Barão de Mauá

Ensino Superior em Comunicação (Universidade Metodista de São Paulo, 2010)

Irineu Evangelista de Sousa, conhecido por seu título de Barão de Mauá, foi um importante banqueiro, industrial e político brasileiro. Foi o pioneiro da industrialização no Brasil do século XIX, sendo responsável pela construção de grandes empreendimentos.

Mauá nasceu no dia 28 de dezembro de 1813 em Nossa Senhora do Arroio Grande, no Rio Grande do Sul. Filho do casal de fazendeiros Mariana de Jesus Baptista de Carvalho e de João Evangelista de Ávila e Sousa. Seu pai faleceu quando Mauá tinha oito anos, sua mãe casou-se novamente e o marido não aceitava os filhos do seu primeiro casamento. Por esse motivo, sua irmã mais velha casou-se às pressas e Mauá foi entregue aos cuidados de seu tio Manuel José de Carvalho. Frequentou um colégio no interior de São Paulo de 1821 a 1823, onde foi alfabetizado. No ano seguinte, seguiu viagem para o Rio de Janeiro com seu outro tio, José Baptista de Carvalho, comandante de embarcação da marinha mercante. Lá trabalhou em uma pequena loja em troca de abrigo e comida. Em 1825 conseguiu seu segundo emprego, na casa comercial do português Antônio Pereira de Almeida, de quem se tornou funcionário de confiança ao passar dos anos e chegou ao posto de caixeiro em 1828. Continuou na função até 1829, quando Antônio perdeu seus bens para o credor escocês Richard Carruthers. Por indicação do ex-patrão, Mauá foi admitido como caixeiro da Companhia Inglesa Carruthers, especializada em importação e exportação. Exercendo suas funções aprendeu inglês, contabilidade e técnicas comerciais, chegando ao posto de gerente.

Em 1836 se estabeleceu como sócio da companhia, batizada de Carruthers & Cia. Em 1839, Richard Carruthers voltou definitivamente para a Inglaterra e deixa Irineu no comando dos negócios.

Com capital acumulado ao longo de seus anos de trabalho, Mauá adquiriu uma chácara no Morro de Santa Teresa, onde tratava seus empregados como auxiliares e não negava abrigo aos escravos foragidos. Trouxe sua mãe, irmã e sobrinha para residirem com ele. Em 1840 partiu em viagem para Inglaterra, onde teve contato com a realidade capitalista e com as invenções da Revolução Industrial. No ano seguinte, regressou e pediu sua sobrinha em casamento. Casaram-se em 1841 e da união nasceram 12 filhos, dos quais 10 sobreviveram.

Em 1845, Maúa vendeu sua parte na sociedade e adquiriu uma fundição em Niterói. Constrói então um estaleiro no local, iniciando a indústria naval brasileira. Seu patrimônio cresceu e ele investiu em empreendimentos para modernização do Brasil. Nos anos seguintes, promoveu o encanamento das águas do rio Maracanã na cidade do Rio de Janeiro em 1850. Em 1851 fundou a Companhia de Iluminação a Gás do Rio de Janeiro. Em 1852 fundou a Companhia de Navegação a Vapor do Amazonas e a Companhia Fluminense de Transportes. Em 30 de abril de 1854, nasceu a primeira ferrovia do país: a Companhia de Estrada de Ferro, ligando o Porto Mauá na baía da Guanabara à encosta da Serra da Estrela. No mesmo dia Dom Pedro II concedeu-lhe o título de "Barão de Mauá".

O empreendedor também a inaugurou a Estrada de Ferro Dom Pedro II em 1858, atual Central do Brasil, realizou a construção da estrada de ferro que liga Santos a Jundiaí e a instalação de cabos telegráficos submarinos ligando o Brasil à Europa em 1874. No final da década de 1850 fundou o Banco Mauá, MacGregor & Cia.

De posicionamento liberal e abolicionista, Mauá teve problemas com o Império devido aos seus ideais. Seus negócios ficaram abalados pela legislação de taxação de importações que foi implantada e em 1857 o seu estaleiro foi incendiado criminosamente. Seus empreendimentos também sofreram consequências com a crise bancária de 1864.

Além de todas suas realizações e obras, Mauá foi deputado pelo Rio Grande do Sul, porém renunciou em 1873 para cuidar apenas de seus negócios. Em 1874, foi intitulado “Visconde de Mauá”.

Em 1875 o Banco Mauá foi encerrado, obrigando Mauá a vender grande parte de seu patrimônio. Diabético e com a saúde debilitada, quitou todas as suas dívidas e trabalhou com o comércio de café. Faleceu no dia 21 de outubro de 1889 em Petrópolis, Rio de Janeiro.

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