Capacidade motora

Graduação em Educação Física (Unesp, 1999)
Mestre em Ciências da Motricidade (Unesp, 2002)
Doutorado em Integração da América Latina (USP, 2013)

Publicado em 04/04/2022
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A Capacidade Motora se constitui de elementos que antecedem e, portanto, são necessários para a realização de movimentos voltados ao desporto, sejam eles simples ou complexos. É fundamental lembrar que tais elementos são determinados geneticamente e que se desenvolvem por meio de treinamentos. Isso significa que se trata de qualidades físicas potencialmente falando, que será atingido ou não, a depender dos treinamentos.

As capacidades motoras são classificadas em dois tipos:

  1. Condicionais – Têm caráter quantitativo. São aquelas determinadas pelos processos metabólicos e energéticos, ou seja, são intrinsecamente vinculados à energia que se encontra nos músculos, bem como por meio de seu processo de distribuição;
  2. Coordenativas - Apresentam caráter qualitativo. São aquelas determinadas pelos mecanismos de organização, controle e regulação do movimento.

São as capacidades motoras condicionais:

  • Resistência: permite a realização de atividades físicas em um período relativamente longo, com rápida recuperação após o esforço. Ela se divide entre atividade física aeróbia e anaeróbia. Aeróbia ocorre quando há um equilíbrio entre o gasto e ingestão de oxigênio; já a anaeróbia ocorre quando há a prática esportiva com esforço na ausência de oxigênio.
  • Força: Ocorre onde há contração muscular, quando há a capacidade motora que permite vencer uma força exterior. A força é classificada em três tipos: a) força de resistência: quando há a capacidade de resistir em longo esforço; b) Força rápida: quando há rápida contração muscular, em função de resistência exterior; c) Força Máxima: é a resistência imposta à maior carga máxima que o praticante é capaz de se opor.
  • Flexibilidade: ocorre quando há amplitude de movimento. Classifica-se em: Flexibilidade geral – quando se utiliza de um conjunto de sistemas articulares; Flexibilidade específica – quando se utiliza de uma articulação em particular.
  • Velocidade: capacidade física que permite realizar um movimento no menor tempo possível; destaca-se a velocidade de reação, em que se realiza um movimento a partir de determinado estímulo.
  • Agilidade: ocorre à medida que permite movimentos rápidos e com precisão.

São as capacidades motoras coordenativas: São aquelas em que o atleta se permite dominar de forma segura os movimentos, tanto em situações previsíveis quanto em situações imprevisíveis. É por meio destas capacidades que o atleta desenvolve o domínio dos movimentos específicos de sua modalidade, por meio do treinamento. As capacidades motoras coordenativas são as seguintes: orientação, equilíbrio, ritmo, entre outros.

Barros et. al (2017) procurou observar se há diferenças nas capacidades motoras entre meninas adolescentes, haja vista que se trata de um período em que se observa a maturação sobre o crescimento e desenvolvimento sobre meninas pré-púberes. Foram analisadas as capacidades motoras como parte dos componentes da aptidão física, relacionados à área da saúde: força, resistência muscular, resistência cardiovascular, flexibilidade e composição corporal. Assim, a hipótese dos autores é a de que a maturação influencia no desempenho das capacidades motoras. No entanto, o estudo encontrou que o avanço maturacional das adolescentes participantes da pesquisa “não influenciou na força, agilidade, equilíbrio e flexibilidade. No entanto, influenciou na coordenação motora.” (p.1) Isso significa dizer que as capacidades motoras não necessariamente são influenciadas pela maturidade da pessoa. E se apresenta como um dado relevante para a compreensão do tema em questão.

Em todo caso, nota-se que de fato as capacidades motoras se apresentam como elementos constituintes dos movimentos e, futuramente, das habilidades motoras. São elas que permitem que as habilidades se desenvolvam.

Referências:

BARROS, J.S.V. et. al. Análise das capacidades motoras nos estágios maturacionais de adolescentes do sexo feminino. Journal of Human Growth and Development, v.27, n.2, 2017. Disponível em http://dx.doi.org/10.7322/jhgd.125018. Acesso em 01/03/2022.