A Desinformatização das Escolas Rurais

Introdução

            A era na qual vivemos é marcada pela complexidade tecnológica advinda de invenções revolucionárias capazes de nos facilitar o trabalho cotidiano. Os trabalhos manuais, que antes levavam horas para serem feitos, hoje são realizados a partir de um clique ou pelo passear dos dedos num teclado de computador.

Os alunos nascidos na era da informatização encontram barreiras num aprendizado transmitido através de uma metodologia tradicionalista ultrapassada, baseada apenas na exposição de aulas utilizando-se quadro negro e o discurso docente a repetir teorias e teoremas como verdades absolutas. Os professores, por sua vez, não acompanham o ritmo de desenvolvimento das tecnologias educacionais ou mesmo aquelas nascentes de outro objetivo e posteriormente adaptadas a educação. O poder público não oferece capacitação adequada para o corpo docente leigo nos assuntos tecnológicos e, tampouco, os professores por si só a procura. O que resta é um monte de apetrechos modernos, revolucionários, facilitadores do processo de ensino-aprendizagem, porém sem utilidade no cotidiano escolar.

É importante ressaltar que os discentes praticamente faz moradia num plano virtual difundido mundo afora como sendo uma biblioteca infindável de conhecimentos diversos coletados e armazenados para serem acessados em qualquer parte do planeta – A INTERNET. Esta é, com certeza, uma faca de dois gumes. Enquanto auxilia e coloca o mundo educacional próximo ao estudante, também o desvia do foco central da educação, que é desenvolver ao máximo o potencial daquele que a absorve, visto que o mundo embutido na internet não é só apenas o educacional, mas todo entretenimento e informações desligadas do contexto da educação.

Escolas Rurais

            Nem sempre o problema está no mau uso dos equipamentos informatizados trazidos ao âmbito escolar por meio das novas tecnologias. Há também os casos nos quais nem mesmo o uso incorreto aparece.  Isso ocorre, principalmente, nas escolas rurais, onde o número limitado de alunos, a falta de interesse dos governantes, o comodismo dos gestores ou ainda o desconhecimento da comunidade local fazem com que esses recursos tecnológicos nem ao menos cheguem a essas escolas.

            A educação não é somente formada pelo professor, a sala de aula e os alunos, mas também de uma camada administrativa responsável por todo o funcionamento da instituição. É justamente nesse contexto que as Tecnologias da Comunicação e Informação (TICs) mais precisam ser evidenciadas, uma vez que o montante de documentos solicitados pelas Secretarias de Educação é cada vez maior em termos quantitativos e também qualitativos.

            Muitas escolas rurais ainda não contam com a disponibilização de internet. Isso compromete a comunicação entre os órgãos competentes da educação, seus atores e a sociedade, além disso, impossibilita a disseminação do material produzido na escola, através dos seus projetos educacionais, que poderiam servir de norte a outras escolas com realidade igual ou divergente.

            No caso exibido acima, não me refiro a laboratórios de informática. Falo sobre a ausência de internet, também, nas secretarias. Os trabalhos nessas escolas são realizados, em sua maioria, manualmente utilizando-se de portadores para fazer-se chegar tal documentação nos órgão aos quais são destinados. Isso nos conduz a uma época na qual não existia o correio eletrônico, lembrando que para a maioria das pessoas comuns e professores do campo esse termo ainda soa desconhecido.

Os contatos com as Secretarias são feitos por uma espécie de mensageiros, pessoas que se deslocam quilômetros de distância para transmitir dados, levantamentos, relatórios etc. Falando assim, nem parece que vivemos no século XXI, um século marcado pelo desenvolvimento das telecomunicações, principalmente disseminada através da rede mundial de computadores.

O Aluno do Campo

            Tendo a certeza de que em muitos casos nem mesmo as secretarias escolares dispõem de recursos tecnológicos para realizar as suas atribuições, posso afirmar que, nesse mesmo contexto, os alunos das escolas rurais não se submetem a esse tipo de material, pelo menos no âmbito escolar. As pesquisas são realizadas em Lan Houses, cujas impressões eles não têm dinheiro para fazer e a transferência para Pen Drives torna-se inviável, visto que não possuem computadores em casa ou na escola para realizarem as respectivas leituras.

            São jovens que nasceram na sociedade moderna, mas que as condições que lhes foram impostas tornaram-nos mendigos das tecnologias. Futuramente, quando passarem a exercer suas respectivas profissões, precisarão passar por n capacitações, não apenas por esse ser um processo natural para os profissionais das diversas áreas – a atualização -, mas pela enorme defasagem educacional adquirida na educação básica.

Considerações Finais

            Escolas desinformatizadas jamais poderão concorrer com as demandas da sociedade vigente. As escolas do campo deverão passar por uma reestruturação física a fim de receber as novas ferramentas tecnológicas tão difundidas e utilizadas em outros cenários da educação. Para isso, o poder público disponibilizará recursos para a aquisição dessas ferramentas, bem como para a capacitação dos docentes e coordenadores pedagógicos, pois eles transmitirão aos discentes esse novo velho mundo que há muito já coexiste conosco.

Esse será um processo de cobrança por parte da sociedade para com a escola, que transmitirá essa cobrança as respectivas secretarias de educação que, por sua vez, levará esse pleito ao poder público para sua concretização. Com o implemento de uma boa infraestrutura nas escolas rurais, acompanhada da chegada de aparelhos tecnológicos e profissionais capacitados para operá-los, essas instituições conquistarão muito mais alunos, o que gerará mais verba para a educação, podendo assim atuar na promoção de uma educação condizente com os anseios discentes.

“As tecnologias educacionais é um direito de todos aqueles que dependem da educação para promover ou exercer a cidadania”. (Robison Sá)

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