Hérnia Perineal em Cães

A hérnia perineal é resultado do enfraquecimento e desunião dos músculos e fáscias musculares que compõem o diafragma pélvico, resultando em deslocamento caudal de órgãos situados na região abdominal ou pélvicos no períneo.

Ocorre mais frequentemente em machos, especialmente nos não castrados, sendo raro em fêmeas. A faixa etária de maior concentração é entre os sete aos nove anos de idade, sendo incomum antes dos cinco anos. O processo pode ser uni ou bilateral.

Esta herniação é mais comumente observada entre os músculos esfíncter externo do ânus e o elevador do ânus e, certas vezes, entre os músculos elevador do ânus e o coccígeos.

O que exatamente causa a fraqueza muscular ainda não foi elucidado. Todavia, diferentes hipóteses têm sido levantadas, como atrofia muscular neurogênica ou senil, miopatias, aumento do volume prostático, alterações hormonais e constipação crônica. Esta disfunção é mais comum em Boxer, Boston Terrier e Pequinês.

As manifestações clínicas incluem:

  • Tenesmo;
  • Constipação;
  • Aumento do volume perineal, redutível ou não;
  • Estrangúria, disúria e anúria, quando houver retroflexão da bexiga;
  • Presença de fluído seroso no saco herniário;
  • Hematomas ou fragmentos de gordura retroperitoneal necrosados, que se apresentam como nódulos de coloração creme a vermelho-marrom.

O diagnóstico é feito com base no histórico e quadro clínico apresentado pelo animal. Exames físicos, radiográficos e ultrassonográficos também auxiliam no fechamento do diagnóstico.

O tratamento visa aliviar e prevenir possíveis fatores desencadeantes da hérnia perineal. Recomenda-se o uso de estimulantes do peristaltismo intestinal, emolientes fecais e uma dieta composta pó um alto teor de fibras. Enemas periódicos parafinados ou não, ou ainda evacuação manual do reto também são métodos utilizados para aliviar e evitar o agravamento do quadro. Com relação à descompressão da bexiga, métodos como cateterismo e a cistocentese são bem funcionais, embora o prolongamento destes tratamentos não seja indicado, podendo resultar no encarceramento e posterior estrangulamento de vísceras, colocando em risco a vida do animal.

Já o tratamento cirúrgico envolve a reconstrução do diafragma pélvico. Caso haja anormalidades retais associadas ao quadro, as mesmas devem ser corrigidas. Recomenda-se também a realização da orquiectomia (no caso dos machos). Alguns autores afirmam que a castração é eficiente, pois reduz os casos de insucesso, ao diminuir a testosterona circulante e o volume da próstata, com as taxas de recorrência podendo chegar a 2,7 vezes menos em animais castrado, quando comparados com animais inteiros.

Fontes:
http://fio.edu.br/cic/anais/2010_ix_cic/pdf/09VET/05VET.pdf
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-84782005000500040&script=sci_arttext

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