Síndrome do cão braquicefálico

Mestre em Ciência Animal (UFG, 2013)
Graduada em Medicina Veterinária (UFG, 2010)

Denomina-se síndrome respiratória do cão braquicefálico (SCB) a obstrução parcial ou total das vias aéreas superiores, com prejuízo da chegada do ar aos pulmões. Braquicefalia ou condrodistrofia é uma condição originada da modificação genética artificial, em que se gerou os cães de "focinho curto".

Os animais acometidos apresentam condrodisplasia, que resulta na anormalidade do crescimento longitudinal das cartilagens cranianas, além de anquilose ou adesão prematura dessas, o que culmina no encurtamento acentuado do focinho, com alargamento da base do crânio.

Essa desarmonia estrutural provocou alterações funcionais de importância clínica, no aparelho respiratório desses animais como: estenose das narinas, palato mole alongado, eversão dos sacos laríngeos, estreitamento da glote e estenose de traqueia, que podem ocorrer juntas ou isoladamente.

As narinas desses animais possuem cartilagens dorsolaterais de grandes dimensões, que atrapalham a abdução durante a etapa de inspiração. As conchas ou cornetos intranasais são bastante volumosos, o que prejudica e aumenta a resistência da passagem do ar na via aérea.

Esse problema respiratório afeta também a termorregulação dos cães braquicefálicos, pois é por meio dela que ocorre a troca de calor com o meio e se reduz a hipertermia. Assim, qualquer atividade ou situação que produza um grande aumento na temperatura corporal desses animais é passível de levar à morte.

A ocorrência do prolongamento do palato mole é bastante comum nessa síndrome em questão. Por conseguinte, durante a inspiração ele pode sobrepor-se à epiglote e dificultar ainda mais o fluxo do ar. A espessura do palato perturba a região da faringe, o que acarreta em inflamação da mesma, e também das tonsilas e da laringe. Com isso, os animais precisam realizar um constante esforço inspiratório, o qual gera um aumento da pressão negativa na zona da orofaringe e promove a eversão dos sacos laríngeos. Em consequência desse acúmulo tecidual e da inflamação, pode ocorrer o edema, com progressão para o colapso laríngeo e a morte do animal por obstrução respiratória.

A traqueia também apresenta alterações morfológicas em razão da braquicefalia, seu diâmetro torna-se parcial ou totalmente reduzido, há uma flacidez dos anéis cartilaginosos, com possível sobreposição dos mesmos. A fragilidade do tecido pode produzir um colabamento durante a fase da inspiração e o animal manifestar angústia e ruídos conhecidos como "grasnido de ganso".

A manifestação do sinais clínicos da SCB varia conforme o nível de obstrução em que o trato respiratório se encontra, mas frequentemente observa-se cansaço, dispneia, tosse, sons respiratórios do tipo ronco ou estridor, cianose das mucosas e síncope.

O diagnóstico envolve a análise dos sinais apresentados pelo animal, predisposição racial, exame clínico geral e inspeção da orofaringe, por meio do laringoscópio. Exames complementares como hemograma, raio x, eletro e ecocardiograma podem ser solicitados para confirmar a SCB e também monitorar suas possíveis consequências no organismo, haja vista que de forma crônica, essa síndrome provoca danos ao esôfago, estômago, coração entre outros órgãos.

A abordagem terapêutica do paciente pode variar conforme a severidade da obstrução das vias aéreas; o bloqueio total das mesmas é caracterizado como uma emergência, pois há o risco de o animal morrer, dessa forma, o uso de oxigênio, anti-inflamatórios e até traqueostomia podem ser necessários. No animais estáveis pode-se associar a terapia medicamentosa, com correção cirúrgica dos defeitos anatômicos, além de diminuição dos fatores de risco. Cita-se a alaplastia por ressecção em cunha como a técnica mais utilizada e bem sucedida, porém a palatoplastia, a turbinectomia, a saculectomia ou outros procedimentos também podem ser recomendados.

Percebe-se que a SCB é uma condição crítica, que afeta o bem-estar animal e pode ser fatal na ocorrência do colabamento das vias aéreas, dessa forma, espera-se que as futuras modificações genéticas sejam mais brandas e não suscitem em alterações tão agravantes para os animais.

Referências

SILVA, P. H. S. et al. Anormalidades anatômicas das vias respiratórias do braquicéfalo e suas principais técnicas de correção cirúrgica. Enciclopédia Biosfera. Centro Científico Conhecer. Goiânia, v.16 n.29; p.209-23. 2019.

SILVA, P. R. Estudo da síndrome braquicefálica em cães atendidos em hospitais veterinários do município de Patos-PB. [Trabalho de Conclusão de Curso]. Universidade Federal de Campina Grande. Centro de Saúde e Tecnologia Rural. 2018.

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