História do estudo da anatomia humana

Mestre em História Comparada (UFRJ, 2020)
Bacharel em História (UFRJ, 2018)

Publicado em 04/12/2021
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O princípio dos estudos da anatomia humana deu-se no Egito, documentos comprovam que algumas das primeiras descrições anatômicas foram registradas em papiros aproximadamente entre 3000 e 2500 a.C. Desde esta época já havia no Egito o domínio de técnicas de mumificação, e havia no território Chinês o desenvolvimento de técnicas de acupuntura.

Considera-se que formalmente os estudos de anatomia iniciaram-se em 500 a.C por conta dos trabalhos de Aristóteles e Hipócrates. Ambos trouxeram contribuições importantes para o desenvolvimento da medicina, tendo sido Aristóteles o primeiro a utilizar a palavra Anatome, que significa cortar em pedaços ou separar, remetendo à ideia de se estudar separadamente cada parte do corpo humano. Hipócrates foi o responsável pelo ensino de medicina na escola grega. Tendo escrito diversos livros sobre anatomia, é considerado o fundador da ciência anatômica e pai da medicina.

Por volta de 300 a.C, na região do Egito passou-se a praticar a técnica de vivissecção, que consistia na realização de corte de alguns órgãos com o indivíduo ainda vivo. Mais ou menos nesta mesma época houve a proibição, por parte da Igreja Católica, da dissecação de cadáveres, com o argumento de que tal prática feriria princípios éticos e religiosos.

Na Grécia, em 200 d.C, o médico e filósofo Claudius Galeno dedicava-se a ensinar anatomia nas escolas de medicina grega. Por conta da proibição ocorrida também na Grécia, ele dissecava animais em vez de humanos, e estabelecia comparações entre estes organismos. Sabe-se que evidentemente equívocos foram vinculados na produção de conhecimento médico deste contexto, dada a diferenciação das anatomias humana e animal.

Houve uma longa pausa de 12 séculos no desenvolvimento da anatomia humana, muito por conta das proibições e perseguições religiosas. Até que nos séculos XV e XVI a Europa passou pelo contexto da invenção da prensa móvel, que fez circular diversos saberes artísticos, culturais e científicos. Muitas obras de escritores antigos voltaram à cena.

Leonardo da Vinci (1452-1519) foi uma figura importante no avanço científico da época renascentista. Realizou pesquisas e escreveu estudos sobre anatomia humana, dentre eles os Cadernos anatômicos. O famoso esboço do Homem vitruviano apresenta estudos realizados por Da Vinci acerca das proporções do corpo humano.

Homem vitruviano, desenho de Leonardo da Vinci, 1490.

Outro expoente no desenvolvimento da ciência anatômica foi Andrea Vesalius (1514-1564), médico e anatomista que realizou diversas dissecações no corpo humano, e reproduziu perfeitamente desenhos dos órgãos em seu livro. Vesalius foi o responsável por escrever e publicar o primeiro Atlas de Anatomia Humana, em 1543, denominado De humanos corpoli fábrica. William Harvey (1578-1657) foi outro nome importante na história da anatomia, por ter sido aquele que descobriu a circulação do sangue nas artérias e veias.

Entre fins do século XVI e início do século XVII, viu-se, na Europa, a popularização da prática de dissecação; nesta época, passou a ser disseminada noção de preservação e reunião de peças anatômicas em locais próprios. Foram criados verdadeiros museus de anatomia. Já os séculos XVIII e XIX viram o surgimento de muitas obras, atlas e compêndios voltadas para o estudo da anatomia.

Nos séculos XVIII e XIX também houve o problema da escassez de cadáveres para estudo de anatomia. Sabe-se que desde o início do desenvolvimento da ciência médica, os cadáveres utilizados para dissecação tendiam a ser cadáveres de indigentes. Por conta da ausência de materiais humanos para estudo, surgiram ladrões profissionais de cemitérios; estes roubavam corpos para serem vendidos para escolas de medicina. Nesta época, diversos estudantes e professores envolveram-se em casos ilícitos. A comoção pública em relação à violação de túmulos fez com que leis fossem criadas a fim de delimitar quais corpos e em quais condições seriam submetidos para estudos em escolas de anatomia e medicina.

Referências:

KRUSE, Maria Henriqueta Luce. Anatomia: a ordem do corpo. Rev Bras Enferm, Brasília (DF) 2004 jan/fev;57(1):79-84.

LACERDA, Carlos Alberto Mandarim de. Breve história da Anatomia. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2010.

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