Negrinho do Pastoreio

O “Negrinho do Pastoreiro” é uma lenda do folclore brasileiro que surgiu no século XIX. A história do personagem originou da mistura da cultura africana com a religião cristã e ela é conhecida principalmente na região sul do país.

De acordo com o mito, na época da escravidão havia uma menino que era escravo de um fazendeiro no Rio Grande do Sul. O negrinho como era chamado, sofria muito com os maus tratos de seu “dono”. O menino costumava cuidar de seus cavalos e certo dia, muito cansado, acabou dormindo e quando acordou, um dos cavalos havia fugido. O fazendeiro com muito ódio, castigou a criança com chibatadas, e depois, deixou ela em cima de formigueiros para morrer.

No dia seguinte, o fazendeiro se surpreendeu ao ver o menino vivo e sem ferimentos pelo corpo, montado no cavalo perdido ao lado da Virgem Maria.

O fazendeiro muito arrependido acabou pedindo perdão, no entanto, o menino se afastou e foi embora em liberdade com o cavalo.

O Negrinho do Pastoreiro, é considerada uma narração pesada, triste, e ao mesmo tempo, de fé, esperança, compaixão e liberdade. A história foi contada nas obras dos escritores, Alberto Coelho da Cunha em 1.872, Apolinário Porto Alegre em 1.875, e Alfredo Varela em 1.897. Em 1.906, João Simões Lopes Neto, publicou a lenda em folhetim (narrativa literária) na imprensa de Pelotas, no Rio Grande do Sul. João Simões também divulgou a história no seu livro “Lendas do Sul”, em 1.913.

Autores estrangeiros também publicaram versões da lenda, entre eles, o uruguaio Javier Freire em 1.890, o espanhol Daniel Granada em 1.896, e o argentino Juan Ambrosetti em 1.917.

Cada escritor divulgou o contexto de forma diferenciada, em versões distintas ou em forma de conto, entre tanto, o tema principal da história permaneceu preservado (o menino escravo que sofreu maus tratos e se libertou aparecendo ao lado de uma santa).

Atualmente no sul, acredita-se que se algum objeto tenha sumido, basta acender uma vela ao lado do formigueiro e pedir ao Negrinho do Pastoreiro que ajude a encontrá-lo.

Em 1.973, foi lançado o filme Negrinho do Pastoreiro, dirigido por Antônio Augusto da Silva Fagundes.

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