Falácia do espantalho

Doutorado em andamento em Filosofia (UERJ, 2018)
Mestre em Filosofia (UERJ, 2017)
Graduado em Filosofia (UERJ, 2015)

Um espantalho é um boneco intencionalmente construído para assemelhar-se a um ser humano a fim de espantar aves indesejadas de determinadas plantações. A falácia do espantalho (the straw man fallacy, em inglês) é um tipo de falácia não-formal e é um modo de argumentação onde, em um debate entre duas pessoas, um oponente se propõe a refutar o argumento adversário mas, no fim, o faz distorcendo este argumento e, ao atacar a versão distorcida, mais fácil de ser refutada, considera ter derrotado o argumento original. Diz-se a respeito de quem argumenta dessa maneira que ele criou um espantalho e o derrotou em uma luta, considerando, assim, que também derrotou o homem verdadeiro (no caso, o argumento adversário).

A falácia do espantalho é bastante comum e pode acontecer tanto por engano quanto por malícia. Ela acontece por engano quando falta ao interlocutor conhecimento a respeito de alguma informação referente ao tema discutido. Por exemplo:

O evolucionismo afirma que os seres humanos não são diferentes dos macacos. No entanto, os seres humanos são diferentes dos macacos porque são muito mais inteligentes do que eles. Logo, o evolucionismo está errado.

O erro, ou o espantalho, do exemplo acima está em se acreditar que o evolucionismo afirma que macacos e seres humanos não são diferentes. Esta afirmação é falsa porque, claramente, o evolucionismo afirma que os seres humanos são muito diferentes dos macacos. Esta crença não é maliciosa, mas é um engano causado pela falta de conhecimento a respeito do tema.

A falácia do espantalho é utilizada de forma maliciosa quando alguém distorce intencionalmente um argumento adversário a fim de tornar mais fácil sua refutação. Veja o exemplo abaixo, utilizado por Patrick J. Hurley:

O Sr. Goldberg argumentou contra a oração nas escolas públicas. Obviamente o Sr. Goldberg é a favor do ateísmo. Mas ateísmo é o que havia na Rússia. O ateísmo leva à supressão de todas as religiões e à substituição de Deus por um estado Onipotente. Isto é o que queremos para este país? Eu duvido. Claramente o argumento do Sr. Goldberg não tem nenhum sentido.

Aqui, o ateísmo é um espantalho utilizado pelo opositor do Sr. Goldberg a fim de vencer seu argumento de maneira mais fácil, pois claramente o argumento do Sr. Goldberg possui premissas, tais como a pluralidade religiosa e a laicidade do Estado, que são desconsideradas quando se trata do ateísmo.

O uso malicioso da falácia do espantalho também pode ser encontrado em respostas a perguntas. É muito comum percebermos seu uso em meio a debates políticos. Como abaixo:

Candidato 1: Candidato 2, é verdade que o senhor utilizou da verba pública para fazer viagens particulares?

Candidato 2: Muito obrigado pela sua pergunta, Candidato 1. No meu governo, aplicaremos a verba para viajarmos pelo país para conhecer a condição de vida do nosso povo, para atendermos melhor aos mais necessitados.

Neste exemplo, a resposta do Candidato 2 é um espantalho criado intencionalmente para fugir da pergunta que lhe foi feita. Ele não responde à pergunta do Candidato 1, mas sim à pergunta “como o senhor pretende utilizar a verba pública em seu governo?”, que pode ser mais facilmente respondida.

Referências:

BUNNIN, Nicholas; YU, Jiyuan. The Blackwell Dictionary of Western Philosophy. Oxford: Blackwell Publishing, 2004.

HURLEY, Patrick J. A Concise Introduction to Logic. California: Wadsworth/Thomson Learning, 2000.

WIRELESS PHILOSOPHY. CRITICAL THINKING – Fallacies: Straw Man Fallacy [HD]. Disponível em: https://youtu.be/hfil34ayaEU. Acesso em: 12 de nov. 2019.

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