Doenças causadas pela falta de exercícios físicos

Graduação em Educação Física (Unesp, 1999)
Mestre em Ciências da Motricidade (Unesp, 2002)
Doutorado em Integração da América Latina (USP, 2013)

Publicado em 27/04/2022
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Como é sabido, a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza entre 150 e 300 minutos de atividade física aeróbia de moderada a vigorosa por semana. E soma-se a isso, duas vezes por semana de fortalecimento muscular. Uma pessoa que pratica essa quantidade e qualidade de exercício físico semanal é tida como “saudável”. No entanto, a maior parte das pessoas não cumpre esse conjunto de atividades – aeróbio mais fortalecimento muscular – e passa a ser classificada como “sedentário” ou “insuficiente ativo”.

Segundo Santos et.al. (2015) o termo “insuficiente ativo” implica em a pessoa praticar alguma atividade física, mas sem atingir as diretrizes divulgadas pelo órgão de política pública em voga, no caso a Organização Mundial da Saúde. Já o “sedentarismo” é compreendido quando a pessoa que realiza as ações tende mais a se estabelecer nas posições sentada e/ou deitada, cujo gasto energético é muito baixo. São esses os dois quadros que preocupam as políticas de saúde, uma vez que esse é o conjunto de pessoas que tende a adoecer com o passar do tempo. Para Stein e Börjesson (2019), “indivíduos pouco ativos apresentam um risco de 20% a 30% maior de morte em comparação a indivíduos fisicamente ativos”. E, ainda segundo os mesmos autores, o sedentarismo pode ser fator de risco para as seguintes doenças: depressão, câncer de mama e cólon, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A seguir será falado um pouco sobre cada uma:

  1. Doenças Cardiovasculares – Trata-se de um conjunto de doenças e alterações de tipo patológico que afetam o coração e vasos sanguíneos. Esse conjunto de doenças abarca a doença cardíaca coronária, a hipertensão e a arteriosclerose.
  2. Depressão – É caracterizada por um grupo de sintomas, como: pessimismo, baixa autoestima, tristeza, falta de vontade, indecisão, insônia, sentimentos de medo, vazio, apatia, falta de interesse, entre outros.
  3. Câncer de cólon – Trata-se de um tumor que se desenvolve no intestino grosso. Os principais sintomas são: mudanças no hábito intestinal, perda de peso, anemia, cansaço, fraqueza, entre outros.
  4. Câncer de mama – Trata-se do desenvolvimento de um tumor na região das mamas. Pode acometer mulheres e homens, mas apenas 1% dos casos são de câncer de mama em homens.
  5. Diabetes tipo 2 – Ocorre quando o corpo não produz adequadamente a insulina ou ela não é capaz de exercer seus efeitos. Os principais sintomas do diabete tipo 2 são: alteração visual, infecções frequentes, formigamentos nos pés, dificuldade de cicatrização de feridas, entre outros.

Pode até parecer incrível, mas todas essas doenças podem, sim, serem prevenidas com a prática da atividade física aliada a outros fatores, que diferenciam em cada caso específico de cada uma delas.

É óbvio que a atividade física pode auxiliar na prevenção de doenças, como as que foram vistas anteriormente. Mas deve-se lembrar que o ocidente vem enxergando a atividade física como “panaceia” para muitos problemas na área da saúde, e da saúde pública em especial. Assim, o sedentarismo se apresenta como doença e a atividade física como remédio, ocorrendo uma patologização do sedentarismo. (FERREIRA et.al., 2012)

Logo, é sempre bom que as práticas mantenham as recomendações da Organização Mundial da Saúde presentes. Aumentar um pouco o ritmo de prática que se coloca durante a sua prática, implica também em fazê-lo sob a supervisão de um profissional de Educação Física.

Referências:

FERREIRA, M.S. et.al. A patologização do sedentarismo. Saúde e Sociedade, São Paulo, v.21, n.4, 2012. Disponível em https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/6338/1/A%20Patologiza%C3%A7%C3%A3o%20do%20Sedentarismo.pdf. Acesso em 26/02/2022.

ORGANIZAÇÃO Mundial da Saúde. Num piscar de olhos: Diretrizes da OMS para atividade física e comportamento sedentário, 2020. Tradução de: Edina Maria de Camargo e Ciro Romelio Rodriguez Añez.

MINISTÉRIO da saúde. Biblioteca virtual em saúde. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/. Acesso em 26/02/2022.

SANTOS, R.G., et.al. Comportamento sedentário em idosos: uma revisão sistemática. Motricidade, 11, 3, 2015. Disponível em https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=273043208016. Acesso em 25/02/2022.

STEIN, R., BÖRJESSON, M. Sedentarismo no Brasil e na Suécia – diferentes países, problema semelhante. Arq. Brasileiro Cardiologia, 112 (2), fev.2019. Disponível em https://doi.org/10.5935/abc.20190010. Acesso em 26/02/2022.

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