O PISA (sigla em inglês para Programme for International Student Assessment, ou Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) é a maior avaliação educacional comparativa do mundo. Coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o exame mede o desempenho de estudantes de 15 anos em leitura, matemática e ciências e permite comparar os sistemas educacionais de dezenas de países e economias.
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O que o PISA avalia
O foco do PISA não é verificar se os alunos memorizaram o conteúdo de um currículo específico, mas em que medida conseguem resolver problemas complexos, pensar criticamente e se comunicar de forma eficaz. Além das provas, questionários descrevem o contexto em que os estudantes aprendem, o que ajuda a entender como os sistemas educacionais estão preparando os jovens para os desafios da vida real.
A avaliação é organizada em três domínios, avaliados em todas as edições:
- Leitura, que envolve, por exemplo, identificar a ideia principal de um texto, localizar informações e refletir sobre o propósito e a forma dos textos;
- Matemática, que envolve reconhecer como uma situação pode ser representada matematicamente e escolher estratégias para resolver problemas;
- Ciências, que envolve explicar fenômenos científicos e avaliar se uma conclusão é válida com base em dados.
A cada edição, um desses domínios é o principal: os estudantes respondem a mais itens dessa área, e os questionários se concentram nela. Além disso, o PISA inclui os chamados domínios inovadores, como resolução de problemas, letramento financeiro e competência global. A edição de 2025, por exemplo, teve ciências como domínio principal e incluiu uma avaliação da aprendizagem no mundo digital e uma avaliação de línguas estrangeiras. Para a edição de 2029, a OCDE prevê ênfase em leitura e a avaliação do letramento midiático e em inteligência artificial.
Como a prova é aplicada
O PISA é realizado, em regra, a cada três anos. Em cada país participante, uma amostra de escolas e de estudantes é selecionada de forma a representar a população de jovens de 15 anos que frequentam a escola. Os participantes têm entre 15 anos e 3 meses e 16 anos e 2 meses e já completaram pelo menos seis anos de escolaridade formal. Cada aluno faz dois testes de uma hora, com questões de múltipla escolha e questões abertas, e responde a um questionário de cerca de 35 minutos sobre sua vida escolar, hábitos e contexto familiar. Diretores de escola também respondem a questionários.
Os resultados são apresentados em escalas de pontos, e os estudantes são distribuídos em níveis de proficiência. O nível 2 é considerado o patamar mínimo de proficiência, e os níveis 5 e 6 correspondem ao alto desempenho. No Brasil, o Inep coordena a tradução dos instrumentos, a aplicação nas escolas sorteadas, a correção das respostas e a elaboração do relatório nacional.
Os questionários permitem relacionar o desempenho a fatores como o nível socioeconômico das famílias, o clima escolar e o uso de tecnologia, o que faz do PISA uma fonte importante para pesquisas e para a formulação de políticas educacionais.
Calendário afetado pela pandemia
Por causa da pandemia de covid-19, a OCDE adiou a edição prevista para 2021 para 2022, e a de 2024 para 2025. Depois da edição de 2025, a seguinte está prevista para 2029.
O Brasil no PISA
O Brasil participa do PISA desde a primeira edição, em 2000, mesmo não sendo membro da OCDE. A aplicação no país é responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação.
O desempenho brasileiro fica abaixo da média dos países da OCDE nas três áreas. Na edição de 2025, que reuniu mais de 760 mil estudantes de 91 países e economias (30.140 deles no Brasil), os estudantes brasileiros obtiveram, em média:
- 408 pontos em leitura;
- 377 pontos em matemática;
- 409 pontos em ciências.
Segundo a OCDE, os resultados do Brasil permanecem estáveis desde 2015. Apenas 28% dos estudantes alcançaram ao menos o nível 2 em matemática, contra 65% na média da OCDE; em leitura, a proporção foi de 49% (69% na OCDE), e em ciências, de 48% (74% na OCDE). Cerca de 1% dos alunos brasileiros atingiu os níveis mais altos de proficiência.
Apesar disso, a distância em relação aos países mais ricos diminuiu ao longo das últimas duas décadas. De acordo com o Inep, a diferença entre o Brasil e a média da OCDE caiu de 131 para 92 pontos em matemática, de 113 para 77 em ciências e de 102 para 58 em leitura desde 2006, colocando o país entre os que mais avançaram no período.
Desigualdade e contexto socioeconômico
Um dos pontos destacados nas análises do PISA é o peso da origem social no desempenho. No Brasil, a diferença de pontuação entre os estudantes mais favorecidos e os menos favorecidos socioeconomicamente é maior do que a média da OCDE, e o nível socioeconômico explica uma parcela maior da variação das notas.
Embora o PISA seja desenhado para comparar países, análises feitas a partir dos microdados também permitem observar diferenças entre as unidades da federação, ainda que com margens de erro elevadas. Esses estudos mostram, por exemplo, que alguns estados obtêm resultados acima do esperado para seu nível socioeconômico, enquanto a maioria fica abaixo, sobretudo em matemática.
Importância e críticas
Ao comparar resultados internacionalmente, gestores públicos e educadores podem aprender com as políticas e práticas de outros países. Os questionários também revelam aspectos da vida escolar. Em 2025, por exemplo, 81% dos estudantes brasileiros frequentavam escolas que proibiam o uso de celulares, contra 49% na média da OCDE.
Os resultados, porém, precisam ser lidos com cuidado. A própria OCDE alerta que os indicadores baseados nas respostas dos questionários podem refletir diferenças culturais e de interpretação das perguntas, e não necessariamente diferenças reais entre os países. Comparações entre estados, por sua vez, dependem de amostras menores e têm margens de erro maiores.
Referências
- Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) – Inep
- Pisa: Brasil está entre os países que mais avançaram em educação nos últimos 20 anos – Inep
- PISA – OECD
- Resultados do PISA 2025 (Volume I): Brasil – OCDE
- Pisa: 20 estados e o DF vão pior em matemática do que o esperado para seus níveis socioeconômicos – g1
Texto originalmente publicado em https://www.infoescola.com/educacao/pisa/