Doença de Newcastle

Mestre em Ciência Animal (UFG, 2013)
Graduada em Medicina Veterinária (UFG, 2010)

A doença de Newcastle (DNC) é uma enfermidade viral, altamente contagiosa, que acomete aves domésticas, silvestres, exóticas e ornamentais. É uma doença que demanda notificação imediata ao serviço oficial de defesa sanitária, em se tratando de qualquer caso suspeito, em razão de seu caráter zoonótico.

No Brasil, a doença é conhecida como pseudo peste aviária, pneumoencefalite aviária e desordem respiratório-nervosa, devido à forma habitual de surgimento dos sinais clínicos da enfermidade, que se iniciam pelo trato respiratório, seguido por manifestações nervosas e gastrointestinais.

O agente causador da DNC é um vírus RNA, encapsulado, do sorotipo Paramyxovirus aviário tipo 1 (APMV-1) dividido em graus de patogenicidade que podem ser: lentogênico (leve), mesogênico (moderada) e velogênico neurotrópico (virulenta) e viscerotrópico, porém o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e a World Organisation for Animal Health (OIE), estabelece a que patogenicidade deve ser capaz de apresentar um "índice de patogenicidade intracerebral (IPC) de pelo menos 0,7 em pintos de 1 dia (Gallus gallus); ou demonstrar a presença de múltiplos aminoácidos básicos é demonstrada no vírus (diretamente ou por dedução), na fração C-terminal da proteína F2, ou o mesmo que a presença de fenilalanina no resíduo 117, que é a fração N-terminal da proteína F1. O termo "múltiplos aminoácidos básicos" se refere a pelo menos três resíduos de arginina ou lisina, entre os resíduos 113 e 116."

A ocorrência da doença é mundial e as aves migratórias, nativas ou exóticas podem ser propagadoras do vírus para os plantéis avícolas, haja vista que a contaminação se dá por meio de aerossóis, água e alimentos contaminados. O vírus é encapsulado e capaz de permanecer no ar, nas fezes, na cama aviária e nas carcaças acometidas, por várias semanas.

Aves da ordem dos Anseriformes (patos, marrecos e gansos) podem se infectar com o APMV-1, porém são mais resistentes à manifestação clínica da doença, o que se torna um fator de risco, caso haja um contato eventual com aves de produção comercial.

Um surto de DNC ou outras doenças com alto potencial de disseminação gera grandes consequências ao país acometido, pode ocorrer a morte de até 100% das aves acometidas, o que acarreta em prejuízos econômicos substanciais ao setor avícola. Aliado a esses fatores tem-se o potencial zoonótico da doença, que atinge principalmente os envolvidos no manejo das aves, que apresentam conjuntivite como sinal primordial.

Dessa forma, em 1994, por meio da Portaria Nº 193, o MAPA instituiu o Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA), que estabelece as normas e ações para uma produção segura. Essa iniciativa do governo tem refletido positivamente, pois o Brasil encontra-se como um dos maiores produtores e exportadores de carne de frango.

Os sinais clínicos da DNC não são patognomônicos, porém ao se observar anorexia, tosse, espirro, estertores respiratórios, edemas, asas caídas, pernas distendidas, torção de cabeça e pescoço, andar em círculo e de costas, depressão, paralisia completa ou diarreia, o serviço oficial deve ser acionado para tomar as medidas cabíveis. Os principais achados de necropsia são muco na traqueia, hemorragias em intestino delgado, proventrículo e na região subdural do cérebro.

Existem diferentes tipo de análises para se estabelecer o diagnóstico definitivo da DNC e todas elas devem ser feitas em laboratórios credenciados. As amostras (fezes, aves vivas, órgãos e suabe oro-nasal) podem ser submetidas aos testes de hemaglutinação (HA), inibição da hemaglutinação (HI), índice de patogenicidade intracerebral (IPIC), índice de patogenicidade intravenosa (IPIV), ensaio imunoenzimático (ELISA), tempo médio de morte embrionária (TMM), imunodifusão em agar gel (AGP) e técnicas de biologia molecular.

Não há tratamento para a doença de Newcastle e a vacinação sistemática é facultativa, pois o Brasil mantém-se na condição livre de DNC. Em função da importância econômica do setor avícola, há uma cooperação entre os estados no que tange ao monitoramento, prevenção e notificação da doença.

Referências:

BRASIL. Brasil, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Manual de Legislação: programas nacionais de saúde animal do Brasil/Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Departamento de Saúde Animal. – Brasília : MAPA/SDA/DSA, 2009.

PARIS. World Organisation for Animal Health. NEWCASTLE DISEASE: Aetiology Epidemiology Diagnosis Prevention and Control References. https://www.oie.int/fileadmin/Home/eng/Animal_Health_in_the_World/docs/pdf/Disease_cards/NEWCASTLE_DISEASE.pdf.

ADAPEC. Agência de Defesa Agropecuária. Doença de Newcastle. Palmas. Disponível em https://adapec.to.gov.br/animal/sanidade-animal/doenca-de-newcastle/

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