Interdisciplinaridade no ensino de História

As Diretrizes Curriculares Nacionais orientam para a relação e aproximação das disciplinas, com o intuito pedagógico da interdisciplinaridade, da contextualização, da identidade, da diversidade e autonomia. No ensino da História, por exemplo, é possível trabalhar conteúdos que abrangem a Geografia, a Literatura, a Filosofia, a Biologia, a Química e muitos outros. Portanto, na área do conhecimento referente à História estão inseridos os mais variados aspectos que devem ser explorados.

A interdisciplinaridade “trata-se de um movimento, um conceito e uma prática que está em processo de construção e desenvolvimento”, portanto é um elemento necessário para a didática e para a execução da difusão do conhecimento. Existem ainda vários níveis de interdisciplinaridade, que pode ir do diálogo à integração ou superação das fronteiras entre as disciplinas. Para ficar mais claro apresentamos essa definição:

Interdisciplinaridade é a integração de dois ou mais componentes curriculares na construção do conhecimento. A interdisciplinaridade surge como uma das respostas à necessidade de uma reconciliação epistemológica, processo necessário devido à fragmentação dos conhecimentos ocorrido com a revolução industrial e a necessidade de mão de obra especializada. A interdisciplinaridade buscou conciliar os conceitos pertencentes às diversas áreas do conhecimento a fim de promover avanços como a produção de novos conhecimentos ou mesmo, novas sub-áreas. (Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Interdisciplinaridade> Acesso em 25 Mar 2010)

E investigando mais a fundo podemos descobrir a existência de quatro dimensões que são individualmente relacionadas entre si e todas delimitam uma abordagem científica e educacional: Pluridisciplinaridade; Multidisciplinaridade; Interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade.

A prática interdisciplinar é um “esforço de superar a fragmentação do conhecimento, tornar este relacionado com a realidade e os problemas da vida moderna. Muitos esforços têm sido feitos neste sentido na educação. Na ciência, por sua vez, os esforços estão na busca de respostas, impossíveis com os conhecimentos fragmentados de uma única área especializada.” (Idem) A aplicação dos métodos que aplicam a interdisciplinaridade para o ensino da História é uma necessidade que visa facilitar o trabalho do professor e melhorar o desempenho do aluno.

A interdisciplinaridade busca, fundamentalmente, a relação entre as disciplinas no momento de enfrentar temas de estudo. De acordo com Hernández (1998) pode-se situar a prática interdisciplinar em pelo menos três eixos:

  • a) Como forma de sabedoria, como um sentido do conhecimento que se baseia na busca de relações que ajude a compreender o mundo no qual vivemos a partir de uma dimensão de complexidade;
  • b) Como referência epistemológica que restabelece ‘o pensamento atual como problema antropológico e histórico chave’, o que leva a abordar e pesquisar problemas que vão além da compartimentação disciplinar;
  • c) Como concepção do currículo que adota formas tão díspares como a que coloca globalização na seqüência de programação desde a qual podem relacionar conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais, como propõem as atuais reformas de países como o Brasil e a Espanha (p.34).

A utilização de materiais diversificados no ensino da História propicia uma maior exploração e visualização do conteúdo com enfoques diferentes, que vai de acordo com o objetivo desejado pelo professor. O livro didático não deve ser o único instrumento de ensino em uma sala de aula, pois isso limita a criatividade do professor e torna o ensino medíocre. Com o intuito de se aproximar mais do conhecimento do aluno, o professor deve utilizar também um linguagem mais simples e acessível, porém com riqueza de propostas educativas possibilitando a interdisciplinaridade.

Conforme Silva (1995, p.196), a questão do multiculturalismo na ação educativa, também é válida para a interdisciplinaridade, pois "(...) um multiculturalismo crítico certamente não propõe um encerramento e um fechamento cultural. Pelo contrário, uma perspectiva multicultural crítica supõe pontos de contato entre as culturas, capacidades de tradução entre elas".

A interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade, como já foi dito, são exigências formais dos currículos nacionais (Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental e Médio).  Esses conceitos são mais claros nos documentos para o Ensino Fundamental, onde a disciplina de História se mantém como específica e a partir desse campo são traçados conteúdos e procedimentos compartilhados com outras disciplinas, bem como podem ser abordados também outros tópicos transdisciplinares.

REFERÊNCIAS:
HERNÁNDEZ, Fernando. Trangressão e mudança na educação: os projetos de trabalho. Tradução Jussara Haubert Rogrigues. – Porto Alegre: ArtMed, 1998.

SILVA, Tomaz Tadeu.  Os novos mapas culturais e o lugar do currículo numa paisagem pós-moderna.  In: SILVA e MOREIRA (orgs.).  Territórios contestados: o currículo e os novos mapas políticos e culturais.  Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.

http://www.ichs.ufop.br/perspectivas/anais/GT1502.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Interdisciplinaridade

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