Competências para o Ensino de Ciências

Licenciatura Plena em Química (Universidade de Cruz Alta, 2004)
Mestrado em Química Inorgânica (Universidade Federal de Santa Maria, 2007)

Trabalhar conteúdos teóricos integrados com atividades experimentais, em laboratório ou mesmo em sala de aula, pode ser um fator de motivação para que o aluno construa seu conhecimento e também para levá-lo a desenvolver o pensamento formal, na medida em que conseguir fazer abstrações das atividades concretas realizadas. Entretanto, para que isso possa de fato ocorrer, torna-se necessário que os alunos participem da elaboração dessas atividades e que elas sejam decorrentes de problematizações e de discussões que os motivem a realizar os experimentos buscando propostas concretas, e não apenas seguindo uma receita proposta pelo professor. Nesse aspecto, penso que teoria e experimento devem estar integrados e não serem momentos diferentes do processo de ensino e aprendizagem.

Tanto as atividades práticas como as suas decorrências devem ser trabalhadas de forma construtiva, onde a invenção e a (re)descoberta sejam o cotidiano, e os erros e acertos integrem-se no processo, tal como são normais na vida de cada um. Ao invés de se propor ao educando um caminho pré-formatado, pode-se, inicialmente, propor-se um desafio maior, no qual a construção do caminho o estimule a pensar. E, conforme foi dito, de tanto de modo teorizado quanto prático.

O ensino, em particular o de ciências, deve ser também um instrumento de formação da cidadania, na medida em que os assuntos abordados em sala de aula e a metodologia aplicada levem o aluno à compreensão dos fenômenos relacionados à sua realidade, a interpretar as informações científicas transmitidas pelos meios de comunicação, a compreender e avaliar as aplicações e implicações tecnológicas das ciências e a desenvolver capacidades decisórias aos problemas sociais a ela relacionados.

A sistematização da necessidade de mudança de paradigma no que se refere ao ensino de ciências e a consolidação de ferramentas educacionais adequadas a isso são sistematizadas em um currículo não fragmentado por disciplinas ou conteúdos, mas formatado por Habilidades e Competências. O conceito de competência, segundo Perrenoud (1999), é a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações...) para solucionar com pertinência e eficácia uma série de situações ligadas a contextos culturais, profissionais e condições sociais. Para Zarifan (1999), é a capacidade de enfrentar – com iniciativa e responsabilidade, guiados por uma inteligência prática do que está ocorrendo e com capacidade para coordenar-se com outros atores para mobilizar suas capacidades – situações e acontecimentos próprios de um campo profissional. Já para Tanguy (1997), é o conjunto de conhecimentos, qualidades, capacidades e aptidões que habilitam para discussão, consulta, a decisão de tudo o que concerne a um ofício, supondo conhecimentos teóricos fundamentados, acompanhados das qualidades e da capacidade que permitem executar as decisões sugeridas.

Referências:
PERRENOUD, P. 1999. Construir as competências desde a escola. Editora Artmed: Porto Alegre, p.89.                                                                                             
ZARIFAN, Philippe; Objective Competènce, Liason, Paris, 1999.
TANGUY, Luci; Saberes e Competências, 1997.

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