Eméticos

Graduação em Farmácia e Bioquímica (Uninove, 2010)

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O vômito ou êmese é definido como um mecanismo de defesa do organismo cuja finalidade é a expulsão forçada do conteúdo gástrico. Normalmente é precedido por sintoma de náusea, que é a vontade ou iminência de vômito.

Eméticos são medicamentos ou recursos destinados a indução do vômito, úteis em casos de envenenamento ou demais circunstâncias onde o esvaziamento gástrico deve anteceder qualquer medida.

Mecanismo da êmese

Este fenômeno ocorre por contração dos músculos abdominais e do músculo diafragma, associado a súbita redução da pressão intratorácica, devido à esforços inspiratórios contra a glote que se encontra fechada. O piloro então sofre contração e, quase todo o estômago permanece relaxado. A glote fecha para evitar a entrada do alimento nas vias respiratórias.

Durante a náusea e o vômito, pode-se verificar reações vasomotoras, como o aumento da salivação, sudorese, vasoconstrição e palidez. Antes do episódio, é comum a ocorrência de aumento da frequência respiratória e queda da pressão sanguínea.

O centro do vômito é definido como dois centros que se encontram no bulbo, situado no tronco encefálico. O primeiro é o centro neuroreceptor, ativado por impulsos nervosos gastroentéricos e periféricos. O segundo é o centro quimiorreceptor, estimulado por toxinas e drogas que possuem a capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica.

Desta forma, antes que a êmese ocorra, o organismo tem a sensação consciente de náuseas. Os impulsos são direcionados ao córtex, com posterior ativação do centro do vômito.

Origem do estímulo

A êmese pode ter origem:

- Central: provocada por odores, desordens emocionais, aumento da pressão intracraniana ou por tumores.

- Aparelho vestibular: provocada por cinetose, que é um distúrbio causado por movimentos.

- Toxinas exógenas e endógenas: que induzem a liberação de compostos emetogênicos, como a serotonina, prostanóides e radicais livres.

- Estímulo da faringe e estômago.

Eméticos

Entre os recursos mais seguros, está o estímulo digital na base da língua, faringe ou úvula. A ingestão de água morna além de provocar a êmese, promove uma parcial lavagem gástrica.

Medicamentos eméticos

Exemplos são a Ipeca, o Sulfato de cobre ou Zinco, a Mostarda e a Apomorfina.

Visam a indução ao vômito no indivíduo. São amplamente utilizados em situações de intoxicação ou quando há ingestão de venenos não-corrosivos, com a finalidade de remover o agente tóxico, impedir ou reduzir a sua absorção no estômago. Possuem ação central ou periférica.

Os eméticos de ação central atuam estimulando de forma direta o centro do vômito, também chamado de zona de gatilho. Os fármacos eméticos de ação periférica induzem ao vômito reflexo, através da irritação da mucosa gástrica, com impulsos aferentes que são direcionados ao centro do vômito.

  • Ipeca: o extrato de suas raízes ou rizoma é utilizado como xarope. A ipecacuanha é uma planta nativa do Brasil e América Central. Utilizada há séculos pelos índios, na indução do vômito em casos de envenenamento. A atividade farmacológica está relacionada a dois alcaloides isoquinolínicos, a emetina e a cefalina, ambas dotadas de poder amebicida. Exerce ação emética central e periférica.
  • Sulfato de cobre, sulfato de zinco e mostarda: provocam a êmese por irritação da mucosa gástrica. O sulfato de cobre tem rápida ação, sendo indicado no envenenamento por ingestão de fósforo, pois reage com o fósforo que ainda não sofreu absorção, agindo como um antídoto. O sulfato de zinco atua de forma similar. A mostarda promove a irritação da mucosa do estômago, devido a liberação de um óleo volátil irritante.
  • Apomorfina: emético de ação central. É um fármaco agonista dopaminérgico derivado da morfina, atuando sobre os receptores D1 e D2 da dopamina. Estimula o centro do vômito quimiorreceptor, provocando uma combinação de excitação e depressão do sistema nervoso central. Esta ação resulta na depressão do centro do vômito, fazendo com que, caso não exerça a ação de provocar o vômito logo no início, outras doses subsequentes não terão a capacidade de promovê-lo.

Como efeitos adversos, podem causar sonolência, euforia, agitação, tremores, podendo ainda causar a depressão do sistema respiratório, coma, colapso e morte.

Bibliografia:

BORDA, L.M; CARDOSO, S.B.G.; MONTANHA, F.P. Aspectos farmacológicos sobre eméticos e antieméticos – revisão de literatura. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária. ISSN: 1679-7353. Ano IX – Número 17 – Julho de 2011. Disponível em < http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/h5G8z1OIAhvBIHW_2013-6-27-15-37-40.pdf>.

CASTRO, M.C et al. Efetividade de antieméticos no controle da emese induzida pela quimioterapia antineoplásica, em domicílio. Acta paul. enferm., São Paulo, v. 27, n. 5, p. 412-418, Oct. 2014. Disponível em < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-21002014000500005&lng=en&nrm=iso&tlng=pt>.

De Lucia, R. et al. Farmacologia integrada. Editora Revinter, 3ª ed. 2007.

TAKAHASHI, E.I.U et al. Vômito e hematêse: aspectos gerais e conduta de enfermagem. Rev. Esc. Enf. USP, São Paulo, 14 (3): 219-227,1980. Disponível em < http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v14n3/0080-6234-reeusp-14-3-219.pdf>.

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