Fotodocumentário

Há vários estudiosos que defendem a importância da fotografia como um veículo de natureza histórica, pois tem o poder de registrar o contexto social de uma comunidade em um certo período de tempo. Ela é a arte que mais se aproxima da representação concreta do real. Assim, o Fotodocumentário pode ser um recurso para que o profissional perscrute o cotidiano humano e transmita os necessários dados, interpretações e pontos de vista sobre esta realidade.

O professor Paulo Boni, da Universidade Estadual de Londrina, acredita que o fotodocumentarismo é fundamental, pois há muitos acontecimentos remotos para se disseminar e muitos dados para serem expressos visualmente, para que não sejam esquecidos ou perdidos. Uma vez registrado por este meio, seja uma narrativa ou algo que se queira revelar, nada pode ser deletado.

Esta técnica se solidificou nos anos 30, nos EUA, posteriormente ao aparecimento da Fotografia e do Fotojornalismo. Em meados do século XIX a técnica fotográfica permitiu a ascensão de grandes empresas e da exploração comercial desta nova vertente histórico-cultural. Houve uma verdadeira revolução no conhecimento que o Homem detinha sobre o mundo, pois agora universos inacessíveis a ele podem ser revelados não só por meio de palavras ou pinturas, mas por imagens muito reais.

O Fotodocumentário tornou essa percepção ainda mais palpável, embora a princípio fosse praticado inconscientemente, sem um propósito definido. Fotos de cidades, dos seus habitantes e das mais variadas etnias começaram a se multiplicar e a tornar seus autores conhecidos, como ocorreu com o escocês Jonh Thompson, que revelava em seu trabalho a rotina londrina.

Hoje o grande destaque neste campo é o brasileiro Sebastião Salgado, mundialmente conhecido por suas fotos que documentam a miséria, as mulheres de vários cantos do Planeta, os desprovidos de terra e teto, as crianças, em estilo tão real, tão concreto, que é possível transportar quem as observa para a realidade retratada. Parece mesmo possível poder tocar as pessoas e paisagens expressas em seu trabalho, tamanha a perfeição das texturas e das imagens.

Neste sentido o fotodocumentarismo de Salgado é subversivo, pois não só atua como um elemento perturbador, mas desperta em quem as vê profundas reflexões sobre a realidade retratada. Sua obra é assim considerada pelo Professor Boni como de natureza humanista. Há também, de acordo com este especialista, as fotos simplesmente criativas, as quais também podem ser produzidas com a crença interna do fotógrafo.

Atualmente o fotodocumentário, segundo este acadêmico, atua especialmente no campo da crítica social, da revelação das mazelas da sociedade, procurando registrar as mudanças sociais, ecológicas e econômicas. Este recurso imagético também possibilita ao fotógrafo fugir das limitações impostas ao fotojornalismo pelos veículos de comunicação. O trabalho do fotodocumentarista é mais livre, independente de pressões e restrições político-econômicas.

Fontes:
http://www.agenciacentralsul.org/index.php?option=com_content&task=view&id=769&Itemid=3
http://www.leonardopicinati.com/fotodocumentarismo.htm