O Congresso dos Estados Unidos é o Poder Legislativo federal do país. Órgão bicameral, composto pelo Senado e pela Câmara dos Representantes, reúne-se no Capitólio, em Washington, D.C. Foi criado pelo Artigo I da Constituição e reuniu-se pela primeira vez em 1789, substituindo o Congresso da Confederação.

Capitólio dos Estados Unidos, sede do Congresso. Imagem: Architect of the Capitol, domínio público
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Por que duas câmaras
O bicameralismo resultou do Compromisso de Connecticut na Convenção de 1787: estados populosos queriam representação proporcional; estados pequenos, igualdade. A solução foi uma Câmara proporcional à população e um Senado com dois assentos por estado, independentemente do tamanho. As duas casas precisam concordar para que um projeto se torne lei, o que força negociação e funciona como freio interno ao Legislativo.
Câmara dos Representantes
A Câmara tem 435 representantes com direito a voto, eleitos em distritos uninominais para mandatos de dois anos. A distribuição entre os estados é revista a cada censo decenal. Há ainda delegados sem voto pleno de territórios e do Distrito de Colúmbia. Exige-se idade mínima de 25 anos e sete anos de cidadania. Cabe à Câmara, entre outras atribuições privativas, iniciar projetos de receita e formular o impeachment de autoridades federais.
O Speaker of the House (Presidente da Câmara) é eleito pelos representantes e é a liderança mais visível da maioria. Controla a pauta em articulação com o Comitê de Regras e é o segundo na linha de sucessão presidencial (depois do vice-presidente).
Senado
O Senado tem 100 membros: dois por estado, mandatos de seis anos, renovados em terços a cada dois anos. A idade mínima é 30 anos, com nove anos de cidadania. Até a 17ª Emenda (1913), senadores eram escolhidos pelas legislaturas estaduais; desde então, são eleitos pelo povo. O vice-presidente dos EUA é o presidente do Senado e só vota em caso de empate; no dia a dia, preside o president pro tempore, em geral o senador mais antigo da maioria.
Atribuições privativas do Senado incluem confirmar nomeações do presidente (ministros, juízes federais, embaixadores etc.) e aprovar tratados (dois terços). No impeachment, o Senado julga; a condenação exige dois terços.
Poderes do Congresso
O Artigo I enumera poderes como tributar, gastar, endividar-se, regular o comércio interestadual e exterior, cunhar moeda, declarar guerra, manter Forças Armadas, estabelecer correios e tribunais inferiores, e fazer leis “necessárias e adequadas” à execução desses poderes. O poder da bolsa (power of the purse) é um dos principais freios ao Executivo. O Congresso também fiscaliza agências e realiza investigações com poder de intimar testemunhas.
Como uma lei é feita
Projetos são apresentados por membros, em geral analisados em comissões especializadas, depois votados no plenário. Se a outra casa altera o texto, pode haver comissão de conferência. Aprovado nos mesmos termos pelas duas câmaras, o texto vai ao presidente, que pode sancionar ou vetar; o veto pode ser derrubado por dois terços em cada casa. Na prática, partidos, comissões e regras de obstrução (como o filibuster no Senado) moldam o ritmo legislativo.
O Capitólio
O United States Capitol abriga as sessões das duas casas, gabinetes e espaços cerimoniais. É símbolo do governo representativo norte-americano e ponto de encontros conjuntos, como a sessão para contar os votos do colégio eleitoral e o discurso do Estado da União. O complexo inclui edifícios de escritórios ligados por túneis e a Biblioteca do Congresso nas imediações.
Partidos e eras
Embora a Constituição não mencione partidos, o Congresso moderno opera sob bipartidarismo (democratas e republicanos), com raros independentes. Maiorias estreitas, polarização e campanhas caras marcam as últimas décadas. Ainda assim, a estrutura bicameral, as comissões e os poderes enumerados permanecem o núcleo do desenho de 1787 — um Legislativo pensado para representar tanto a população quanto os estados na federação norte-americana.
O número de 435 representantes fixou-se por lei no início do século XX; sem ampliar a Casa, estados que crescem em população ganham assentos à custa de outros no reaportionment pós-censo. Já o Senado permanece congelado em dois assentos por estado — escolha deliberada de igualdade federativa, ainda criticada por quem vê sobre-representação de estados pouco povoados.
Comissões e poder de fiscalização
Grande parte do trabalho legislativo ocorre em comissões permanentes e especiais. Elas analisam projetos, ouvem especialistas e podem investigar o Executivo. O poder de convocar testemunhas e pedir documentos (subpoena) é peça central do freio legislativo sobre agências e a Casa Branca. Em eras de governo dividido (presidente de um partido, maioria congressual de outro), a fiscalização intensifica-se; em governo unificado, tende a suavizar-se — padrão observado em várias décadas recentes.
Orçamento e poder da bolsa
Nenhuma despesa federal pode ocorrer sem autorização congressual. Resoluções orçamentárias, projetos de apropriações e negociações sobre o teto da dívida (quando aplicável) concentram enorme poder político. Paralisação parcial do governo (government shutdown) ocorre quando as casas não concordam a tempo nas dotações. Assim, o Congresso dos EUA não é só “fábrica de leis”: é o centro da autorização financeira do Estado federal.
Para o estudante de ciência política, o Congresso ilustra o bicameralismo federativo: uma casa fala em nome da população proporcionalmente; a outra, em nome dos estados iguais. Essa arquitetura, nascida do Compromisso de Connecticut, permanece o coração do Artigo I da Constituição norte-americana.
Fontes:
- United States Congress (Wikipedia em inglês)
- U.S. Constitution (National Archives)
Texto originalmente publicado em https://www.infoescola.com/politica/congresso-dos-estados-unidos/