Pontos cardeais

Graduado em Geografia (UFG, 2017)

Os pontos cardeais são denominados como os quatro sentidos principais para indicar direção a partir da posição do Sol. Esse termo é utilizado por serem as principais referências de orientação. O nome cardeal, vem do latim cardinalis que significa principal ou essencial.

A necessidade de se localizar

Desde os primórdios da humanidade até os dias atuais, o ato de se localizar e orientar no espaço geográfico consiste em uma necessidade para o homem. Durante a existência humana, houve vários modos de se situar, seja pela utilização da posição de astros e estrelas, da bússola até as avançadas tecnologias de orientação como o GPS (Sistema de Posicionamento Global), os satélites, entre outros.

Esses diferentes sistemas possibilitaram ao homem um maior domínio do meio de onde vive, em que suas técnicas de localização permitiram o descobrimento e a navegação visando o descobrimento de novos territórios, a implantação de rotas comerciais, as estratégias de guerras, entre outras situações.

A influência do Sol nos pontos cardeais

Os pontos cardeais são utilizados como um recurso de orientação e localização na Cartografia e estão vinculados com a trajetória diária aparente do Sol no céu, que varia de acordo com a latitude geográfica que determina as movimentos solares no horizonte.

Por conta da influência do Sol, os pontos cardeais são baseados na posição que o astro nasce e se põe. Os quatro pontos são: Norte (N), chamado de setentrional ou boreal; Sul (S), também chamado de meridional ou de austral; Oeste (O ou W -sigla oriunda do inglês – west-), nomeado igualmente de ocidente; e, por fim Leste (E – east ou L), denominado de oriente.

A aplicação dos pontos cardeais

Em muitas regionalizações, seja de municípios, estados e países, a localização cardeal de um determinado ponto é um dos critérios utilizados para inseri-lo em uma determinada região. Por exemplo, a regionalização do Brasil do IBGE emprega alguns pontos cardeais para nomear algumas regiões, como a região Sul e a região Norte.

Apesar de ter outros critérios de divisão como os aspectos históricos, econômicos e culturais, o fator locacional ainda se constitui como relevante para a regionalização de um determinado espaço geográfico.

Pontos cardeais e suas subdivisões

Ptolomeu (87-50 a.C.) foi um cientista grego que teve significativa colaboração na elaboração e projeção de mapas. Em uma de suas formulações cartográficas, o cientista sentiu a necessidade de criar pontos intermediários de direção para auxiliar na localização e orientação das pessoas. Para isso, ele criou os pontos colaterais.

Os pontos cardeais apesar de significativos, não dão uma precisão milimétrica na localização de zonas que se encontram no meio de suas posições. Para isso, são utilizados na orientação os pontos colaterais, também chamados de pontos intermediários que são: Sudeste (situado entre sul e leste – sigla SE), Nordeste (localizado entre Norte e Leste – NE), Noroeste (entre Norte e Oeste – NO) e Sudoeste (entre Sul e Oeste – SO).

Na época das grandes navegações, países europeus necessitavam de mapas e cartas náuticas mais detalhadas para a definição de suas rotas. Nesse contexto, foram criados os pontos subcolaterais que oferecem uma forma mais detalhada de orientação originada entre a localização dos pontos cardeais e colaterais, adicionando mais oito pontos de orientação. São eles: Norte-Nordeste (sigla NNE), Norte-Noroeste (NNO), Este-Nordeste (ENE), Este-Sudeste (ESE), Sul-Sudeste (SSE), Sul-Sudoeste (SSO), Oeste-Sudoeste (OSO) e Oeste-Noroeste (ONO).

A Rosa dos ventos

Rosa dos ventos, com todos os pontos cardeais, colaterais e subcolaterais. Ilustração: art-sonik / Shutterstock.com [adaptado]

A Rosa dos ventos ou rosa náutica é uma representação dos pontos cardeais, colaterais e subcolaterais que geralmente aparece em bússolas, em mapas, plantas, croquis, e em espaços públicos para orientação dos pedestres.

Sua utilização é muito comum em todos os sistemas de navegação antigos e atuais. Seu desenho é caracterizado em forma de estrela e sua origem teve relação com a direção dos ventos, em que as pontas apontavam para a direção onde o vento era predominante.

Referências bibliográficas:

FRANCISCHETT, Mafalda Nesi. A cartografia no Ensino da Geografia: abordagens para o entendimento da representação. Cascavel: EDUNIOESTE, 2010.

SOBREIRA, Paulo Henrique Azevedo. Astronomia no Ensino de Geografia. Dissertação (Mestrado), Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002, 276p.

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