Pós Punk

O pós punk (post-punk) foi um movimento musical que nasceu após a explosão do punk rock no final dos anos 70. Apesar da influência das bandas punks de 77, o pós punk tinha outras características. As letras, sonoridade e estilo eram mais introspectivos, complexos e experimentais. Houve uma incorporação de elementos do Krautrock, que trouxe os sintetizadores e a repetição, da Dub Music e do Funk americano.

Uma das bandas que ilustra esse contexto é o Joy Division, ícone do pós punk. “O Joy Division incorporava ruídos estranhos em suas canções, sampleava um copo quebrando, inserindo o som entre as linhas de baixo, guitarra e bateria. Era como escutar uma fita dos Ramones em um rádio com pilha fraca, a rotação extremamente lenta e a voz grave”, explica o crítico musical inglês Richet Wiliam em entrevista à publicação Mojo Magazine.

O gênero firmou-se nos anos 80, quando os músicos das bandas punks resolveram apostar em outros estilos, além disso, a geração criada por Sex Pistols,  The Damned e The Clash começava a montar grupos com novas sonoridades. O vocalista Johnny Rotten, dos Sex Pistols, monta o PIL (Public Image Ltda.), uma das bandas mais importantes do pós punk. Na época, surgiam Siouxsie and the Banshees, formada por fãs da banda de Rotten, The Fall, Gang of Four, Echo & the Bunnymen, The Cure, Bauhaus, The Smiths, entre outras.

Com a explosão destes conjuntos, surgiram diversos selos e clubes. Amplamente divulgado no programa de rádio noturno do DJ John Peel e pela gravadora Rough Trade, o pós punk popularizou-se na Inglaterra. Assim, surgiram diversos outros selos como Factory, Axis/4AD, Falling A, Industrial, Fast Product e Mute.

Apesar do sucesso na terra da rainha, um estilo parecido com o pós punk, a New Wave, emergia nos Estados Unidos com os mesmos elementos musicais do gênero inglês. Com bandas como Blondie, The Jerks, Teenage Jesus, Mars, Swans, Gleen Branca, entre outras, a New Wave consolidou-se com a compilação de Brian Eno, No New York, considerado o disco essencial do estilo.

“Passada a bebedeira (o punk), veio a ressaca (pós-punk), que derivou em uma melhor visão sobre o mundo, começando pelo mundo musical. E do punk/pós-punk surgiu a new wave, por exemplo, que pode ser considerada um punk bonitinho, feito para a sociedade de consumo”, explica Jorge Vitzac no site da Revista Carcasse.

Após este período inicial do estilo, as bandas que o criaram começaram a flertar com outros gêneros. Muitos dos grupos, como The Cure e Siouxsie and the Banshees envolveram-se com o gothic rock, deixando seu rótulo inicial e se transformando em ícones da cultura gótica. Outros conjuntos tornaram-se mais comerciais ou fixaram-se nas famosas College Radios americanas, dando início ao rock alternativo. No início do século XXI, houve uma retomada do pós punk em diversos países. Bandas como Interpol, Editors, The National e Franz Ferdinand exaltaram os aspectos do gênero e levaram os jovens a conhecerem as bandas do movimento oitentista.

Fontes:
http://en.wikipedia.org/wiki/Post-punk
http://www.carcasse.com/revista/de_profundis/punk_e_pospunk/index.php
REYNOLDS, Simon. Beijar O Céu. São Paulo: Conrad, 2006

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