pessoas que possuem baixa preferência temporal e pessoas que possuem alta preferência temporal. Os indivíduos que poupam e investem visam um futuro mais próspero que aqueles que apenas consomem e possuem sua preferência temporal alta, orientada para o presente, com o gasto imediato de seus bens, o que torna o acúmulo de capital menor.

Entretanto, destaca-se que a preferência temporal é influenciada por fatores externos, que são aqueles que direta ou indiretamente o indivíduo não poderia controlar: tal como os biológicos, pessoais, sociais e institucionais; como o economista Hans-Hermann Hoppe enfatiza. Por exemplo, o fator biológico delimita a preferência temporal das crianças: elas costumam ter alta preferência temporal, enquanto os adultos tendem a abaixar sua preferência temporal pensando em necessidades futuras, ao menos, foi assim durante o processo de civilização da raça humana. A taxação de bens é outro fator que contribui para o aumento da preferência temporal. Quando o indivíduo não possui a confiança que poderá colher os frutos de seus investimentos por causa da intervenção do Estado na economia, o ato de investir é desencorajado.

Há ainda exceções relacionadas à preferência temporal em relação à satisfação de bens que não podem ser feitas simultaneamente, tornando necessária uma decisão entre eles. Por exemplo, se alguém ganha de presente dois ingressos de cinema, um para ver o filme “A” e outro para ver “B” no mesmo horário, a pessoa terá de escolher entre as duas satisfações presentes e não entre uma presente e uma futura. Outra exceção está relacionada aos bens perecíveis, que não podem ser guardados ou investidos para o consumo posterior. Outra exceção é do avarento, que deixa de se alimentar corretamente para guardar dinheiro para o futuro, sendo que a preferência temporal orientada para o futuro não deve cortar necessidades básicas do indivíduo.

Referências:

HOPPE, Hans-Hermann. Democracia, o Deus que falhou. São Paulo: Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 1 ª edição, 2014, 31-74p.

MISES, Ludwig Von. A Ação Humana: Um tratado de economia. São Paulo: Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 3.1ª edição, 2010, 555-567p.

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