Transtorno Obsessivo Compulsivo

Graduanda em Psicologia (PUC-SP)

O Transtorno Obsessivo Compulsivo é uma das síndromes com importante componente de ansiedade. Ele é caracterizado por fantasias obsessivas e comportamentos compulsivos vividos como enormes pressões sob o indivíduo.

Subtipos

A tipologia do TOC é dividida em:

  • Quadros nos quais predominam as ideias obsessivas: consistem em imagens e pensamentos surgindo recorrente e persistentemente na mente do sujeito, considerados angustiantes e invasivos. O indivíduo reconhece o caráter absurdo dessas ideias, e por vezes luta contra elas via atos e rituais específicos.
  • Quadros nos quais predominam as ações compulsivas: são caracterizados pelo predomínio de comportamentos ou atos mentais repetitivos. Estes podem ser respostas às ideias obsessivas ou formas de cumprir regras mágicas que seguem rigorosamente. As últimas são ocasionadas por pensamento mágico, que vinculam a realização do ato compulsivo com afastamento de evento indesejado.

Ademais, o transtorno pode apresentar-se de forma mista.

Ilustrações

Atos mentais comuns são a repetição de palavras específicas em silêncio, a elaboração de listas mentais ou resolução de contas matemáticas.

Comportamentos e rituais repetitivos comuns são lavar as mãos inúmeras vezes, tomar diversos banhos, verificar se as portas estão trancadas dezenas de vezes e colocar todos os objetos da casa em determinada ordem.

Pensamento mágico é, por exemplo “se eu der vinte voltas no quarteirão antes de entrar na escola, nenhum dos meus amigos ficará doente”.

Obsessões comuns são as relacionadas à limpeza, organização e monocromia.

Foto: Andrey_Popov / Shutterstock.com

Psiquiatria

Para haver o diagnóstico, é necessário avaliar o sofrimento que acomete o sujeito, junto a seus prejuízos nos âmbitos pessoais e sociais.

Uma vez avaliadas as perdas funcionais, há padronização na detecção e codificação do transtorno. Seus organizadores são o CID-11 (Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde) publicado pela OMS, e o DSM-5, manual diagnóstico e estatístico feito pela Associação Americana de Psiquiatria.

Na prática clínica, existem diagnósticos diferenciais e pormenores importantes. Cuidados são necessários por, às vezes, ser difícil demarcar os limites entre obsessão e fobia, ou ideia delirante e obsessão com pouca crítica. Além disso, é preciso diferenciar o ato impulsivo do compulsivo (vivenciado como obrigatório e desprazeroso).

Psicanálise

Nessa escola de pensamento, os transtornos com componentes de ansiedade localizam-se no grupo das neuroses.

A estrutura neurótica é caracterizada pela apresentação de mitos individuais e atividade respondente a eventos antigos, em constante repetição e reedição, de forma particular e incompreensível ao olhar de terceiros. O conflito do sujeito neurótico é entre o “eu” e o “isso”, fazendo coexistirem as atitudes que contrariam as exigências pulsionais e as que levam em conta a realidade, em um embate entre desejo e censura.

Como mecanismo de defesa, há o recalque, que afasta conteúdos indesejáveis consciência, mas quem vem à tona de maneira simbólica.

Assim, o TOC é localizado na neurose obsessiva, sendo seus sintomas expressões do conflito psíquico do indivíduo.

Tratamento

O tratamento do transtorno obsessivo compulsivo consiste em psicoterapia, possivelmente associada a acompanhamento psiquiátrico, medicação e terapias complementares.

Panorama de pensamento

A educação é importante para a promoção de qualidade de vida ao sujeito com a patologia e às pessoas com quem ele convive.

Com o acesso à informação o estigma atribuído ao quadro é combatido. Como consequências, haverá diminuição dos problemas relacionados à autovaloração e do tratamento do assunto como tabu.

Por fim, é importante não utilizar termos como “obsessão” e “doença” de maneira pejorativa. O uso errôneo dessas palavras pode menosprezar os sentimentos das pessoas que possuem estes diagnósticos.

Referências bibliográficas:

Cid 10: http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/cid10.htm

DSM-V, bg pharma, and the medicalization of ordinary life. New-York: Harper Collins Publisher, 2013a.

LAPLANCHE, J; PONTALIS, J. B. Vocabulário da Psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

RAFIA: 1. Dalgalarrondo, P Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre, 2000. Editora Artes Médicas do Sul

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