Francis Bacon

Doutorado em andamento em Filosofia (UERJ, 2018)
Mestre em Filosofia (UERJ, 2017)
Graduado em Filosofia (UERJ, 2015)

Francis Bacon (1561 – 1626) foi um filósofo, ensaísta e estadista inglês. Foi uma das principais figuras da filosofia natural e do campo da metodologia científica durante o período de transição entre o Renascimento e a idade moderna. Apesar de ter estudado em duas grandes universidades, Trinity College, em Cambridge, e Gray’s Inn, em Londres, não seguiu carreira acadêmica, pois desejava dedicar-se à política. Escreveu a respeito das leis, do Estado, da religião e de questões sobre a política de seu tempo enquanto ocupou os cargos de advogado, membro do Parlamento inglês e conselheiro da rainha Elizabeth. Escreveu sobre as possibilidades de se conceber uma sociedade e sobre ética em seus Ensaios e mesmo em sua obra sobre a filosofia natural, intitulado O progresso do conhecimento. Esta obra é considerada, juntamente com o Novo Órganon, sua obra filosófica mais importante. Morreu em abril de 1626, vítima de uma pneumonia contraída enquanto realizava experimentos com gelo.

Retrato de Francis Bacon. Foto: Everett Historical / Shutterstock.com

Bacon era um homem de grande conhecimento e caráter bastante complexo. Possuía uma profunda convicção de que a ciência, enquanto um estudo sistemático da natureza, poderia transformar positivamente o estado do ser humano. Tal convicção fez com que Bacon fosse considerado um profeta da ciência moderna. Defendeu o empirismo que nascia do progresso dessa então nova forma de se fazer ciência e fez oposição ao que se pretendia em sua época chamar de conhecimento mas que, de acordo seu pensamento, não o era, tendo em vista que se fundamentava em meros apelos à autoridade e no pensamento da Escolástica, que Bacon considerava estéril.

A busca para se obter o conhecimento era para Francis Bacon o maior bem da humanidade, porque, segundo ele, conhecimento é poder. Tal afirmação pode parecer comum e trivial para o pensamento e mesmo para a opinião popular que se formou depois do Iluminismo do século XVIII, mas era radicalmente inovador para o momento em que o filósofo vivia, em que ainda estava-se construindo as bases do que convencionou-se chamar de ciência moderna. Tal conhecimento, segundo Bacon, deveria ser obtido a partir de uma nova atitude e uma nova metodologia, baseados exclusivamente em praticas científicas, que buscam o conhecimento das leis naturais a partir da experimentação. Esta ciência produzida pela busca pelo conhecimento tal qual proposta por Bacon daria origem, também, a uma ordem social. Esta ordem social é retratada em sua obra de 1627, intitulada Nova Atlantis.

O então novo método científico proposto por Bacon é detalhado em Novo Órganon. Tal método consiste em uma nova lógica, apresentada para substituir a lógica de Aristóteles, baseada em silogismos, que de acordo com Bacon não era capaz de produzir o verdadeiro conhecimento das leis naturais. Ele pensava que era necessário aos seres humanos, em sua busca pelo conhecimento, intervirem na natureza, realizando experimentos controlados que conduziriam à criação de uma nova tecnologia. Mas para que tal conhecimento pudesse ser alcançado, Bacon acreditava ser necessária a eliminação de certos obstáculos aos quais ele chamada de “ídolos”, que consistiam falsas opiniões e preconceitos que somente supunham o conhecimento da natureza mas que, na verdade, não a explicavam.

A esse seu projeto de um novo método científico Bacon chamava de “Grande Instauração”. Apesar de o projeto não ter sido concluído, sua apresentação sistemática de seu método de indução científica permanece sendo uma realização notável.

Apesar de não ser inteiramente nova sua concepção de uma metodologia empírica, quer dizer, baseada na experiência, ela certamente foi surpreendente, de modo a influenciar diversas figuras do século XIX, dentre elas o filósofo utilitarista John Stuart Mill, que generalizou e aplicou os resultados alcançados por Bacon para apresentar novos insights para a metodologia científica.

REFERÊNCIAS:

AUDI, Robert. The Cambridge Dictionary of Philosophy. New York: Cambridge University Press, 1999.

BUNNIN, Nicholas; YU, Jiyuan. The Blackwell Dictionary of Western Philosophy. Oxford: Blackwell Publishing, 2004.

STANFORD ENCYCLOPEDIA OF PHILOSOPHY. Francis Bacon. Disponível em: https://plato.stanford.edu/entries/francis-bacon/. Acesso em: 15 de jan. 2020.

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