Genocídio armênio

Graduação em História (Universidade do Vale do Sapucaí, UNIVÁS, 2008)

O genocídio armênio foi uma campanha sistemática do governo do Império Otomano (atual Turquia) de assassinatos, deportações e violências diversas cometidas contra o povo armênio no contexto da Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918) e posteriormente, durante a década de 1920 (mais precisamente de 1920 a 1923).

Genocídio

A palavra genocídio foi cunhada na década de 1940, por um jurista polonês chamado Rafael Lenkim. Buscando uma palavra que abarcasse em sua etimologia todo um hall de fatos históricos, massacres, violências e agressões diversas, que vitimaram grupos de pessoas por razões étnicas, raciais, religiosas ou culturais, o advogado polonês buscava esclarecer esses fenômenos, observados desde a Antiguidade.

Sua definição serviu de base para a elaboração de uma lei que visa punir Estados e indivíduos que pratiquem crimes contra comunidades pelos motivos citados. Dessa iniciativa surgiu, ao fim da década de 40, principalmente em resposta ao Holocausto judeu perpetrado pelos nazistas na Alemanha e Europa ocupada, o documento denominado “Convenção sobre a prevenção e punição dos crimes de genocídio”, da Organização das Nações Unidas (ONU).

O caso Armênio

A Armênia fez parte do antigo Império Otomano até o ano de 1918. Assim sendo, o povo armênio era uma das muitas etnias presentes no Império, que foi sempre majoritariamente muçulmano. Apesar disso, o Império Otomano reunia dentro de suas fronteiras uma grande quantidade de diferentes povos com culturas e religiões diversas.

O povo Armênio era um desses povos. Sendo de tradição cristã, se mantinha à parte da prática religiosa comum otomana, o que fazia com que a comunidade fosse mal vista e vulnerável.

Durante a Primeira Guerra Mundial, o Império Otomano lutou ao lado da Tríplice Aliança, e se opôs à principal potência cristã da região, a Rússia, que praticava (ainda pratica) o mesmo ramo da fé cristã, o Cristianismo Ortodoxo.

Essa relação entre os eslavos e os armênios lançou suspeitas dos Otomanos sobre a presença e a influencia dos armênios dentro do Império. A partir de 1915, o governo Turco iniciou uma campanha de perseguição, expulsão, deportação, torturas e assassinatos de membros da etnia armênia. A razão dada pelos otomanos era o perigo para a segurança interna. Essa ofensiva, levada a cabo, principalmente, por diferentes autoridades políticas das quais podemos citar Behaeddin Shakir, líder de tropas irregulares utilizadas no genocídio; Zia Gokalp, ideólogo do pan turquismo (doutrina que visava formar um Império Otomano formado apenas por turcos, excluindo, deportando ou matando todos aqueles que pertencessem a outras etnias) e, principalmente, o partido político denominado “Comitê de União e Progresso”, que passou à história com o nome de “Jovens Turcos”. A partir desses indivíduos e organizações, o genocídio enquanto plano, teve sua execução feita por diversas autoridades, em vários níveis, dentro do Império Otomano.

O número de armênios mortos nesse genocídio é estimado em 1,5 milhão, de acordo com pesquisadores e historiadores, mas as fontes turcas tendem a baixar consideravelmente essa cifra. Além disso, os eventos de 1920 a 1923 tenderam a aumentar em algumas dezenas de milhares a cifra original.

À época, o genocídio armênio fora tratado como um crime contra a humanidade. Houve protestos por parte de várias potências contra as medidas do Império Otomano e movimentos de ajuda humanitária ao povo armênio para que se pudesse deter ou ao menos minimizar os efeitos das violências sofridas por eles. Porém, nada foi feito de concreto contra o governo Otomano por conta das agressões cometidas e o assunto se transformou numa batalha pela memória histórica desde então, onde vários governos clamam o reconhecimento do Genocídio Armênio e a punição do Império Otomano e, em consequência, da Turquia, sua herdeira legal, e outros que assim como os turcos, não reconhecem o ocorrido com o genocídio mas como consequência inerente ao contexto de guerra do país. O assunto segue indefinido e gerando, de tempos em tempos, desconforto diplomático entre a Turquia, a Armênia e o resto do mundo, que ora se posiciona condenando os turcos, ora legitimando-os.

Bibliografia:

http://genocidioarmenio.com.br/

http://consuladodaarmenia.com/armenia/genocidio/

POWER, Samantha (2004). Genocídio: a retórica norte-americana em questão. São Paulo: Companhia das Letras.