Fitoterapia

Mestre em Neurologia / Neurociências (UNIFESP, 2019)
Especialista em Farmácia clínica e atenção farmacêutica (UBC, 2019)
Graduação em Farmácia (Universidade Braz Cubas, UBC, 2012)

A fitoterapia tem origem da junção das palavras Phito que significa plantas e therapia que quer dizer tratamento. Baseado na etimologia da palavra podemos concluir que a fitoterapia tem como principal foco a terapia de doenças através da utilização das plantas. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a ANVISA, medicamentos fitoterápicos são fármacos obtidos pela utilização exclusiva de matérias-primas vegetais, ou seja, que possuem compostos exclusivamente vegetais, portanto aquelas drogas cuja sua composição contenham outras substâncias ativas sejam isoladas, sintéticas ou naturais, ou associações com extratos vegetais não são consideradas por não conterem exclusivamente extratos vegetais. É importante lembrar que qualquer produto farmacêutico, independentemente da forma farmacêutica como, extrato, tintura, pomada, cápsula ou outros que utilizarem matéria-prima extraídas de uma planta medicinal pode ser considerada fitoterápica.

A fitoterapia é o tratamento de doenças e sintomas com a utilização de plantas. Foto: 13Smile / Shutterstock.com

Drogas fitoterápicas são caracterizadas por terem eficácia, qualidade e riscos da utilização destes compostos bem definidos e conhecidos, portanto a segurança e eficácia devem ser comprovadas através de documentações tecnocientíficas, ou estudos farmacológicos e toxicológicos. O controle desde o cultivo, plantio e produção dessas drogas é intenso justamente para garantir que a qualidade seja alcançada e esses medicamentos sejam efetivos nos tratamentos das respectivas enfermidades. Na fitoterapia também podem ser utilizadas as plantas medicinais e drogas vegetais, que devem, assim como as drogas fitoterápicas, passar por um rigoroso processo de produção visando a melhoria na qualidade de produção de metabólitos secundários pelas plantas.

Riscos relacionados à fitoterapia

Pelo fato da fitoterapia ser um tratamento à base de plantas medicinais, drogas vegetais e medicamentos fitoterápicos há o errôneo conceito de que esse tipo de tratamento, por ser natural, não trazer consigo riscos de intoxicação ou de possíveis interações medicamentosas. Os riscos da utilização de medicamentos alopáticos são maiores por se tratarem de drogas sintéticas e semissintéticas, porém drogas naturais também podem trazer riscos por alta dosagem como drogas que possuam grande quantidades de metabólitos secundários ou até mesmo por sua metabolização no corpo, gerando compostos tóxicos ou diminuindo a excreção de toxinas ou metabólitos tóxicos de outros medicamentos que estejam em uso concomitante.

Como agem os medicamentos fitoterápicos

As plantas possuem princípios ativos naturais, que são também chamados de metabólitos secundários. Esses metabólitos são importantes para a defesa das plantas diminuindo a palatabilidade, gerando resíduos tóxicos para determinados predadores, possuem também ação antibacteriana, antiparasitária, antifúngica para evitar pragas de diversos tipos. Para o ser humano alguns desses metabólitos secundários possuem ações terapêuticas, o que leva a utilização destes compostos em diversos medicamentos.

Dentre os metabólitos secundários extraídos de plantas medicinais para uso farmacológico temos: os Taninos, que possuem ação antioxidante, anti-inflamatória, antimicrobiana, antidiarreica e até ação antiviral, os Flavonoides que também possuem ação anti-inflamatória, antioxidante, anticarcinogênica e antialérgica; dentre os metabólitos também temos os óleos essenciais utilizados na terapia por aromas, usados também como essências em cosméticos como perfumes, condicionadores, shampoos, sabonetes em barra ou líquidos. As saponinas, também metabólitos extraídos de plantas medicinais, possuem diversas ações terapêuticas, como expectorantes, diuréticos, laxativos e hipocolesterolemiante. Existem diversos outros tipos de metabólitos secundários com ações diversas presente em diferentes espécies de plantas com concentrações variadas, e apesar de já conhecidos a ciência busca entendê-los cada vez melhor para extrair outras variedades de drogas com efeitos em diversas patologias, com o intuito de disponibilizar outras opções terapêuticas ainda não ofertadas no mercado farmacêutico.

SANTOS, S. C. MELLO, J. C. P. Farmacognosia da planta ao medicamento 5 ed p 615 656 Florianópolis/Porto Alegre UFSC e UFRGS, 1999.

Mello, J. P. C. Santos, S. C. Em Farmacognosia da planta ao medicamento Simões, C. M. O. Schenckel E. P. orgs. Ed. UFSC, Porto Alegre, 3 ª ed 2001.

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