Teosofia

Doutorado em andamento em Filosofia (UERJ, 2018)
Mestre em Filosofia (UERJ, 2017)
Graduado em Filosofia (UERJ, 2015)

O termo teosofia (do grego, theos = deus, sofia = sabedoria) significa sabedoria de Deus e diz respeito a qualquer tipo de misticismo filosófico que pretende ser baseado matemática ou cientificamente. Na antiguidade, pode ser encontrado no pitagorismo, na filosofia neoplatonica e no gnosticismo. Algumas religiões como o taoísmo, o islamismo sufista, bem como certos aspectos do budismo e do hinduísmo também podem ser consideradas como teosofistas.

Este termo foi primeiramente utilizado pelos filósofos neoplatônicos para se referir a sua própria doutrina, que enfatizava a união entre religião e filosofia, e ao conhecimento das coisas divinas, proporcionado por Deus através de uma inspiração direta. Nesse mesmo sentido, foi retomado na modernidade, após o período renascentista, pelo místico protestante Jacob Böhme (1575 – 1624). Mais tarde, o termo foi empregado pelo filósofo sueco Emanuel Swedenborg (1688 – 1772), que propunha uma combinação entre o mundo natural e o mundo espiritual, bem como uma combinação entre a cosmologia racionalista e a revelação bíblica. O teosofismo foi, contudo, criticado pelo filósofo alemão Immanuel Kant (1724 – 1804), que afirmava ser impossível que a teologia avançasse, elevando-se à teosofia e aos conceitos transcendentais que lhe dizem respeito, devido à limitação da razão humana. Outro filósofo alemão, Friedrich Schelling (1775 – 1854) utilizava esse termo para se referir aos filósofos que afirmavam ser diretamente inspirados por Deus.

No mundo contemporâneo, a teosofia é estritamente relacionada à filosofia de Swedenborg, do pensador austríaco Rudolff Steiner (1861 – 1925) e da filósofa e ocultista russa Helena Blavatsky (1831 – 1891). Enquanto Swedenborg, como afirmado acima, buscava a união entre o mundo espiritual e o real, tentando explicar as interconexões entre a alma e o corpo, a teosofia de Steiner aparece como uma reação à teoria científica tradicional. Steiner propõe que seu pensamento é tão rigoroso quanto a ciência comum, mas que é superior a ela na medida em que incorpora também as verdades espirituais a respeito da realidade. Afirmava, dentre outras coisas, que o verdadeiro conhecimento era alcançado pela intuição e não pelo pensamento dedutivo. Já Helena Blavatsky fundou, em 1875, a chamada Sociedade teosófica, que apresentavam uma nova teosofia, desta vez por uma mistura de diversas crenças orientais, supostamente fundamentadas em uma inspiração direta por Deus, que envolvem o campo da filosofia mas que, ao mesmo tempo, vão além dele.

Apesar de a descrição feita nos parágrafos anteriores ser comum aos dicionários e manuais de filosofia tradicionais, Helena Blavatsky, em seu texto Um exame da sabedoria universal presente em todas as épocas e nações, a rejeita, afirmando ser esta uma explicação desrespeitosa e precária da teosofia, e que não se deve atribui-la aos filósofos neoplatônicos. A pensadora afirma que atribuir a tais filósofos a intenção de desenvolver suas percepções espirituais e filosóficas através de processos físicos seria o mesmo que considerá-los filósofos materialistas, o que, de fato, é incoerente mesmo com os já citados manuais de filosofia. Em seu texto, Blavatsky defende um ponto de vista a partir do qual, segundo sua compreensão, todos os filósofos, grandes pensadores e escolas filosóficas seriam, necessariamente, teosofistas. Este ponto de vista afirma que um teosofista é alguém que defende uma teoria de Deus ou de suas obras que é fundamentada não na revelação mas, antes, uma inspiração própria, de modo que, quem quer que tenha sido o primeiro grande pensador e filósofo, seja ele Tales de Mileto ou qualquer outro, já era um teosofista.

Apesar, contudo, da ênfase apresentada no parágrafo acima, a pensadora russa parece não apresentar uma explicação do que seja tal inspiração própria, de modo que as as fontes mais confiáveis para a compreensão filosófica do termo teosofia continuam sendo os tradicionais manuais filosóficos.

Referências:

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. Trad. Alfredo Bosi e Ivone Castilho Benedetti. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

AUDI, Robert. The Cambridge Dictionary of Philosophy. New York: Cambridge University Press, 1999.

BUNNIN, Nicholas; YU, Jiyuan. The Blackwell Dictionary of Western Philosophy. Oxford: Blackwell Publishing, 2004.

BLAVATSKY, Helena P. Um exame da sabedoria universal presente em todas as épocas e nações. Disponível em: https://www.filosofiaesoterica.com/o-que-e-teosofia/. Acesso em: 23 de dez. 2019.

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