Idade gestacional

Mestre em Ecologia e Recursos Naturais (UFSCAR, 2019)
Bacharel em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2015)

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A idade gestacional faz referência ao período de tempo que engloba o desenvolvimento fetal, desde a concepção e estabelecimento do óvulo fecundado até o nascimento. Seu monitoramento e controle é usado na medicina para acompanhar o crescimento do embrião dentro dos padrões esperados. Popularmente, a idade gestacional é a contagem de semanas ou meses de gravidez, iniciada sempre no último ciclo menstrual.

O período gestacional total varia muito dentre os mamíferos, tendo uma relação aparente com o tamanho corporal. Ratos e coelhos apresentam os menores períodos gestacionais, de apenas 3 e 4 semanas. Cães, morcegos e gatos tem uma gestação regular dentro de um pouco mais de dois meses (8 a 9 semanas), enquanto os porcos podem ter uma gestação de até 16 semanas. Os chimpanzés têm um período estimado de gestação inferior ao dos humanos, chegando a 33 semanas, enquanto os bebês humanos prematuros nascem com menos de 37 semanas e os dentro do padrão em 40 a 42 semanas. Golfinhos e cavalos tem um período gestacional ainda mais longo que o observado em humanos, atingindo até 47 semanas. Ainda assim, não são os mamíferos com a gestação mais longa, pois baleias carregam seus fetos por 68 semanas e elefantes, o maior período gestacional da natureza, completam a gravidez após 92 semanas de gestação.

A idade gestacional de um feto pode ser determinada ao longo da gravidez através de testes não invasivos, como o ultrassom. Neste exame, imagens ao vivo coletadas permitem estimar o tamanho da cabeça, circunferência do abdômen e o tamanho do osso femoral, todos parâmetros que permitem aproximar com eficácia a idade gestacional correta. Este monitoramento é essencial para acompanhar o desenvolvimento do feto, identificando problemas clínicos com antecedência. Após o nascimento, a idade gestacional também pode ser corretamente determinada a partir da observação de uma série de dados, como o peso do bebê, seu comprimento, reflexos e tônus musculares, postura, sinais vitais e aparência geral da pele. Neonatos prematuros costumam requerer cuidados especiais e ficam em observação, especialmente devido a capacidade pulmonar ativa, que é adquirida tardiamente no processo de desenvolvimento gestacional. Em casos extremos são utilizadas câmaras hiperbáricas e oxigenoterapia em unidades de tratamento intensivo (UTI) a fim de possibilitar a sobrevivência do bebê prematuro recém-nascido.

O parâmetro médico conhecido como AIG (adequado para a idade gestacional) determina valores medianos associados a neonatos saudáveis e que desenvolvem menos problemas de saúde imediatamente após o parto, reduzindo consideravelmente a taxa de óbito pós-parto. Um exemplo seria o peso médio que varia entre 2,5 a 4 quilos. Duas categorias de anomalias do AIG podem ocorrer: bebês menores ou maiores que o esperado para a idade gestacional estimada. Bebês muito maiores que o esperado estão comumente associados a casos de diabetes gestacional, obesidade materna ou ganho de peso excessivo ao longo da gestação, o que pode trazer complicações neonatais como alteração de gordura e/ou açúcar no organismo do neonato. Quando o feto é menor que a idade gestacional estimada ele pode estar sofrendo de restrições de crescimento intrauterinas, causadas por doenças genéticas ou metabólicas e anomalias cromossômicas. Gestações múltiplas (gêmeos, trigêmeos, etc.) também costumam resultar em bebes fora dos padrões AIG. As principais complicações para o neonato são problemas respiratórios ou motores, aumento das células sanguíneas, dificuldade em manutenção da temperatura corporal e baixa taxa de açúcar no sangue.

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Referências:

Martin, R.D. and MacLarnon, A.M., 1985. Gestation period, neonatal size and maternal investment in placental mammals. Nature313(5999), pp.220-223.

Ward, R.M. and Beachy, J.C., 2003. Neonatal complications following preterm birth. BJOG: An International Journal of Obstetrics & Gynaecology110, pp.8-16.

Norris, T., Johnson, W., Farrar, D., Tuffnell, D., Wright, J. and Cameron, N., 2015. Small-for-gestational age and large-for-gestational age thresholds to predict infants at risk of adverse delivery and neonatal outcomes: are current charts adequate? An observational study from the Born in Bradford cohort. BMJ open5(3), p.e006743.

Arquivado em: Embriologia