A relação entre o Coordenador Pedagógico e o Professor no cenário educacional

Introdução

A profissão docente, sendo de alta complexidade por lidar com a formação e projeção futurística dos alunos no espaço social, ora trabalhista, ora intelectual é carente de parcerias e acompanhamento, um suporte para amenizar as dificuldades diárias. Uma espécie de terapia do medo, através do compartilhamento das experiências vivenciadas no cotidiano escolar. Seria o compartilhamento de informações de sua jornada que conduziria o professor a redução do estresse e, consequentemente, a qualidade de vida pessoal e profissional?

Bem, se está não for a solução, creio que seja um passo importante para a melhoria nos relacionamentos interpessoais entre os atores da educação. Um trabalho como o da docência não pode ser desenvolvido solitariamente, pois os seus reflexos são vistos sempre através da mudança comportamental de um grupo. Sendo o produto final do trabalho docente recebido pelo grupo, e não individualmente, por que desenvolver sua prática individual e solitariamente? Esse me parece um ótimo caminho para começar mais um percurso em busca de respostas à educação.

 Coordenação pedagógica: mediando e formando

            Nesse palco de atores um tanto quanto perturbados com o grande número de questionamentos, favoráveis ou não à educação, muitas das vezes relacionados apenas a pessoalidade do discente, ou até mesmo a exteriorização de assuntos irrelevantes ao cenário precioso da aprendizagem, surge o coordenador pedagógico. Esse profissional vem para promover o diálogo entre o educador, o educando e a educação. Partindo desse pressuposto e mirando horizontes mais distantes, o coordenador pedagógico busca uma integração ainda maior, trazendo para a realidade escolar toda comunidade na qual a escola está inserida.

Não resta dúvida da importância desse profissional que, quando bem intencionado e focado em sua função, poderá facilitar as relações internas e externas ao espaço escolar. Porém, é necessária uma conscientização por parte dos professores, pois estes, muitas das vezes acostumados com uma prática docente baseada nos moldes tradicionalistas e/ou no faz de conta, não recebem de bom grado a interferência pedagógica. Mas essa é uma questão de diálogo, cordialidade e adaptação.

É importante que o professor compreenda a função formativa que o coordenador desempenhará em sua vida profissional. Este buscará novas metodologias, pesquisas e práticas funcionais e todo o suporte necessário ao desenvolvimento e promoção de um aprendizado real, não apenas a fantasia promovida pelos sistemas de ensino, que visa apenas o status, a quantidade.

Piletti afirma que as funções do coordenador pedagógico, dentre outras, são:

  • acompanhar o professor em suas atividades de planejamento, docência e avaliação;
  • b) fornecer subsídios que permitam aos professores atualizarem-se e aperfeiçoarem-se constantemente em relação ao exercício profissional;
  • c) promover reuniões, discussões e debates com a população escolar e a comunidade no sentido de melhorar sempre mais o processo educativo;
  • d) estimular os professores a desenvolverem com entusiasmo suas atividades, procurando auxiliá-los na prevenção e na solução dos problemas que aparecem. LIMA e SANTOS (2007, p.77-90)

Podemos conceber o coordenador pedagógico como sendo um formador, um promotor da formação continuada, um estimulador da aprendizagem discente através do aperfeiçoamento docente, um elo entre comunidade, educador, educando e educação. Tais atributos necessários ao coordenador cobram de si um grande desprendimento no que se refere à pesquisa e a inserção constante de novos saberes em seu leque de competências.

A comunicação

O coordenador pedagógico é um professor, mas com atribuições um pouco diferente das que têm os professores em sala de aula, pois esse tem que ser líder, ter uma ótima capacidade de comunicação, otimismo na busca pela educação ideal, proativo e dedicado. Todas essas características – dentre outras – devem estar embutidas no profissional da coordenação pedagógica.

Não se deve deixar de lado a importância de haver uma abertura a novos conhecimentos e a humildade de recebê-los quando transmitidos pelos colegas de profissão comum ou de profissões divergentes. Costumo dizer que ganho muito tempo quando, ao invés de passar horas pesquisando determinado assunto, simplesmente o ouço da boca de alguém que eventualmente dialoga comigo. A humildade é pré-requisito para a formação de todos os profissionais. Só aprendemos quando partilhamos e compartilhamos informações. É nos grandes debates acadêmicos que surgem os melhores e mais significativos aprendizados.

Considerações finais

Sejamos então abertos a novas descobertas e a possibilidades de tornar mais ameno o nosso trabalho. Está claro que precisamos de ajuda para desempenharmos a tarefa tão difícil de educar, então por que não nos abrirmos para recebermos novos saberes e soluções viáveis para os nossos problemas? O professor deve se aliar ao coordenador pedagógico, a direção, aos discentes e a toda comunidade civil e escola a fim de reverter o quadro falido da educação que tampouco promove um ensino funcional e aplicável na vida diária.

A educação é uma parceria. A consciência de que sozinhos jamais obtermos sucesso em sua propagação deve fazer parte de todos os seus atores. Somos membros do grande show que é aprender para ensinar e ensinar-nos constantemente a aprender. Na educação somos muitos: comunidade civil, pessoal de apoio, vigilante, professores, direção escolar e tantos outros. Porém esses tantos atores formam apenas um, um organismo formado a partir da dependência de todos esses órgãos, um ser gigante habitando esse imenso planeta e impondo-se a outras potências globais. Todos, Somos Brasil!

“Caminhar solitariamente nos terrenos da educação significa seguir rumo ao insucesso educacional”

Robison Sá.

Referência bibliográfica

LIMA, Paulo Gomes; SANTOS, Sandra Mendes dos. O Coordenador Pedagógico na Educação Básica: Desafios e Perspectivas. Educere at Educare: Revista de Educação. Paraná, V. 2, n. 4, p. 77-90, 2007.

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