Como estimular meu filho a enfrentar a inibição?

MBA em Comunicação Corporativa (Anhembi Morumbi, 2009)
Graduada em Fonoaudiologia (PUC-SP, 2005)

As crianças são conhecidas pela franqueza e espontaneidade. No entanto, em alguns casos, se isolam diante dos grupos, colegas e novas situações. Se seu filho é muito tímido e tem dificuldades para se expressar, existem diferentes maneiras de ajudá-lo a controlar essa inibição. Primeiro, é importante saber que ser mais quietinho não é, necessariamente, motivo de preocupação.

Cada pessoa tem um tipo de temperamento. É preciso respeitar a personalidade de seu filho, sem exigir que ele aja da forma que você gostaria. Mas há uma linha tênue entre o temperamento e a inibição. Se a criança é excessivamente retraída e começa a demonstrar dificuldades para se relacionar, vale observá-la de perto e ajudá-la a lidar com essas situações.

Por que acontece a inibição em crianças?

O ambiente familiar é um dos principais fatores que contribuem para inibição. Isso se deve ao fato de a criança ser muito dependente à família (em especial, à mãe) e, conforme os pais lidam com essa dependência, pode acentuar uma tendência inata na criança.

Muita gente não sabe, mas estudos já comprovaram que o fator genético também é responsável por gerar características de personalidade, contribuindo para que algumas crianças sejam mais tímidas e, outras, mais desinibidas. Na verdade, cerca de 20% das pessoas têm uma tendência genética para a timidez.

Desde que não atrapalhe o desenvolvimento de seu filho, a timidez não é necessariamente um problema. Aliás, somente uma criança saudável é capaz de organizar defesas, inclusive a própria inibição, para lidar pontualmente com os conflitos inconscientes.

No contexto escolar, é mais fácil identificar comportamentos perturbadores do que os inibidos. Os mais quietinhos podem, inclusive, ser valorizados como bons alunos e ter suas atitudes reforçadas. Os professores, geralmente, não os identificam como indivíduos com problemas. Fica para os pais a responsabilidade de acompanhar o desenvolvimento em casa e na escola, estando atentos às situações que incitam à reclusão.

Como estimular meu filho a enfrentar a inibição?

Se você observou que seu filho é muito inibido e isso tem trazido dificuldades para ele, existem algumas dicas e técnicas que você pode seguir para ajudá-lo. Confira!

  • Estimule o diálogo em casa. Quanto mais são incentivadas a falarem sobre como se sentem e o que gostam de fazer, mais facilidade terão em se expor e interagir com os demais, afinal, se sentirão mais confiantes.
  • Incentive o contato com outras crianças. Atividades como a prática de um esporte em equipe ou aulas de teatro podem estimular diversas formas de contato social. Ajude-o a descobrir e a escolher o que gosta. Essa é uma das boas maneiras de estimular seu convívio social.
  • Não exponha seu filho de modo excessivo e não exija mais do que ele consegue fazer. Respeite o tempo da criança: elas fazem amizades em seu próprio ritmo. Se você tem mais de um filho, é fundamental entender que eles não são iguais, então se o seu velho mais velho é mais desinibido, isso não quer dizer que você pode exigir o mesmo do seu caçula.
  • Evite dizer ao seu filho que ele é tímido, todo o tempo. Esse adjetivo acaba sendo associado a algo ruim, e ele pode entende que há algum problema com ele, reforçando, ainda mais, a inibição. Ao contrário, procure encorajá-lo, elogiando seu filho sempre que perceber que conseguiu interagir diante de um lugar novo ou com novas pessoas.

Devo procurar a ajuda de um especialista?

Como você pode identificar se a situação é séria o bastante para buscar aconselhamento profissional? A medida para procurar ajuda é o sofrimento. Sinais como dor de barriga, passar mal e crises de choro ao lidar com o contato social são uma luz vermelha que requer atenção. Se seu filho está sofrendo para interagir, procure ajuda psicológica para ser atendido adequadamente. O quanto antes você fizer isso, melhor!

Arquivado em: Pedagogia