Doença de Newcastle

Graduada em Medicina Veterinária (UDESC, 2017)

Também conhecida como pseudopeste aviária, pneumoencefalite aviária, a doença de Newcastle é uma enfermidade aguda, altamente contagiosa que acomete aves domésticas e selvagens. Possui rápida disseminação pelo plantel, apresenta sinais respiratórios e gástricos e alta mortalidade, porém a severidade varia com a susceptibilidade e com o patotipo viral. A doença é causada pelo Avulavírus da família Paramixovírus do sorotipo-1 (APMV-1). Sua presença é de notificação obrigatória e imediata ao MAPA.

Trata-se de uma zoonose, e possui ocorrência nos principais países produtores de aves. Pode acometer aves de qualquer idade e, apesar de ser descrita em mais de 200 espécies, é mais prevalente em galinhas e perus. Patos não apresentam os sinais clínicos da doença. Aves silvestres e aquáticas são hospedeiras intermediárias e fontes de disseminação.

O vírus é encontrado nas descargas respiratórias e intestinais de aves contaminadas. A disseminação pode ocorrer por água, alimentos, equipamentos e veículos contaminados, pessoas que tiveram contato com aves doentes e aves mortas. Pode ocorrer a produção de ovos contaminados, sujeitos a morte embrionária, que eclodem, fazendo a disseminação horizontal para outras aves do lote.

Possui três cepas, que variam de acordo com a patogenicidade, produzindo diferentes sinais clínicos. A variedade entre as amostras é classificada de acordo com o tempo de morte no teste com embriões.

  • Patotipo Lentogênico: baixa patogenicidade ou apatogênico, pode causar infecção respiratória muito branda, às vezes sem sintomatologia. Mais comum em aves adultas. Esta cepa é usada na produção de vacinas. À necropsia observa-se traqueíte discreta.
  • Patotipo Mesogênico: moderadamente patogênico, induz queda na produção de ovos, sinais respiratórios como espirro, tosse e dificuldade respiratória, raramente apresenta sinais nervosos, além de queda de produção de ovos e baixa severidade e mortalidade (5% e 50%). As lesões apresentadas na necropsia são: hiperemia e hemorragias no proventrículo e intestino, fluidos oculares, nasais e hemorragia de laringe e traqueia.
  • Patotipo Velogênico: Alta severidade, casos agudos e superagudos e morte súbita. Os sinais clínicos são intensos e variam entre: sinais respiratórios severos, depressão, torcicolo, edema de cabeça, incoordenação motora, tosse e espirros e considerável queda de postura de ovos. Aves que resistem à infecção superaguda manifestam, posteriormente, alterações neurológicas. Possui 100% de morbidade sendo mais grave em lotes de perus e galinhas jovens (acima de 90% de mortalidade). As lesões observadas são hemorragia em pulmões, pró-ventrículo, intestino delgado, ceco e cérebro. Ovoperitonite, ovário com folículos degenerados ou hemorrágicos.

A amostra velogênica pode ter duas formas de apresentação:

  • Velogênico viscerotrópico que causa diarreia aquosa esverdeada e lesões hemorrágicas.
  • Velogênico neurotrópico que causa lesões no sistema nervoso.

O diagnóstico presuntivo é feito pela relação clínico-patológico do histórico do lote, sinais clínicos e lesões macroscópicas. O diagnóstico definitivo é feito através de testes sorológicos em laboratórios oficiais por isolamento, PCR e ELISA. A determinação do patotipo se faz por tempo médio de mortalidade embrionária e índice de patogenicidade intracerebral em pintos.

O vírus pode sobreviver semanas nas instalações, porém é sensível à maioria dos desinfetantes, variações de pH e também à luz solar e ultravioleta. Não há tratamento efetivo para doença, deve ser feita a erradicação do lote e medidas preventivas (biosseguridade, manejo, limpeza e desinfecção do ambiente e vacinação das aves).

Coelho, H.E., Patologia das aves. São Paulo: Tecmedd, 2006.

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