Transtorno de Personalidade Borderline

Graduanda em Psicologia (PUC-SP)

Transtornos de Personalidade (TP) são diagnósticos ligados tanto a maneira com a qual o sujeito se comporta nas situações cotidianas e ao seu jeito de ser e lidar consigo, com suas percepções e com os próximos. O Transtorno de Personalidade Borderline é o mais frequente deles, acometendo 1,8-2,7% da população, sendo mais recorrente na feminina, urbana e pobre.

O TP é caracterizado por impulsividade, instabilidade emocional e uso de mecanismos de defesa imaturos, como desvalorização, idealização, projeção e dissociação. Seus fatores causais são multifatoriais: além dos componentes genéticos, é importante considerar experiências de adversidades ocorridas na infância (como abandono, negligência e abuso), que marcariam o indivíduo e afetariam a confiança e qualidade das relações interpessoais até a vida adulta.

Foto: El Nariz / Shutterstock.com

Psiquiatria

A psiquiatria localiza o TPB no grupo B dos Transtornos de Personalidade, ao lado do Transtorno de Personalidade Histriônica, Narcisista e Antissocial.

Seu diagnóstico é organizado pelo DSM-V (manual diagnóstico e estatístico feito pela Associação Americana de Psiquiatria) e CID-11 (Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde), publicado pela Organização Mundial de Saúde. Para tal, é necessário que o sujeito apresente ao menos cinco das seguintes características:

  • Relacionamentos pessoais intensos e instáveis, oscilando entre períodos de idealização e desvalorização
  • Esforço excessivo e desesperado para evitar abandonos
  • Perturbações de identidade, com dificuldades em relação à autoimagem, orientação sexual, identidade de gênero e aos objetivos pessoais.
  • Impulsividade em ao menos duas áreas autodestrutivas (como gastos exagerados, sexo desprotegido, uso de drogas e compulsão alimentar) e atos autolesivos repetitivos
  • Instabilidade emocional intensa e acentuada reatividade de humor
  • Sentimentos crônicos de vazio
  • Raiva inapropriada de difícil controle
  • Ideias de perseguição transitórias e episódios dissociativos

Quanto ao domínio cognitivo, é frequente que sejam apresentadas distorções como tendência a tomar decisões de risco, falhas no processamento de feedback e inclinação à tomada de conclusões inadequadas e precipitadas. Também são comuns as questões no âmbito social, como déficit de empatia, pobre reconhecimento facial e dificuldade em discernir emoções alheias. Ademais, podem ser presentes os sintomas psicóticos – cerca de 25 a 30% das pessoas com TPB apresentam alucinações, principalmente auditivas (DELGALARRONDO, 2019)

Psicanálise

“Borderline” é um conceito nebuloso na Psicanálise, na qual recebe também as nomeações de “limítrofe” e “caso-limite”.

Segundo as literaturas clássicas, designa um estado psíquico localizado na fronteira entre a neurose e a psicose. Já o referencial lacaniano o considera uma histeria grave ou perversa, fruto de fragmentação da psique. Alguns contemporâneos, entretanto, negam a existência do diagnóstico como nova organização ou estrutura, enquanto outros afirmam a presença um quadro clínico com características próprias.

Enfim, o sujeito considerado Borderline pela psicanálise pode não o ser pela psiquiatria, e vice-versa.

Promoção de qualidade de vida e tratamento das comorbidades

Pessoas que apresentem o transtorno podem ser auxiliadas com psicoterapia, possivelmente associada a acompanhamento psiquiátrico, medicação e terapias complementares.

É possível buscar auxílio na rede particular, e também de forma gratuita nos CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) e nas Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde).

Por mais, em caso de emergências, uma alternativa disponível é discar 188 - CVV (Centro de Valorização da Vida), e conversar com alguém com escuta acolhedora que oferecerá apoio emocional. O centro permanece aberto a qualquer hora e garante total sigilo das ligações.

Referências bibliográficas:

Cid 10: http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/cid10.htm

DSM-V, bg pharma, and the medicalization of ordinary life. New-York: Harper Collins Publisher, 2013a.

RAFIA: 1. Dalgalarrondo, P Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre, 2000. Editora Artes Médicas do Sul

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