Quantitativo vs. Qualitativo e suas influências na Educação

A valorização demasiada pelo quantitativo no contexto educacional ¹, nunca na história desse país, parafraseando nosso excelentíssimo ex-presidente Lula da Silva, foi tão evidenciado; a máxima de quê o lugar do professor é do lado do aluno, no sentido físico mesmo, ou seja, estar compartilhando o mesmo ambiente é o suficiente na visão de muitos que fazem, ou dizem que fazem educação.

Nesse sentido, o processo ensino aprendizagem em termos qualitativos fica subjulgado a índices educacionais que em suma não refletem a realidade. Só para citar um exemplo, em um período bem recente veiculava na mídia televisa do Ceará informações, cuja fonte lhe convinha, colocando a veracidade das informações sob suspeita; de que 97% dos jovens do estado estão regularmente matriculados. E é exatamente nesse ponto que quero interagir e/ou fazer refletir com você que está lendo até o momento esse artigo; duas citações que são clássicas de dois grandes pensadores:

“ Os números governam o mundo”
(Filósofo Platão)

“Os números não exprimem sentimentos”
(Filósofo, matemático René-Descartes)

Analisando objetivamente essas duas citações, perguntos-lhes qual dessas os gestores educacionais no sentido amplo da educação iriam se apoiar? Você meu caro leitor tería alguma dúvida? Lembram do título do artigo? Quantitativo versus qualitativo?

Com relação a segunda citação, metaforicamente falando, implicitamente podemos observar que o termo “sentimentos” está associado as diversas concepções educacionais e metodológicas, ou seja, interligados a valores humanísticos que por vezes são esquecidos até mesmo por parte de alguns professores, pois estão assoberbados com o quantitativos de saberes e fazeres a desenvolverem.

Dessa forma para máquina pública é favorável anunciar para a sociedade índices que são “elegantemente” benéficos para o seu desempenho de gestão, contudo, ressalto que é o qualititativo que deve se sobressair haja vista que temos diversos índices que pouco ou nenhum são divulgados sobre o desempenho efetivo e qualitativo desses alunos. Por exemplo:

  • Você sabe quantos alunos de escola pública, em termos percentuais,  conseguem uma vaga para cursos ditos elitizados em universidades públicas?
  • Quantos alunos do ensino médio da escola pública concluem, conscientes dos seus direitos, deveres e com senso crítico agussados?

São reflexões dessa natureza que devem nos nortear no trabalho diário, no fazer pedagógico do professor e para isso é preciso QUALIDADE não apenas nos cursos de capacitações ou formações, material didático, valorização do profissional, etc.  É preciso mudança de paradigmas dos gestores educacionais.

Por fim quero conclamar a todos que verdadeiramente compreendam a essência do que o saudoso Paulo Freire disse: “Ensinar não é apenas transmitir conhecimentos” em pedagogia da autonomia.


¹ Caro leitor quero ressaltar que sou professor-pesquisador da grande área da Matemática, ou seja, teria forte motivos para supervalorizar o quantitativo, não é?

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