Cinomose

Graduada em Medicina Veterinária (UDESC, 2017)

Cinomose é uma enfermidade infectocontagiosa que acomete vários sistemas, sendo conhecida pela paralisia progressiva em cães. Apresentando alto índice de mortalidade e morbidade, é a patologia infecciosa mais comum do sistema nervoso de canídeos, mas pode acometer também mustelídeos, pinípedes, hienídeos, alguns marsupiais, felídeos exóticos entre outros. Possui ocorrência mundial e é causada pelo Vírus da Cinomose Canina, um vírus da família Paramyxoviridae e gênero Morbillivirus.

A partícula viral apresenta três principais proteínas em sua superfície sendo responsáveis pela manifestação da doença e pela imunização do animal. Existe apenas um sorotipo do vírus, porém cepas biologicamente diferentes, dependendo da sua linhagem genética. Algumas menos virulentas, levando a sinais brandos e outras mais virulentas, levando a expressões mais severas.

A maioria dos cães apresentando cinomose não foi vacinada adequadamente, não receberam colostro de uma mãe imunizada, e/ou são imunossuprimidos. Atinge, preferencialmente, animais de 3 a 6 meses de idade (frequente quando cessa a imunidade oriunda do colostro) ou adultos não imunizados. A doença também é atribuída a cães apresentando panencefalite progressiva e crônica em cães, não vacinados, com mais de seis anos.

Transmissão

A transmissão acontece por contato direto, ou contato com excreções e secreções de animais infectados. A infecção geralmente ocorre pela via oronasal, onde há replicação primária no epitélio respiratório superior ou conjuntival. Progredindo em seguida para os linfonodos regionais (faríngeos e brônquicos), levando à primeira viremia. Quando atinge o sistema mononuclear fagocitário leva a uma segunda viremia disseminando-se para outros sistemas. Com alguns dias de progressão os linfonodos estão altamente infectados. Posteriormente os tecidos epiteliais e sistema nervoso central são atingidos. O vírus pode permanecer por longos períodos em células nervosas e é eliminado pelo animal até 90 dias após a infecção.

As alterações clínicas comuns são anorexia, vômitos, dispneia, secreções óculos-nasais, conjuntivite, diarreia, pústulas e hiperqueratose dos coxins. Outras alterações inespecíficas são observadas, como febre, broncopneumonia e anemia. Sinais neurológicos ocorrem em média 21 dias após a recuperação das alterações dos outros sistemas, são progressivos e quase sempre irreversíveis.

Os sinais neurológicos, presentes nos casos avançados, variam com a região do Sistema Nervoso Central acometida, todavia convulsões, paralisia de membros pélvicos, tremores, demência, andar em círculos e/ou incoordenação motora, são as formas mais comuns da forma neurológica em cães. Também podem se ocorrer em cães que nunca apresentaram outros sinais sistêmicos da doença.

Prevenção

A vacinação é o único método reconhecido para a prevenção da doença, sendo considerada essencial para todos os cães. Os protocolos de vacinação variam de acordo com as necessidades de cada animal, mas em filhotes recomenda-se três doses iniciais com reforços anuais, aplicadas por um veterinário. Não é recomendada a vacinação durante a gestação.

Tratamento

O tratamento consiste no combate às infecções oportunistas e estabilização do animal até o fim do curso da doença. Redução e prevenção dos danos neurológicos. Antivirais e soros hiperimunes podem ser de auxilio no inicio da doença, porém não combatem a degeneração do sistema nervoso, observada em casos avançados.

O vírus podem ser inativado com pH ácido, solventes lipídicos, agentes oxidantes e ao aquecimento de 56° por 30 minutos. São mais resistentes em ambientes de clima frio. Recomenda-se no mínimo 6 meses de vazio sanitário.

Jericó, M. M.; Kogika, M. M.; Neto, J.P.A Tratado de medicina interna de cães e gatos. 1. ed. - Rio de Janeiro : Roca, 2015

Nelson, R.W.; Couto, G.; Medicina interna de pequenos 5. ed. - Rio de Janeiro : Elsevier, 2015

AVISO LEGAL: As informações disponibilizadas nesta página devem apenas ser utilizadas para fins informacionais, não podendo, jamais, serem utilizadas em substituição a um diagnóstico médico por um profissional habilitado. Os autores deste site se eximem de qualquer responsabilidade legal advinda da má utilização das informações aqui publicadas.