Transtornos fóbicos

Graduanda em Psicologia (PUC-SP)

Os transtornos fóbicos (popularmente chamados de fobias) são síndromes com importante componente de ansiedade. Eles sãos caracterizados por medos intensos desencadeados por situações que não oferecem ao indivíduo perigo proporcional à intensidade destes.

Eis as formas importantes pela qual os transtornos fóbicos são apresentados:

  • Agorafobia: é caracterizada por angústia relacionada a conglomerado de pessoas em espaços amplos ou locais de difícil escape. Sujeitos com esta fobia podem ter crises de medo (que chegam ao pânico) em congestionamentos, túneis, estádios de futebol ou festas. Por mais, é comum que possuam intenso receio em viajar em aviões, automóveis ou trens. Consequentemente, apresentam tendência a evitar essas situações a eles aversivas.
  • Fobia simples: é caracterizada por medo persistente de algo específico. Objetos fobígenos comuns são sangue, machucados, objetos cortantes, seringas e animais como insetos, pássaros, sapos, cachorros e cavalos. A exposição deles deflagra no indivíduo estados de angústia que podem chegar ao pânico, sendo reconhecidos como irracionais ou desproporcionais.
  • Fobia social: é caracterizada pelo medo intenso de situações sociais que envolvam expor-se ao contato interpessoal, demonstrar capacidade de desempenho ou participar de situações competitivas. Assim, o sujeito pode sentir demasiada angústia em realizar ações como falar em público, usar banheiros compartilhados, alimentar-se em refeitórios ou assinar cheques diante outras pessoas. Consequentemente, podem haver prejuízos à carreira estudantil/profissional e limitações na vida social e emocional. Por mais, é comum a comorbidade com o transtorno de personalidade evitativa.

Psiquiatria

Para haver o diagnóstico, é necessário avaliar o sofrimento que acomete o sujeito, junto ao estreitamento de suas possibilidades vivenciais.

Uma vez avaliadas as perdas funcionais, há padronização na detecção e codificação dos transtornos. Seus organizadores são o CID-11 (Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde), publicado pela OMS, e o DSM-5, manual diagnóstico e estatístico feito pela Associação Americana de Psiquiatria.

Psicanálise

Nessa escola de pensamento, as fobias localizam-se no grupo das neuroses.

A estrutura neurótica é caracterizada pela apresentação de mitos individuais e atividade respondente a eventos antigos, em constante repetição e reedição, de forma particular e incompreensível ao olhar de terceiros. O conflito do sujeito neurótico é entre o “eu” e o “isso”, fazendo coexistirem as atitudes que contrariam as exigências pulsionais e as que levam em conta a realidade, em um embate entre desejo e censura.

Como mecanismo de defesa, há o recalque, que afasta conteúdos indesejáveis consciência, mas quem vem à tona de maneira simbólica.

Assim, as fobias são localizadas neurose fóbica, na qual há a fixação da angústia em um objeto exterior.

Tratamento

O tratamento das fobias consiste em psicoterapia, possivelmente associada a acompanhamento psiquiátrico, medicação e terapias complementares.

É possível buscar auxílio na rede particular, e também de forma gratuita nos CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) e nas Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde).

Panorama de pensamento

A educação é importante para a promoção de qualidade de vida ao sujeito e às pessoas com quem ele convive.

Com o acesso à informação o estigma atribuído ao quadro é combatido. Como consequências, haverá diminuição dos problemas relacionados à autovaloração e do tratamento do assunto como tabu.

Por fim, é importante não utilizar termos como “medo” e “descontrole” de maneira pejorativa. O uso errôneo dessas palavras pode menosprezar os sentimentos das pessoas que possuem o diagnóstico.

Referências bibliográficas:

Cid 10: http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/cid10.htm

DSM-V, bg pharma, and the medicalization of ordinary life. New-York: Harper Collins Publisher, 2013a.

LAPLANCHE, J; PONTALIS, J. B. Vocabulário da Psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

RAFIA: 1. Dalgalarrondo, P Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre, 2000. Editora Artes Médicas do Sul

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