Guerra dos Mascates

Graduada em História (UFRJ, 2016)

A chamada Guerra dos Mascates foi uma das revoltas daquelas que ficaram conhecidas como Movimentos Nativistas, que tiveram como principal causa os descontentamentos entre os colonos com relação às medidas tomadas pela Coroa Portuguesa. Essa revolta ocorreu nos anos de 1710 e 1711, no estado de Pernambuco e acabou envolvendo duas cidades: Olinda e Recife.

Em torno da década de 1650, os holandeses acabaram sendo expulsos definitivamente do Brasil, pois já havia acontecido a chamada Restauração em Portugal, onde este conseguiu se tornar livre da Espanha, unido a ela por 60 anos por conta de uma crise dinástica (a conhecida União Ibérica). Mas com essa expulsão, a economia do Brasil estava entrando em crise. A concorrência entre o açúcar produzido no Brasil e o açúcar que era produzido pelos holandeses nas Antilhas era muito grande. Antes, enquanto os holandeses estavam no Brasil, os grandes produtores de açúcar usufruíam dos investimentos feitos pelos holandeses. Mas com a expulsão destes, o açúcar produzido por eles era mais barato e de melhor qualidade, prejudicando as exportações do Brasil. É interessante destacar que Recife, cidade que cresceu muito com a presença holandesa, não passava por essa crise açucareira, pois havia uma intensa atividade econômica dos mascates, como eram conhecidos os comerciantes portugueses da região. Recife não era economicamente nem politicamente importante antes da chegada dos holandeses. A principal cidade, então, era Olinda e Recife era subordinada a ela. Com o crescimento de Recife, pois possuía um excelente porto, os mercadores, ou seja, os mascates que para lá foram atraídos, queriam se libertar de Olinda, ter mais autonomia. Os senhores de terras que viviam e controlavam a cidade de Olinda não ficaram satisfeitos com essa decisão dos mascates. Estes conseguiram que Recife fosse elevado à vila, ganhando uma câmara municipal, deixando os donos de terras de Olinda apreensivos com a cobrança das dívidas por parte de Recife. Assim, em 1710, os senhores de Olinda invadem Recife, dominando a cidade e sendo retomada logo em seguida. Essa guerra continuou até 1711 quando a Coroa nomeou Félix José de Mendonça como governante, que acabou apoiando os mascates. Este novo governante ordenou a prisão dos senhores de Olinda envolvidos na revolta e decidiu que, para evitar conflitos, a cada semestre, a administração seria chefiada por cada cidade, evitando favoritismos. Em 1712, Recife conseguiu sua autonomia e se tornou sede administrativa de Pernambuco.

Podemos listar como causas da revolta a crise econômica em Olinda, o favorecimento da Coroa aos mascates portugueses de Recife, disputa pelo poder político entre Olinda e Recife. No final dessa revolta que possuía um grande sentimento antilusitano por parte da aristocracia rural de Olinda, os comerciantes de Recife conseguiram alcançar seus objetivos que eram se tornar independentes de Olinda, tendo sua própria câmara municipal (tornando-se uma vila).

Esse conflito foi narrado pelo escritor do romantismo José de Alencar, no livro intitulado “A Guerra dos Mascates” lançado em 1783 e é a partir desse livro que esse nome foi amplamente difundido na historiografia brasileira e nos livros didáticos até hoje, apesar de ser inadequado. Antes do romance eram utilizados os termos “sedições” e “alterações em Pernambuco”.

Referências Bibliográficas:

COSTA, Marcos. A História do Brasil para quem tem pressa. Rio de Janeiro: Valentina, 2016.

DEL PRIORE, Mary, VENANCIO, Renato. Uma Breve História do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1996.

HONOR, André Cabral. Pós “Guerra dos Mascates”: o conflito entre os carmelitas da Reforma Turônica da Paraíba e os Observantes de Olinda.

MELLO, Evaldo Cabral de. A fronda dos mazombos: nobres contra mascates, Pernambuco, 2. ed. São Paulo: Editora 34, 2003.

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