Variação linguística

Especialista em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância (UFF)
Graduação em Letras (Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira, FUNCESI)

A variação linguística é o conjunto de diferentes formas linguísticas, chamadas de “variantes”, que exprimem o mesmo sentido. Isso significa que, como falantes de uma mesma língua, podemos nos referir as mesmas coisas, mas de modos diferentes. É importante destacar que a variação é algo inerente ao sistema da língua, realizando-se nos níveis fonético, morfológico, sintático, etc.

Tipos de variações linguísticas

Variações diatópicas

São as variações linguísticas em espaços geográficos diferentes. Nesse contexto, entram em cena os regionalismos, que são os falares típicos de cada região do país. O modo de falar do mineiro difere do modo de falar do baiano, que difere do modo de falar do gaúcho e assim por diante. As diferenças, em termos de pronúncia e do uso de determinadas expressões, não impedem que os falantes se interajam, pois partilham o mesmo sistema linguístico, uma unidade linguística. Em outras palavras, falam a mesma língua. A língua portuguesa é uma unidade que se diversifica (as variantes) em nossa sociedade.

Variações diastráticas

Essas variações linguísticas estão relacionadas à estratificação social, isto é, às condições socioeconômicas dos falantes. No geral, aqueles com pouca ou nenhuma escolaridade costumam, por exemplo, empregar o singular no lugar do plural (“As árvore” no lugar de “As árvores”). É válido ressaltar que estamos exprimindo um fato em termos gerais, já que é no decorrer dos anos escolares que o indivíduo aprende a norma culta por excelência. Mas, mesmo um falante com nível de escolaridade maior pode deixar de usar o plural em determinado momento.

Variações diafásicas

Trata-se das variações ocorridas em função da situação em que se encontra o falante. A que situação estamos nos referindo? A situação comunicativa de informalidade ou formalidade. Expressamos informalmente quando empregamos uma linguagem despreocupada com a norma culta. No dia a dia, por exemplo, é comum usarmos “a gente” no lugar de “nós”; o verbo “ter” com o sentido de “haver” (“Tem uma loja aqui.”); reduções de palavras (“Ele tá feliz!), etc. Há situações em que a linguagem formal – aquela que segue as regras gramaticais – precisa ser utilizada. Isso acontece, sobretudo, no âmbito da escrita, em textos das esferas acadêmica, científica, religiosa, jurídica, etc. Na oralidade, podemos citar textos como aulas, palestras, missas ou cultos, etc. É o contexto comunicativo, ou seja, a situação comunicativa é que determina as condições da linguagem.

Desafio: você sabe o que significa?

Imagine a seguinte situação: você está no Rio Grande do Norte e um potiguar lhe diz: “Você é tampa!”. O que ele quer dizer, hein?

(   ) Ele quer dizer que você é inteligente.

(   ) Ele quer dizer que você é esquisito (a).

(   ) Ele quer dizer que você é mal-educado (a).

Bom, você pode ficar muito feliz se um potiguar lhe disser que “você é tampa!”. Isso porque ele quer dizer que você é inteligente!

Para concluir

As variações linguísticas são legítimas, uma vez que representam a identidade de determinado grupo social. Desse modo, precisamos romper com todos os preconceitos relativos à linguagem, que privilegiam uma variante (a norma culta) em detrimento das outras. As variações são inerentes ao sistema linguístico e, por isso, não prejudicam o seu funcionamento.

Referências:

BELINE, Ronald. A variação linguística. In: FIORIN, José Luiz. (org.) et al. Introdução à Linguística. 6.ed. 7ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2019. p.121-140.

CALLOU, Dinah; LEITE, Yonne. Como falam os brasileiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.

PÉCHY, Amanda. Bê-á-bá potiguar. In: Revista Todos – A vida é feita de histórias. Qual é a sua? São Paulo: Editora Mol, out/nov 2019. p.36.

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