Quimioterapia em animais

Graduada em Medicina Veterinária (UDESC, 2017)

Quimioterapia é o procedimento terapêutico utilizado para combater agentes biológicos com fármacos quimioterápicos. Os quimioterápicos podem ser usados no combate de infecções por microorganismos e no combate ao câncer, sendo este ultimo procedimento chamado quimioterapia antineoplásica.

A indicação quimioterápica varia com o tipo de neoplasia. Os outros métodos de tratamento do câncer incluem radiografias e/ou cirurgias. A escolha entre um tipo ou múltiplos métodos de tratamento varia com a neoplasia em questão. No geral, o tratamento de câncer em animais, diferentemente dos humanos e exceto por alguns tipos específicos de neoplasias, não tem caráter curativo, porém pode garantir uma sobrevida e qualidade de vida.

O câncer pode ser causado por múltiplos fatores, porém é difícil apontar uma causa primária para o seu desenvolvimento. Sabe-se que a predisposição genética está presente na maioria deles e alguns agentes cancerígenos também já são reconhecidos como: metais pesados, radiações, vírus, radicais livres etc.

As neoplasias se originam em várias etapas, onde as células sofrem alterações genéticas e apresentam características de malignidade. As neoplasias podem iniciar em qualquer tecido do organismo, resultando em sucessivas mutações do material genético das células. O acúmulo de mutações ou anormalidades pode ocorrer nos genes fundamentais ou nos fatores de controle do ciclo celular e reparo genético, sem estes mecanismos de controle funcionando normalmente, o tecido tem crescimento desordenado e aparecem células capazes de se espalhar para tecidos onde normalmente não se encontrariam.

A quimioterapia trata-se da aplicação sistêmica ou local dos quimioterápicos que irão destruir células neoplásicas ou interromper sua proliferação, sendo que, a seletividade do quimioterápico é o maior desafio farmacológico, já que afetam tanto células neoplásicas quando células saudáveis.

O quimioterápico é administrado em altas doses (dose máxima tolerada) de acordo com a necessidade de cada paciente. Como a toxicidade é muito alta, intervalos são necessários para que haja recuperação dos tecidos normais, estes intervalos variam de acordo com o fármaco utilizado e a resposta do paciente.

A modalidades quimioterápicas são:

  • Poliquimioterapia: onde há combinação de mais de um quimioterápico para regredir células em fases diferentes de desenvolvimento
  • Quimioterapia curativa: usada em casos específicos de neoplasias, por exemplo o tumor venéreo transmissível em cães (TVT) para remissão total do tumor, sem uso de outro método terapêutico.
  • Quimioterapia neoadjuvante: para redução parcial do tumor antes de um outro método terapêutico, como para retirada segura do tumor ou evitar/reduzir mutilação, combater células residuais e tratar macro e microcrometástases. Ou ainda para complementar à radioterapia.
  • Quimioterapia paliativa: não é curativa, apenas melhora a qualidade e a expectativa de vida do paciente por meio de redução dos sinais clínicos gerados pelo câncer.
  • Quimioterapia de manutenção: manter a remissão da neoplasia com protocolos menos agressivos.
  • Quimioterapia de resgate: utilizada após a falha na primeira tentativa ou após retorno da neoplasia, com fármacos ainda não utilizados anteriormente.

Os efeitos colaterais da quimioterapia tem caráter toxico e podem ser divididos em agudos (dentro de 24 a 48 horas após a sessão, ou tardios (2 a 14 dias após a sessão).A toxicidade aguda inclui: hipersensibilidade ao quimioterápico, náuseas ou vomito, prurido, edema e lesões avermelhadas. Na toxicidade tardia observa-se imunossupressão de medula óssea e sinais gastrointestinais como vomito e diarreia. A longo prazo pode haver disfunção de fígado, coração e rins. A perda de pelos, comum quimioterapia humana, é raro na quimioterapia veterinária.

Fontes:

Daleck. C. R., Nardi, A. B. De. Oncologia em cães e gatos. 2. ed. ­ Rio de Janeiro : Roca, 2016.

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