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Inteligência artificial nas escolas

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A inteligência artificial nas escolas envolve o uso de sistemas computacionais capazes de identificar padrões, produzir conteúdos e apoiar atividades de ensino, aprendizagem e gestão. O debate ganhou força com a popularização de ferramentas de IA generativa, que elaboram textos, imagens e respostas a partir de comandos. Seu valor pedagógico depende dos objetivos da atividade e da mediação humana, e não apenas da presença da tecnologia.

Estudantes trabalham em computadores em um laboratório escolar.

Estudantes em laboratório de informática; imagem de contexto, sem demonstração de uso de IA. Foto: Michael Surran / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0).

O que muda com a IA generativa?

Recursos de inteligência artificial já apareciam em corretores, sistemas de recomendação e plataformas adaptativas. A IA generativa ampliou o acesso a ferramentas que conversam com o usuário e produzem materiais em linguagem aparentemente natural. Um estudante pode pedir uma explicação, mas também solicitar uma tarefa inteira pronta.

Esses sistemas não devem ser tratados como fontes infalíveis. Podem apresentar informações incorretas com segurança, inventar referências ou reproduzir vieses dos dados e das escolhas de desenvolvimento. Uma resposta fluente precisa ser examinada quanto à exatidão e à pertinência.

Possibilidades de uso pedagógico

Uma aplicação pode contribuir quando torna visível o raciocínio e oferece oportunidades de aprendizagem, em vez de substituir o esforço do aluno. Entre os usos possíveis estão:

  • comparar explicações: examinar respostas alternativas e discutir qual é mais clara ou correta;
  • praticar e revisar: gerar perguntas ou sugestões de melhoria que o professor confere e adapta;
  • apoiar o planejamento docente: preparar versões iniciais de atividades e materiais, sem dispensar revisão;
  • ampliar a acessibilidade: apoiar transcrição, leitura e adaptação de formatos, respeitando necessidades individuais;
  • desenvolver letramento digital: investigar erros, vieses, limites e efeitos sociais dos próprios sistemas.

Por exemplo, a turma pode analisar uma resposta gerada sobre um acontecimento histórico, confrontá-la com fontes confiáveis e justificar as correções. Nesse caso, o objeto da avaliação é a capacidade de investigar e argumentar, não a habilidade de obter rapidamente um texto.

Riscos para a aprendizagem

Quando a ferramenta realiza toda a leitura, a escrita ou a resolução de um problema, o estudante pode entregar um resultado sem desenvolver a habilidade que a atividade pretendia exercitar. A conveniência imediata não é prova de aprendizagem. O mesmo recurso pode ter efeitos diferentes conforme a idade, o conteúdo e a orientação recebida.

Há também riscos de homogeneização das respostas, dependência de sugestões automáticas e ampliação de desigualdades entre alunos com acesso a serviços diferentes. Por isso, uma escola não deve presumir que todos tenham aparelho, conexão e conta compatíveis com a tarefa proposta.

Privacidade e adequação à idade

Dados de estudantes exigem cuidados especiais. Trabalhos com nomes, imagens, informações de saúde ou avaliações individuais não devem ser enviados indiscriminadamente a plataformas externas. Antes de adotar um serviço, a instituição precisa examinar sua política de dados, finalidade, acesso, retenção das informações e condições para usuários menores de idade.

A UNESCO recomenda uma abordagem centrada no ser humano, com proteção de dados, adequação etária e validação pedagógica e ética das ferramentas. O fato de um produto estar disponível na internet ou ser gratuito não demonstra que seja apropriado para uma turma.

Permitir, restringir ou proibir?

Uma política escolar pode estabelecer limites diferentes conforme a atividade. É possível permitir apoio ao estudo, exigir declaração do uso e proibir a geração de respostas em uma avaliação destinada a verificar produção autônoma. Proibir todos os usos ou liberá-los sem critérios são decisões distintas de ensinar a utilizá-los criticamente.

Regras úteis explicam o que é permitido, como registrar a participação da ferramenta, quais dados não podem ser compartilhados e que alternativas existem para quem não utiliza o serviço. Professores também precisam de formação e tempo para revisar materiais e adaptar as avaliações.

O que o caso Google mostra?

Em novembro de 2026, uma reportagem do g1, com conteúdo da Associated Press, discutiu mudanças nos controles de IA e de busca oferecidos pelo Google a escolas. Em publicação própria, a empresa informou que produtos como Gemini, NotebookLM, Gemini no Google Sala de Aula e Busca passariam a ficar desativados por padrão para contas de estudantes da educação básica, até a ativação pelos administradores.

A cobertura destacou o problema de separar a busca de recursos de IA já integrados aos produtos. O episódio ilustra uma questão mais ampla: a autonomia pedagógica depende também das opções e das condições técnicas dos fornecedores. Anúncios de empresas não são leis escolares e precisam ser avaliados no contexto de cada rede e contrato.

Como avaliar uma adoção?

O ponto de partida deve ser uma necessidade educacional concreta. A escola pode testar a ferramenta em escala limitada, observar resultados de aprendizagem, ouvir professores, estudantes e famílias e rever a decisão. A responsabilidade por ensinar, avaliar e proteger os alunos permanece humana, mesmo quando parte das tarefas utiliza automação.

Fontes

Arquivado em: Educação