Catedral de Chartres

Mestre em História da Arte (Unicamp, 2019)
Bacharel e licenciado em História (USP, 2004)

A sede da diocese de Chartres, na região de Eure-et-Loir, está localizada a aproximadamente 90 km a oeste de Paris é um dos principais exemplares da transição do estilo românico para a gótico: arquitetura, escultura e nos vitrais.

Catedral de Chartres (Chartres, França). Foto: Petr Kovalenkov / Shutterstock.com

A edificação tem 130 m de comprimento por 64 m de largura. Seus arcos ogivais oscilam entre 35 a 36 metros de altura e as torres têm 104 m (torre sul em estilo românico) e 115 m (torre norte em estilo gótico flamboyant) e quanto aos vitrais, são cerca de 2500 m2: 143 janelas e 3 rosáceas, cada uma com 13m de diâmetro, ocupados por 37 medalhões, sendo a maioria dos séculos XII e XIII, famosos pela coloração azul, de tom único, conhecido como “azul de Chartres”.

O templo foi resultado de várias reconstruções (séc. IX ao XII) e sua localização está relacionada a um antigo lugar de culto celta.

Ali foi encontrada uma imagem da Virgem Maria com o menino Jesus e por conta disso, as pessoas passaram a procurar a “milagrosa” estátua, conhecida mais tarde, como Notre-Dame Sous-Terre (Nossa Senhora Subterrânea em francês), a “Virgem Negra de Chartres”, já que era esculpida em madeira escura. Durante a Revolução Francesa, em 1793, a estátua foi queimada e hoje existe uma réplica de 1857, reconstituída a partir de desenhos anteriores à destruição.

Vitrais da Catedral de Chartres (Chartres, França). Foto: Doin / Shutterstock.com

Na catedral de Chartres encontra-se também uma relíquia doada pelo rei Carlos, o Calvo em 876, a Sancta Camisia, a roupa que segundo a tradição, Maria teria usado quando Jesus nasceu.

Em 1200, um labirinto foi desenhado com pedras de calcário, claro e escuro, junto dos espaços entre o 3º e o 6º par de colunas da nave central, ocupando 13 m de diâmetro, um traçado de 261 m, que era percorrido pelos peregrinos de joelhos, remetendo à busca pela salvação e penitência em Jerusalém.

Entre desdobramentos de guerras locais, ataques vikings e raios, a igreja sofreu vários incêndios e no imaginário popular, formou-se a lenda que “Nossa Senhora exigira um templo maior, à altura de sua grandeza”.

A reconstrução, a partir de 1194, fez com que a estrutura predominante da catedral fosse na arquitetura gótica: paredes mais finas, arcos ogivais elevados e no caso específico desta igreja, uma disposição arquitetônica que prevaleceu a importância para a exibição dos vitrais, transformando-a num amplo relicário de vidro colorido, banhando seu interior com a luz natural.

A consagração da catedral ocorreu em 24 de outubro de 1260, contando com a presença de inúmeros bispos de outras dioceses e do rei Luís IX (1226-70), que posteriormente, foi canonizado em 1297.

A fachada ocidental encontra-se um importante conjunto escultórico românico, o Pórtico Real: três portas, cujos tímpanos estão decorados com o Cristo Juiz ao centro, à esquerda deste a Virgem Maria e as Artes Liberais e à direita, a Ascensão de Jesus.

Contemporâneos ao Pórtico Real. encontram-se os vitrais dedicados à Árvore de Jessé, A vida de Cristo e a Paixão de Cristo. Estes vitrais sobreviveram ao incêndio de 1194, juntamente com o vitral dedicado às tentações de Cristo e a Virgem Maria – Notre-Dame de la Belle-Verrière.

A catedral de Chartres foi o lugar da sagração de um único rei da França: Henrique IV de Bourbon, em 27 de fevereiro de 1594.

Fontes:

PRACHE, Anne. Notre-Dame de Chartres: Image de la Jérusalem Céleste. Paris: CNRS Éditions, 2008.

AMORIM JUNIOR, Elias F. Luz, Imagem e devoção mariana nos vitrais da catedral de Notre-Dame de Chartres (séc. XII-XIII). Dissertação de mestrado. IFCH-Unicamp – 2019.

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