Caramujo Africano

O caramujo africano (Achatina fulica) é uma espécie de molusco terrestre tropical, originário do leste e nordeste da África. Foi mundialmente disseminado pela ação humana ligada a gastronomia, pela região da Tailândia, China, Austrália, Japão e recentemente pelo continente americano. Essa espécie é considerada uma das cem piores espécies invasoras do mundo causando sérios danos ambientais. No Brasil foi introduzida a partir 1988 como uma forma barata de substituir o escargot.

Caramujo africano. Foto: J.M.Garg [GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html) or CC-BY-SA-3.0-2.5-2.0-1.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)], via Wikimedia Commons

Caramujo africano. Foto: J.M.Garg [GFDL or CC-BY-SA-3.0-2.5-2.0-1.0], via Wikimedia Commons

Os indivíduos adultos de caramujo africano podem atingir uma massa de mais de 200g e chegar a 15 cm de comprimento de concha. É um caramujo de concha cônica marrom ou mosqueada, alcançando a maturidade sexual entre quatro e cinco meses. Os indivíduos são hermafroditas, podendo realizar até cinco posturas por ano, com 50 a 400 ovos por postura. Ativo no inverno, resistente ao frio e à seca, geralmente passa o dia escondido e sai para se alimentar e reproduzir à noite ou, durante e logo após as chuvas.

A invasão do caramujo africano no Brasil se constitui não só num problema principalmente em áreas urbanas, mas também cresce em áreas naturais importantes. Devido a ampla distribuição do molusco no Brasil, torna-se impossível erradicá-lo. Porém, o controle local continua possível, embora requeira grandes custos financeiros e mão-de-obra.

Em países de climas tropicais, os prejuízos à agricultura são ainda maiores, primeiramente, porque há perda de produtividade na colheita devido ao ataque destes herbívoros, sem contar o ataque a outras plantas que fornecem o enriquecimento da camada superficial do solo. Podem também transmitir organismos patogênicos para as plantas. Em segundo lugar, há o custo do trabalho e dos materiais associados com a gerência da praga. Terceiro, há perdas como a limitação dos tipos de plantações que podem ser cultivadas, devido às mudanças do ambiente e a presença do caramujo.

Caramujo africano. Foto: HARNZING / Shutterstock.com

Caramujo africano. Foto: HARNZING / Shutterstock.com

O caramujo africano além de praga agrícola é o responsável pela transmissão de parasitos pertencentes ao grupo dos nematoides do gênero Angiostrongylus, parasitos estes que causam doenças de difícil diagnóstico em humanos. A pessoa é infectada pelo parasito acidentalmente quando ingere alimentos ou água contaminados com larvas de terceiro estádio, presentes no muco secretado pelo caramujo, seus hospedeiros intermediários. Os principais parasitos que podem ser transmitidos pelo caramujo africano são o Angiostrongylus cantonensis e o Angiostrongylus costaricensis.

Diversas estratégias físicas, químicas e biológicas têm sido utilizadas no controle do caramujo.  O controle ativo é considerado o método mais eficiente de manejo para o molusco e requer, primeiramente, a coleta e a destruição dos caramujos e seus ovos das áreas infestadas. A coleta deve ser repetida com frequência, ao longo do ano, sem interrupção, e isso se deve a grande fecundidade da espécie, e deve incluir áreas urbanas, áreas agrícolas como hortas e roças, áreas agrícolas abandonadas, bordas de florestas e de brejos.

O controle químico também foi uma possibilidade muito explorada, porém, há o elevado custo econômico e tecnológico. A situação nos últimos anos não mudou muito, sem registros de desenvolvimento especifico contra Caramujo Africano, apesar da grande diversidade de compostos sendo estudados.

Referencia:
COLLEY, E. 2010. Medidas de controle do Achatina fulica. p. 203-228. In: FISCHER, M.L. & COSTA, L.C.M. O Caramujo Gigante Africano A. fulica no Brasil. Curitiba: Editora Champagnat – PUCPR, Coleção Meio Ambiente 1.; 269 p.

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