Discalculia

Mestre em Neurologia / Neurociências (UNIFESP, 2019)
Especialista em Farmácia clínica e atenção farmacêutica (UBC, 2019)
Graduação em Farmácia (Universidade Braz Cubas, UBC, 2012)

A discalculia, também chamada por alguns médicos de desordem matemática, é uma condição caracterizada por dificuldade de raciocínio lógico matemático, ou seja, é um tipo de transtorno de aprendizado onde o indivíduo não possui a capacidade de avaliar, refletir ou raciocinar tarefas que envolvem números ou conceitos matemáticos. Algumas pessoas confundem a discalculia com dislexia, ou chamam de dislexia matemática, porém não são termos adequados pois a dislexia se caracteriza por dificuldade no reconhecimento preciso e/ou fluente da palavra, na habilidade de decodificação e em soletração e não em habilidades matemáticas. É comum também as pessoas confundirem a discalculia com a insegurança que é observada nas escolas durante a aprendizagem da matemática ou até mesmo por má conduta pedagógica ou pela falta de conteúdo aprendido dependendo da escolaridade e idade da criança.

A dificuldade se mostra desde o início do desenvolvimento da criança porém na escola essas dificuldades se apresentam de forma explícita por conta da rotina e pela complexidade envolvida.Tanto meninas quanto meninos podem ser acometidos, aparentemente não há fatores que levam o transtorno ser mais comum em um determinado gênero. É frequente relatos de pais ou familiares próximos terem e crianças apresentem de forma genética. Aproximadamente 1% das crianças podem apresentar esse transtorno de aprendizado.

As crianças que desenvolvem esses problemas em diversos casos não conseguem entender que a palavra cinco quer dizer o mesmo que o numeral 5, possuem dificuldades em entender quantidades e/ou conceitos de que números são maiores ou menores. Também têm dificuldades em recordar de fatos que envolvem a matemática, ou problemas com realização dos cálculos. Em alguns casos os indivíduos que possuem a discalculia conseguem entender a lógica por trás dos cálculos matemáticos ou das teorias porém não conseguem aplicar o conhecimento para solução de problemas, as vezes casos básicos.

Há poucas informações sobre as causas exatas da discalculia, porém estudos mostram que há alguns fatores que podem estar relacionados com esse transtorno. A discalculia é um problema neurobiológico que apresenta diferenças no desenvolvimento e na estrutura cerebral. Estudos comparativos feitos com indivíduos não portadores do transtorno mostram que a região do sulco intra-parietal é menor em indivíduos que portam a desordem, além disso há menor ativação das áreas relacionadas ao processamento numérico e matemático. Outro possível fator, já mencionado acima, é o genético, onde a herança genética pode estar relacionada com a discalculia. O uso de drogas como o álcool durante a gestação também tem sido associado a doença. Lesões cerebrais em determinadas áreas também podem desenvolver o problema, neste caso é chamada de discalculia adquirida. Apesar das evidências mostradas acima, ainda não está claro o papel desses fatores no desenvolvimento do transtorno, no entanto pesquisas são levadas adiante para o completo entendimento dessa patologia para possíveis intervenções terapêuticas.

O diagnóstico deve ser dado após uma séries de testes direcionados aos problemas, portanto não se trata de uma simples avaliação, a detecção do problema pode demorar. E para melhor desempenho do indivíduo, o ideal é ter atendimento especializado para detecção de possíveis fatores que possam contribuir com o agravamento da discalculia, como depressão, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (também chamado de TDAH) ou até problemas mentais. Dentre os profissionais que podem auxiliar indivíduos que possuem esses problemas temos psicólogos, terapeutas educacionais, neuropsicólogos e professores de educação especial. Há diversas formas especiais para direcionar o aprendizado como exemplos matemáticos que se conectam com a vida real e recursos visuais que são utilizados por esses profissionais que podem ser fundamentais no processo de desenvolvimento lógico desses indivíduos.

Bibliografia:

Ramon COSENZA, Leonor GUERRA, Neurociência e Educação; Artmed, 2011, ISBN 8-536-32607-7

Tony Attwood (2002). Dyscalculia in Schools: What it is and What You Can Do. First & Best in Education Ltd. ISBN 1-86083-614-3. OCLC 54991398

https://neurosaber.com.br/o-que-e-discalculia/

https://www.vittude.com/blog/discalculia-dificuldade-matematica/

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