Noite - Érico Veríssimo

A novela Noite tem características diferentes das demais obras de Érico Veríssimo, começando pelo fato de não possuir caráter épico, como lhe é característico através das suas obras mais conhecidas como O tempo e o Vento. Também não é crônica de costumes, não se inclina ao realismo crítico, nem à sátira política. Nela os personagens possuem um certo caráter simbólico, trazendo ao enredo um sentido de alegoria. O autor fala muito através das entrelinhas e dialoga com o leitor fazendo-o refletir sobre tudo o que vai acontecendo.

A história começa no final do dia e vai se desenvolvendo à medida que a noite vai avançando. Um homem está perdido na rua principal de uma certa cidade, e sem memória começa a questionar quem é e quais são suas origens, como ficou daquela forma, enfim, não reconhece a si mesmo, nada ao seu redor e nem ninguém.

O ambiente da história é de mistério, uma vez que o autor não deixa claro para o leitor as informações que o personagem também está à procura. “O Desconhecido” como é denominado este personagem misterioso, observa que possui nos bolsos objetos dos quais também não se lembra. Não sabe nem se são seus ou se os roubou, se alguém os colocou lá...

Neste momento sai pela cidade, encontra um café e duas "aves noturnas" — um homem ao qual chama de Mestre e outro, de Corcunda,  que o carregam aos mais estranhos locais: um velório, uma quermesse, um prostíbulo, um pronto socorro, etc. Durante suas andanças pela Noite, o Desconhecido vai sentindo uma estranha sensação de culpa, e tudo que lhe acontece traz a ele novos questionamentos a respeito de si mesmo.

O autor não se preocupou em explicar a história, ou deixar os fatos conectos e explícitos, pelo contrário, preferiu deixar ao leitor o encargo de interpretar os acontecimentos que lhe vão sendo apresentados.

É como se fosse uma longa reflexão sobre a culpa humana. O “Desconhecido” anda pelas ruas sem reconhecê-las. Não sabe de onde veio e nem para onde deve ir. Sabe que fez algo errado, cometeu algum crime ou pecado grave, e dedica toda a história a tentar descobrir o que fez que está lhe causando tal sentimento de culpa, e assim, consequentemente, descobrir quem ele é.

Sempre usando este mistério que é o desconhecido, o autor tenta representar a vida, os seres humanos atuais, condenados nas suas culpas, são inúmeras as possibilidades de interpretação.

O ápice da história é quando ele se recorda brevemente que possui uma esposa, lembra da infância. Lembra de uma discussão, que a tratou violentamente, e que ela fugiu sem rumo. Volta para casa na esperança de encontrá-la, mas ao lembrar da humilhação que fizera sua mulher passar perde as esperanças.

A novela termina com o “Desconhecido” escutando passos dentro de sua casa. O autor deixa o mistério no ar: os passos são realidade ou imaginação? A esposa morreu, fugiu, ou está em casa? Fica a cargo do leitor estas respostas ou mais perguntas.

Fontes:
http://minerva.ufpel.edu.br/~felipezs/html/noite.html
http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12849
http://procopioo.blogspot.com.br/2011/08/noite-erico-verissimo.html
http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?mat=9575
http://www.ufjf.br/revistagatilho/files/2009/12/artigo_noite.pdf
http://www.recantodasletras.com.br/resenhas/26477
http://artigosefemeros.blogspot.com.br/2010/01/noite-de-erico-verissimo.html
Um lugar ao sol e Noite : a cidade em Erico Verissimo
http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?mat=9575
http://procopioo.blogspot.com/2011/08/noite-erico-verissimo.html
http://artigosefemeros.blogspot.com/2010/01/noite-de-erico-verissimo.html

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