Mansonella perstans

A mansonelose é causada pela filaria Mansonella perstans, anteriormente com o nome de Dipetalonema perstans. As adultas vivem no mesentério e na cavidade peritoneal de humanos e em algumas espécies de macacos.  A fêmea possui 8 cm e o macho aproximadamente em torno de 4 cm. As microfilárias são encontradas no sangue periférico e medem cerca de 200 µm, não possuem bainha de revestimento.

No Amazonas, foi diagnosticada no alto rio Negro, inclusive na cidade de São Gabriel da Cachoeira, no entanto existem indícios, pela movimentação de populações indígenas do rio Tiquié que também já deva estar na bacia hidrográfica do rio Japurá. As maiores prevalências são encontradas em áreas próximas das fronteiras com a Colômbia e Venezuela, no alto rio Negro, tendo em vista que fazem parte de um grande foco comum que ocorre entre populações indígenas que se movimentam em uma mesma área étnica. No entanto, outras pessoas não indígenas que co-habitam esta área, como ribeirinhos, militares e suas famílias, comerciantes, etc., também apresentam prevalência para M. perstans.

A Mansonella perstans é encontrada também na África tropical, onde tem ampla distribuição, também é encontrada no México, Panamá, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Trinidad e Tobago e Brasil. Apresenta maior prevalência em indivíduos adultos do que nos mais jovens e é mais prevalente significativamente no sexo masculino em relação ao sexo feminino.  Os seres humanos são as principais fontes de infecção, ainda que alguns símios africanos sejam considerados reservatórios. A maioria das infecções é assintomática, mas em alguns casos, o portador pode sentir febre, reações alérgicas, edemas, prurido cutâneo, dores no corpo e nas articulações e fadiga.

Os vetores desde filarídeo na América Latina não são ainda bem definidos, porém na África é feita por dípteros do gênero Culicoides de varias espécies. O dietilcarbamazina (DEC) é o medicamento comumente utilizado para o tratamento de Mansonella perstans, o tratamento dura 21 dias e na dosagem de 6mg/kg/dia. Entretanto apresenta-se frequentemente ineficaz, por este motivo, são necessários repetidos ciclos de tratamento para eliminar a infecção.

FONTE:
David Pereira Neves, Alan Lane de Melo, Pedro Marcos Linardi e Ricardo W. Almeida Vitor, Parasitologia Humana, pag.341, 12ª Edição, 2011.

Victor Py-Daniel, Ministério da Ciência e Tecnologia, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Laboratório de EtnoEpidemiologia e EtnoEcologia, Líder do Grupo de Pesquisas: Endemias em Áreas Indígenas da Amazônia Brasileira.

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